UOL Notícias Internacional
 

10/09/2005

Bush afasta chefe do socorro a vítimas do Katrina

The New York Times
Richard W. Stevenson e Anne E. Kornblut*

Em Washington
Sob intensa pressão para melhorar sua resposta ao furacão Katrina, o governo Bush afastou abruptamente na quinta-feira (8/9) o chefe da Agência Federal de Administração de Emergência (FEMA), Michael Brown, da supervisão do esforço de ajuda pós-tempestade, e o substituiu pelo vice-almirante Thad W. Allen da Guarda Costeira.

Brown, que foi saudado pelo presidente Bush na semana passada por ter feito um "trabalho tremendo" na resposta ao desastre, foi destituído de suas funções após dias de pressão sobre a Casa Branca, por legisladores de ambos os partidos, para afastá-lo por má atuação. A medida também ocorreu horas depois da publicação de um artigo no site da revista "Time", dizendo que Brown exagerou seu currículo, ter provocado uma nova série de questionamentos sobre suas qualificações.

Allen, um oficial de carreira da Guarda Costeira que ajudou a administrar a resposta de emergência aos ataques de 11 de setembro em Nova York, foi nomeado na segunda-feira como vice especial de Brown para resposta ao furacão. Em seu novo papel, ele será o que Michael Chertoff, o secretário de Segurança Interna, descreveu como "a principal autoridade federal na supervisão da resposta ao furacão Katrina e do esforço de recuperação em campo".

A medida ocorreu enquanto todo o governo federal continua enfrentando amplos e persistentes problemas em seus esforços para fornecer ajuda aos refugiados e iniciar a limpeza o mais rápido possível. Centenas de milhares de refugiados, a salvo de risco imediato, enfrentaram uma segunda onda de frustração devido à demora prolongada para encontrar assistência e navegar pelo labirinto de programas federais e locais.

Em Houston, as autoridades locais reclamaram que o sistema de computador da FEMA continuava travando. Em Ocean Springs, Mississippi, as autoridades começaram a rejeitar pessoas de um centro de recuperação do desastre, dirigido pela FEMA, três horas antes do fechamento sob a alegação de estarem sobrecarregados.

"Há tanto caos e disfunção ocorrendo no governo federal que Dallas não pode esperar mais pela ajuda federal", disse a prefeita da cidade, Laura Miller.

Chertoff, falando em uma coletiva de imprensa em Baton Rouge com Brown corajosamente, mesmo que desconfortavelmente, ao seu lado, retratou a mudança como sendo sua decisão e motivada pelo início de uma nova fase da recuperação. Brown, ele disse, "fez tudo o que podia para coordenar a resposta federal a este desafio sem precedente", e manterá seu cargo como diretor da agência.

Mas a medida deixou pouca dúvida de que Bush, que geralmente odeia recorrer a demissões públicas de membros do governo, queria uma mudança na liderança enquanto busca apagar a impressão predominante de que seu governo fracassou em responder rapidamente e agressivamente a uma crise de proporções imensas.

Scott McClellan, o porta-voz da Casa Branca, disse que Bush apoiou a decisão. A Casa Branca disse na sexta-feira que Bush viajará ao Mississippi e Louisiana no domingo e segunda-feira, sua terceira viagem à região desde a tempestade.

Em Washington na sexta-feira, Bush citou o quarto aniversário dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, no domingo, descrevendo o heroísmo da polícia, bombeiros e outros responsáveis pela resposta inicial a outros desastres, como o furacão Katrina.

"Nestes dias difíceis, nós vimos novamente a grande força, caráter e determinação da América", disse Bush em uma cerimônia no gramado sul da Casa Branca, em homenagem aos responsáveis pela resposta inicial que morreram em 11 de setembro. "E nós continuaremos trabalhando para ajudar as pessoas em dificuldades."

Um alto funcionário do governo, que falou apenas sob a condição de anonimato, disse que Chertoff, cujo departamento inclui a FEMA, disse ao presidente na quarta-feira que estava pensando em afastar Brown e substituí-lo por Allen. O funcionário disse que Chertoff informou Andrew H. Card Jr., o chefe de gabinete da Casa Branca, na noite de quinta-feira, que tinha decidido fazer a mudança e que Card então informou o presidente.

