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08/09/2005

Sobrevivendo ao pior dos tempos

The New York Times
Eve Tahmincioglu
Se você visitar o NewOrleansProducts.com e encomendar um cartaz do Mardi Gras, passará pelo processo normal de compra, mas talvez tenha que esperar um pouco pela entrega.

Jose Suescun, que dirige a empresa de um único funcionário em Metairie, Lousiana, coletando as encomendas de produtos de New Orleans e enviando-os a partir de sua casa, foi forçado a fugir do Furacão Katrina em seu Hummer e nem imagina o que aconteceu com seu velho bairro. Pelo que conseguiu descobrir ouvindo as notícias, tudo foi inundado.

"Todo meu negócio desceu pelo ralo", disse Suescun pelo telefone celular na semana passada, de Houston, onde encontrou abrigo temporário. "Você não pode comprar nada em Nova Orleans porque Nova Orleans acabou. Não me preparei para isso e não trouxe nada comigo, nem meu laptop. Não achava que ia perder tudo em um dia."

Suescun também é proprietário da Mambito Records, que distribui gravações dos músicos de Nova Orleans. As vendas combinadas das duas empresas davam em torno de US$ 500 mil (aproximadamente R$ 1,2 milhão) por ano, valor que foi reduzido, ao menos por enquanto, para zero.

Contraste seu destino com o de McGlinchey Stafford, uma firma de advocacia em Nova Orleans. Os funcionários foram forçados a abandonar sua sede um dia antes da tempestade. No entanto, diferentemente de Suescun, seus sócios tinham se programado. A maior parte dos 88 advogados e 173 funcionários foram para o escritório da firma em Baton Rouge. Os outros se dispersaram para escritórios satélites em outras cidades, como Houston e Jackson, Missouri. A maior parte dos advogados voltou a trabalhar imediatamente em seus laptops, de acordo com Rudy Aguilar, sócio que dirige o escritório de Baton Rouge.

"Estamos nos concentrando na segurança e moradia de nosso pessoal e procurando manter nossos escritórios operacionais para os advogados", disse Aguilar.

Ele disse que a empresa está funcionando a pleno vapor e já está fazendo preparos para reabilitar sua sede. "Acreditamos que nosso escritório de Nova Orleans não foi danificado e ainda não foi pilhado", disse Aguilar. Assim que a água descer, a firma vai recuperar seus arquivos, disse ele.

Para o dano psicológico causado pela catástrofe, McGlinchey Stafford também está organizando sessões de aconselhamento para os que pedirem. "Nosso pessoal de Nova Orleans saiu com a expectativa de que retornaria à cidade, limparia tudo e voltaria à vida normal", disse Aguilar. "Eles saíram sem nada. Isso é um custo terrível e um peso tremendo para todas essas famílias."

Essa é a história da Costa do Golfo. De acordo com Michael Lampton, porta-voz da divisão de assistência ao desastre da Small Business Administration (SBA), que cobre 15 Estados a oeste do Mississippi, inclusive Louisiana, quase 14.000 empresas ligaram para o escritório na semana passada pedindo empréstimos para cobrir despesas de restauração e interrupção dos ganhos. "É de cortar o coração", disse Lampton. "Venho fazendo isso há 13 anos, e essa de longe foi a situação mais difícil. E estamos apenas começando."

Os escritórios da SBA em Nova Orleans e Gulfport, Missouri, sumiram. "Pelo que sabemos, a filial de Gulfport se foi, e não sabemos o que aconteceu com a de Nova Orleans", disse Mike Stampler, porta-voz da SBA em Washington, que disse que não tinha idéia de quando reabririam.

Segundo os especialistas, um fator crucial para as empresas enfrentarem os desastres é ter um plano de contingência. Carol Blake formulou o seu há um ano e meio. O plano de sua empresa de acessórios para pisos, Access Floor Systems.com, Inc, em Covington, Louisiana, a 50 km ao norte de Nova Orleans, entrou em funcionamento antes da tempestade chegar.

Seguindo o plano, Blake abriu um escritório em Asheville, Carolina do Norte, e começou a passar grande parte de seu tempo lá. Quando chegou o Katrina, não só os arquivos da empresa estavam seguros em Asheville, mas a filial tornou-se o novo depósito da empresa.

Além disso, Blake conseguiu fazer com que todas as ligações para o escritório fechado fossem repassadas para sua filial em Asheville. Ela pôde manter os sites da Web da empresa funcionando mudando-os de uma firma de Nova Orleans para outra nacional.

Ainda seguindo o plano, o presidente da firma está lidando com as vendas e administração em Houston e o contador em Golden, Colorado.

É claro que nenhum plano cobre todas as exigências. O vice-presidente de operações ficou para trás, para tentar vencer a tempestade, mas acabou pedindo permissão para pegar gasolina do depósito da empresa, encher o tanque e fugir.

Para os proprietários das pequenas empresas da região que estão em estado de choque, Stampler da SBA deu alguns conselhos. "A primeira coisa é que tomem conta deles mesmos; a segunda é que comecem a pensar o que vai ser preciso para tornar suas empresas operacionais e desenvolvam um plano para cumprir isso", disse ele.

Quando tiverem isso, disse ele, as pessoas devem inquirir sobre empréstimos da SBA e ficar alertas para fundos que podem estar disponíveis nas próximas semanas e meses. Quando a poeira assentar, os proprietários de pequenas empresas devem procurar informações sobre empréstimos da SBA em centros de recuperação de desastre que estão sendo montados pela região, disse ele. Ele também sugeriu checar o site www.sba.gov para detalhes do que está disponível. (Membros da SBA disseram que era cedo demais para avaliar danos ou saber quais quantias viriam do governo federal.)

Stampler também disse para as pessoas não se desesperarem. Para muitas empresas aniquiladas pelo furacão, parece impossível -mas recuperações acontecem, como podem atestar proprietários de empresas pulverizadas pelos ataques de 11 de setembro.

Considere Peter Lupassakis. Sua empresa de zoneamento de construções P. Wolfe Consultants Inc. estava no 22º andar do World Trade Center. "Perdemos tudo, até nossos arquivos reserva", disse ele sobre sua empresa, que empregava 15 pessoas na época. Todos deixaram o prédio em segurança. Três dias depois, ele embarcou em uma estratégia para reconstruir a firma, com um empréstimo da SBA de US$ 350 mil (em torno de R$ 840 mil) e US$ 125 mil (cerca de R$ 300 mil) de um fundo de recuperação do governo. Hoje, ele tem 12 funcionários e está quase atingindo as vendas anteriores a 11 de setembro, de US$ 1 milhão (em torno de R$ 2,4 milhões). "Não queríamos desistir. Queríamos ficar em Nova York e fazer o que sempre fizemos", disse ele.

Susescun de NewOrleansProducts.com espera ter a tenacidade de Lupassakis.

Ele conseguiu voltar para sua casa em Metairie no domingo (04/9), e o que viu foi pouco encorajador. Todo o equipamento do escritório, inclusive seu computador, estava debaixo d'água. Ele conseguiu salvar alguns documentos, inclusive seu passaporte e livro de cheques, mas a maior parte dos arquivos foi destruída.

Mesmo assim, ele não está se entregando ao desespero. "Sei que vou conseguir novamente vencer em Nova Orleans, assumindo que abrirá para negócios novamente em breve", disse Suescun por telefone na terça-feira. "Não vou cair como um lutador de boxe. Vou levantar de novo." Deborah Weinberg

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