UOL Notícias Internacional
 

03/09/2005

Bush luta para se recuperar após furacão Katrina

The New York Times
Richard W. Stevenson

Em Washington
Desde o momento em que saiu do Escritório Oval em direção ao helicóptero, nesta sexta-feira (2/9) pela manhã, até deixar Nova Orleans, no final do dia, a tarefa do presidente Bush foi apagar a impressão crescente de que seu governo não tinha agido com urgência e determinação suficientes para aliviar o sofrimento de dezenas de milhares de pessoas.

Bush foi politicamente ameaçado pela profunda lacuna entre a realidade perturbadora na região afligida pela tempestade e a resposta federal, considerada lenta e alheia ao desespero sentido em terra. Ele usou sua viagem para tentar modificar essa percepção.

Bush fez algum progresso, demonstrando compaixão para com aqueles que encontrava, particularmente no Mississippi, que representa politicamente território solidamente republicano. O impacto de sua viagem foi aumentado pelo fato de sua chegada ter coincidido com a dos comboios levando comida, água e soldados.

No entanto, a impressão geral foi precária, particularmente se comparada com a visita confiante que fez a Nova York há quatro anos, apenas três dias após o ataque terrorista de 11 de setembro. Na ocasião, ele pegou um megafone para falar aos trabalhadores no local do desastre; na sexta-feira, ele ficou longe das ruas de Nova Orleans, cuja população aflita não necessariamente o receberia de braços abertos.

Bush começou o dia dizendo, no Gramado Sul da Casa Branca, que os resultados do esforço federal até agora "não eram aceitáveis". No entanto, mudou o discurso com o passar do dia, aparentemente por desconforto com a implicação de que estava criticando os trabalhadores do resgate e de emergência.

O presidente visitou os Estados de Alabama, Mississippi e Louisiana. Algumas vezes, ainda parecia desequilibrado, soando notas discordantes ao longo do caminho. Em Mobile, ele tocou apenas brevemente no assunto de como abrigar centenas de milhares de pessoas nos próximos meses, mas falou da intenção do senador Trent Lott de reconstruir sua casa.

Em várias paradas ele parecia tão preocupado em fortalecer os membros do governo, como o governador Haley Barbour, de Mississippi (um republicano), quanto em acalmar e dar garantias às pessoas cuja saúde e sustento estavam ameaçados.

Mesmo quando prometeu corrigir o que saiu errado com o esforço de resgate e alívio emergencial, ele congratulou Michael Brown, diretor da Fema (agência federal encarregada de prestar socorro após desastres naturais) que ele chamou de "Brownie," por fazer um "ótimo trabalho", uma avaliação não compartilhada por muitos em Nova Orleans.

Por sorte ou programação, ele chegou à região no mesmo dia que um enorme carregamento de suprimentos e levas de soldados chegaram a Nova Orleans, claramente aliviando a crise. O presidente conseguiu cenas que certamente ajudarão a remendar sua imagem, abraçando as vítimas do furacão em Biloxi, Mississippi, e em pé, próximo ao local do principal brecha no dique em Nova Orleans.

Com a questão de discriminação racial sendo suscitada, o esforço de recuperação política da Casa Branca foi além de Bush para incluir Condoleezza Rice. A secretária de Estado, a mais proeminente afro-americana do governo, disse na sexta-feira que ia viajar no domingo para o Alabama, seu Estado natal, para acompanhar os danos da tempestade e os esforços de recuperação.

Bush freqüentemente se recupera depois de cambalear. Ele se saiu mal no último outono em seu primeiro debate contra o senador John Kerry, seu oponente democrata na disputa presidencial, mas se saiu muito melhor nos dois seguintes.

Ele precisou de vários dias para recuperar seu chão e encontrar sua voz depois dos ataques terroristas, há quatro anos. A imagem icônica de sua resposta ocorreu no dia 14 de setembro, quando ficou de pé no local do desastre com um megafone nas mãos; seu desempenho incerto no dia dos ataques é muito menos lembrado.

"É natural querer culpar alguém. No entanto, não acho que (o presidente) pagará um preço, se continuar com o tom que estabeleceu hoje", disse Ron Kaufman, estrategista e lobista veterano republicano.

Os democratas, por outro lado, deixaram claro que pretendem discutir a falha da resposta por muito tempo, independentemente do progresso que faça daqui para frente e se vai recuperar seu dom político.

"A falta de uma resposta rápida e adequada a essa emergência não deveria ser acobertada com tapinhas nas costas e palanques políticos", disse a deputada Louise M. Slaughter, democrata de Nova York. "Seu fracasso não deve ser varrido para debaixo do tapete."

Até mesmo na sexta-feira, Bush parecia convidar as críticas de que estava fora de contato com a escala da tragédia humana se desenrolando em Louisiana. Freqüentemente parecia totalmente fora do contexto do que pode ser o pior desastre natural que a nação já sofreu.

Na tarde de quinta-feira, com Nova Orleans em um estado de quase anarquia e dezenas de milhares de pessoas implorando ajuda, o presidente falou diante das câmeras no Escritório Oval de sua "empatia" e garantias de "que compreende totalmente os esforços de alívio" e que "o governo federal teve um papel importante".

Mais cedo, em uma entrevista com a ABC, ele disse que ninguém esperava que os diques em Nova Orleans rompessem, quando de fato engenheiros, membros do Congresso e outras autoridades vinham alertando do risco há anos.

"Katrina roubou suas prioridades e talvez sua imagem de líder --a não ser que consiga se superar nos próximos dias", disse James A. Thurber, diretor do Centro de Estudos Presidenciais e do Congresso na Universidade Americana em Washington. "Certamente, sua reação inicial não foi tão rápida e compassiva quanto muitas pessoas gostariam."

Para impedir que o desastre e sua resposta pesem em sua presidência, Bush terá que aproveitar a situação para aprimorar o sistema de segurança interna e rapidamente desenvolver um programa amplo e persuasivo para reconstruir a costa, disse Newt Gingrich, ex-presidente da Câmara.

"Como teste do sistema de segurança interna, isso foi um fracasso", disse Gingrich. "É importante o presidente dizer que isso é inaceitável --e ele já disse. Esse não é um momento para defender inadequação. É um momento para responder muito agressivamente ao sofrimento humano e estabelecer uma visão de uma costa do Golfo mais segura e próspera." Presidente costuma se superar após péssimos desempenhos iniciais Deborah Weinberg

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