Um republicano com laços estreitos com a Casa Branca, também falando sob a condição de anonimato pelo mesmo motivo, disse que Bush deixou claro que queria a mudança, um visão que foi reforçada pela viagem de averiguação dos fatos do vice-presidente Dick Cheney, ao Mississippi e à Louisiana, na quinta-feira. Cheney, disse o republicano, voltou com um relatório de progresso com críticas ao trabalho de Brown.

Allen disse aos repórteres em Baton Rouge que ele foi informado de seu novo papel por Chertoff às 10 horas da manhã. Ele disse que as operações de busca e resgate continuam sendo a prioridade, mas que empregará mais tempo em como iniciar a reconstituição das comunidades dizimadas e dispersadas pela tempestade.

A FEMA disse que Brown não responderia ao pedido de entrevista. Mas ele disse à agência de notícias "The Associated Press": "Eu vou voltar para casa, levar meu cachorro para passear e abraçar minha esposa, e talvez fazer uma boa refeição mexicana, beber uma margarita e ter uma boa noite de sono. E então eu vou voltar à FEMA e continuar fazendo tudo o que puder para ajudar estas vítimas".

As operações de ajuda humanitária da FEMA estão sob forte crítica há mais de uma semana, suportando grande parte do impacto da culpa por deixar milhares de pessoas ilhadas em Nova Orleans sem comida, água, segurança ou ajuda médica.

Alguns críticos disseram que a agência foi eviscerada pelo governo Bush, jogada dentro do Departamento de Segurança Interna e abandonada para definhar. Outros críticos culparam o governo Bush por ter promovido Brown, que foi trazido para o governo por Joe Allbaugh, um amigo de longa data que foi diretor da campanha de 2000 de Bush, e conduzido ao comando da FEMA com pouca qualificação.

Os problemas levaram a uma considerável frustração na sexta-feira, à medida que refugiados e autoridades locais e estaduais lutavam para lidar com eles.

No Mississippi, algumas vítimas da tempestade disseram que telefonaram para o número de assistência a desastre da FEMA, mas foram orientados a checar a Internet ou aguardar pelo serviço postal, que não está em operação.

"Eu não posso imaginar as pessoas na Louisiana descendo de um telhado, encontrando um telefone e sendo orientadas a entrar na Internet", disse uma professora de 41 anos de Ocean Springs, que se recusou a dar seu nome.

Em Houston, o prefeito Bill White buscou especialistas locais para montar caminhões com satélite com as especificações da FEMA para ampliar a capacidade da agência de operar seus computadores na área. Os representantes da FEMA disseram que apreciaram a oferta e garantiram às autoridades de Houston que os custos associados à assistência seriam reembolsados pelo governo federal.

Miller, a prefeita de Dallas, disse que a cidade formará seu próprio fundo de ajuda humanitária para ajudar a financiar a transferência dos 1.500 refugiados dos abrigos no centro para apartamentos, ao longo dos próximos 10 dias.

"Onde está a FEMA?" disse ela. "Nós continuamos sendo informados que a ajuda está chegando, e até agora não recebemos ajuda. Então nós faremos o que governo não pode. Nós pegaremos as 1.500 pessoas que estão dormindo em macas e colchões infláveis e as transferiremos para apartamentos com camas, móveis, lençóis e toalhas."

Em Washington, os legisladores continuavam debatendo novas medidas de reconstrução por conta própria. Após uma reunião no Capitólio, na sexta-feira, com líderes religiosos, legisladores negros e defensores de direitos civis, o senador Edward M. Kennedy, democrata de Massachusetts, pediu por uma entidade ao estilo da Autoridade do Vale do Tennessee para supervisionar a reconstrução da Costa do Golfo --um empreendimento que ele disse que custará US$ 150 bilhões.

Kennedy disse que tal comissão poderia assegurar um papel no plano de desenvolvimento a todos aqueles com interesse na recuperação, um "que todos aprovem e que seja aberto e transparente e no qual toda a América confie. Eu acho que isto é o que é necessário, é o que está sendo pedido, e nisto é que estou trabalhando juntamente com os líderes no Senado dos Estados Unidos".

*Colaboraram Carl Hulse com reportagem em Washington; Ralph Blumenthal, Michael Luo, Campbell Robertson e Motoko Rich em Baton Rouge, Louisiana; Michael Cooper em Gulfport, Mississippi; e Bill Dawson em Houston. Trabalho de Michael Brown na FEMA é alvo de crítica generalizada George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,48
    3,144
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,53
    75.604,34
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host