UOL Notícias Internacional
 

04/09/2005

Evacuação aumenta com Guarda em patrulha e oferecendo ajuda

The New York Times
Robert D. McFadden
Em meio a sinais de progresso na luta contra a devastação do furacão Katrina, o presidente Bush disse no sábado que ordenou a ida de mais 7 mil soldados para Nova Orleans e Estados da Costa do Golfo, para combater a ausência de lei e evacuar milhares de refugiados.

Horas depois de sancionar o pacote de ajuda de US$ 10,5 bilhões para a região atingida, o considerando apenas a primeira parcela da ajuda que será destinada, o presidente reconheceu novamente que seu governo falhou em ajudar prontamente muitas das vítimas mais desesperadas do furacão e prometeu ressuscitar esta cidade e as áreas costeiras devastadas de vários Estados.

"A magnitude da resposta à crise em uma área de desastre maior do que o tamanho da Grã-Bretanha criou problemas tremendos que sobrecarregaram as capacidades locais e estaduais", disse ele no sábado, exagerando ligeiramente a área atingida em uma transmissão de rádio diante de câmeras de televisão no Jardim das Rosas da Casa Branca. "O resultado é que muitos de nossos cidadãos simplesmente não estão recebendo a ajuda que necessitam, especialmente em Nova Orleans. E isto é inaceitável."

A admissão das falhas foi outro reconhecimento notável por parte do presidente, que fez uma declaração semelhante em sua visita a Nova Orleans e Mississippi, na sexta-feira, e que está sob fortes críticas de ambos os partidos políticos pela forma como lidou com a crise, e que pareceu estar lutando para compensar, especialmente aos atingidos pela crise.

"Eu sei que aqueles de vocês que foram atingidos duramente pelo Katrina estão sofrendo", declarou o presidente. "Muitos estão furiosos e desesperados por ajuda. As tarefas diante de nós são enormes, mas o coração da América também é. Na América, nós não abandonamos nossos compatriotas em nossa hora de necessidade. E o governo federal fará sua parte."

Centenas de soldados recém-chegados da Guarda Nacional patrulhavam as ruas sem lei de Nova Orleans no sábado, iniciando a tarefa de retirar o controle dos bandidos e saqueadores e restaurar a ordem em uma cidade que praticamente se rendem à morte e desordem.

A distribuição das tropas, a chegada de grandes comboios de suprimentos desesperadamente necessários, a aceleração da evacuação de dezenas de milhares de pessoas dos centros de refugiados e hospitais e o progresso no fechamento de algumas das brechas nas barragens trouxeram alguns lampejos de esperança para a cidade inundada e devastada.

Mas as autoridades alertaram que Nova Orleans enfrentará uma longa e difícil escalada para sair da crise.

O general de divisão Don T. Riley, diretor de obras civis do Corpo de Engenheiros do Exército, disse que começaram os trabalhos para drenar a água dos canais. Foram marcadas gradações nas paredes da barragem. "Nós precisamos bombear o canal para que possamos chegar às estações de bombeamento", disse Riley. Ele disse que as equipes tiveram que secar os geradores e bombas nas estações para usá-los para ajudar a secar a cidade.

Não se sabe quantos homens da Guarda Nacional estão na cidade. Mas nas ruas onde tiroteios, brigas, estupros, assaltos, roubos de carros e bandos de saqueadores tomavam conta ao longo da semana, a mera visão de tropas em traje camuflado de combate e armadas com rifles de assalto deu uma sensação de alívio para muitos dos milhares de sobreviventes ilhados, que suportaram dias de terror e sofrimento.

"Eles trouxeram um senso de ordem e paz, e foi bom ver que estamos começando a melhorar", disse a governadora da Louisiana, Kathleen Babineaux Blanco. "Nós estamos vendo uma demonstração de força. Ela está devolvendo a confiança aos corações e mentes de nossa população. Nós vamos superar isto."

Seis dias depois do furacão ter dizimado a Costa do Golfo em uma mistura de ventos uivantes e elevação dos mares que enfraqueceu e então rompeu as barragens protetoras da cidade, Nova Orleans ainda era uma cidade de pesadelo que suportou o impensável: 80% de sua área inundada, talvez milhares de mortos e um número incontável de residências e empresas destruídas pela água, incêndios, saqueadores e pessoas em busca de artigos para sobrevivência.

Ao amanhecer de sábado, enquanto um brilhante sol alaranjado se erguia sobre o Mississippi, duas imensas colunas de fumaça se erguiam sobre a cidade enquanto dois incêndios prosseguiam sem serem combatidos, um aparentemente no local de uma explosão que destruiu um depósito de gás propano, na sexta-feira. Os bombeiros foram impedidos pela baixa pressão da água e pela dificuldade de contornar a cidade inundada. As ruas do centro de Nova Orleans estavam praticamente desertas. Os soldados patrulhavam do lado de fora da Prefeitura, de todos os prédios federais, nos centros de refugiados e nos cruzamentos chaves, e havia apenas vislumbres ocasionais dos marginais que dominaram as ruas impunemente por dias.

Ocorreram poucos relatos de violência, disse Michael D. Brown, diretor da Agência Federal de Administração de Emergência. "Alguns destes garotos acham que isto é um jogo", disse ele. "Eles de alguma forma botaram as mãos em armas. Eles acham que estão jogando Pacman ou algo assim e ficam atirando nas pessoas. Estes tipos de incidentes continuarão, mas posso dizer que eles aprenderão rapidamente que a 82ª Aerotransportada não gosta de receber tiros. Isto não é um jogo."

Aqui e ali, pequenos grupos de pessoas empurravam carrinhos de compras, sacolas plásticas ou malas contendo seus pertences remanescentes.

A ausência da desordem disseminada foi apenas um dos sinais positivos. Além da chegada de centenas de membros da Guarda Nacional, que coincidiu com a visita e o mea culpa de Bush na sexta-feira, havia outros sinais de esperança.

Comboios de caminhões carregando comida, água e outros suprimentos de ajuda humanitária chegaram à cidade e foram recebidos com vivas e suspiros de alívio por alguns dos refugiados esgotados e traumatizados. Outros, como Michael Levy, 46 anos, um dos refugiados no centro de convenções, estavam amargos. "Eles deviam ter chegado aqui dias atrás", disse ele enquanto outros gritavam concordando com ele.

Após dias de atraso e promessas não cumpridas, a meta de evacuação da cidade destruída também parecia mais do que apenas conversa. Caravanas de ônibus, que para milhares representavam o livramento do perigo, fome e da miséria, finalmente estavam chegando, e mais milhares, incluindo 100 ônibus de Nova York, acompanhados por policiais de Nova York, estavam a caminho.

Setenta dos ônibus de Nova York partiram no sábado e 30 outros partiriam no domingo, para um viagem de 20 horas e 2.100 quilômetros sem parada até Nova Orleans. Cada ônibus conta com dois motoristas e um policial, e mais de 100 outros policiais estavam se preparando para viajar em seus próprios carros. O comboio, incluindo um guincho e um ônibus de comunicação, levavam 11 mil garrafas de água e outros suprimentos.

"Irmãos americanos precisavam de ajuda e eles responderam na melhor tradição do Departamento de Polícia", disse o comissário de Nova York, Raymond Kelly, sobre os policiais, que foram autorizados pelo governo a levar armas e exercer plenos poderes policiais na Louisiana.

As evacuações do hospitais Tulane University e Charity foram concluídas, disseram as autoridades. A evacuação do estádio Superdome, que se tornou um abrigo fétido de último recurso para 25 mil pessoas, estava quase concluída ao amanhecer.

No sábado, a maioria dos refugiados tinha sido levada para o Astrodome, em Houston, a 560 quilômetros de distância. Mas um problema inexplicado suspendeu os ônibus restando ainda 2 mil pessoas no Superdome, e ainda não havia previsão de quando seriam retiradas.

Ainda havia várias milhares de pessoas esperando em outros pontos da cidade, incluindo 25 mil no Centro de Convenções de Nova Orleans, onde o calor, a sujeira e o mal cheiro eram imensos. Mas as tropas entraram e expulsaram os marginais que aterrorizaram muitos dos refugiados, e comida, água e outros suprimentos estavam chegando até aqueles que desesperadamente precisavam deles.

Patrick Rhode, vice-diretor da Agência Federal de Administração de Emergência, disse para a CNN no sábado que um progresso significativo foi conseguido no centro de convenções, e que 95% dos refugiados no Superdome já tinham sido evacuados. Ele disse que a ajuda também chegou ao Mississippi e outras áreas atingidas ao longo da Costa do Golfo.

Em uma coletiva de imprensa no fim da noite, na capital do Estado em Baton Rouge, a governadora disse que enviou uma listas de necessidade para Bush em uma carta, incluindo a volta da 256ª Brigada de Combate, unidade baseada na Louisiana, do Iraque, onde sua missão foi concluída.

A governadora também pediu à Casa Branca para abrir uma nova base militar em Baton Rouge, complementando outra em Pineville, Louisiana, e para manter um mínimo de 40 mil soldados ali.

Ela também pediu por 200 caminhões militares para transporte de comida, água e outros suprimentos, jipes Humvee e outros veículos, assim como equipamento aéreo e de solo para combate a incêndios.

"Eu acho que dobramos a esquina hoje", disse a governadora, claramente em um tom mais otimista.

O coronel Jeff Smith, um oficial aposentado do Exército que é vice-diretor do escritório de segurança interna e administração de emergência da Louisiana, disse que 5 mil membros da Guarda Nacional da Louisiana estavam em serviço e que mais de 3.400 outros soldados de várias partes do país se juntariam a eles em breve.

Mas Terry Ebbert, o coronel marine aposentado que é diretor de segurança interna de Nova Orleans, com autoridade sobre a polícia, corpo de bombeiros e outros serviços de emergência, disseram que havia apenas cerca de 1.000 homens da Guarda Nacional na cidade na manhã de sábado.

Ebbert disse que a cidade esperava a chegada de mais 2 mil até o final do dia, mas que isto era bem aquém dos 10 mil soldados requisitados pela cidade. Outras autoridades disseram que parece que a cidade não receberá mais que 3 mil membros da Guarda Nacional e nenhum soldado regular.

O Corpo de Engenheiros disse que as equipes conseguiram controlar a brecha na barragem do canal da Rua 17, por onde grande parte das águas invadiu a cidade, e disse que esperam fechar uma segunda brecha em outro canal no fim de semana.

Mas o general de brigada Robert Crear disse que poderá levar meses para remover a água que inundou a cidade. "Nós estamos calculando entre 36 a 80 dias para que isto seja feito", disse ele. George El Khouri Andolfato

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