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11/09/2005

Ao volante do Audi 3 2006

The New York Times
Michelle Krebs
Ela nunca esteve na lista de sete palavrões de George Carlin, mas os executivos da indústria automobilística americana relutam em dizer a palavra "hatchback" com uma voz mais forte que um sussurro.

The New York Times 
O A3 tem um estilo cheio de arte, e não é como os hatchbacks antigos que pareciam sedãs

Os americanos tendem a considerar esses carros -- com suas portas traseiras abrindo para o céu, em vez dos porta-malas convencionais -- pequenos, baratos e indesejáveis. Quando os fabricantes ofereceram hatchbacks, eles muitas vezes foram posicionados como modelos inferiores da linha.

Os esforços para dar ao humilde hatchback uma posição mais elevada geralmente falharam, incluindo tentativas de fabricantes de carros de luxo. Nem o BMW 318ti nem o Mercedes-Benz C230 Sport Coupe encontraram público, e não são mais importados. A General Motors transformou o Saab 9-3 em um sedã.

Uma exceção notável é o Mini Cooper ressuscitado, um enorme sucesso. Mas é claro que a BMW promoveu enfaticamente o Mini como um carro pequeno com características de luxo, mal admitindo seu estilo de carroceria.
Sem dúvida a aceitação do Mini pelos americanos impressionou a Audi enquanto se preparava para importar seu próprio hatchback de luxo da Alemanha. O A3 foi desenvolvido para competir com o Mercedes B-Class e o BMW Series 1, carros antes destinados aos EUA mas cujo futuro no país é incerto.

Por isso o A3 2006 é o canário alemão na mina de carvão. Será que sua praticidade, seus toques refinados e o tamanho sensato vão conquistar os americanos, especialmente se os altos preços da gasolina fizerem os compradores de carros procurar pacotes mais eficientes?

Há motivos para se apostar no sucesso. O A3 tem duas portas a mais que o BMW 318ti e o Mercedes C230 Coupe, por isso é mais conveniente para transportar pessoas e carga.

E ele tem um estilo cheio de arte, ao contrário dos hatchbacks antigos que pareciam sedãs com o porta-malas amputado. Esportivo e com cara de caro, ele definitivamente fez cabeças virarem durante meu test drive de uma semana.

O A3 de quatro portas foi desenhado separadente do A3 de duas portas que foi vendido na Europa (e não irá para os EUA). O quatro portas foi esticado e alargado, de modo que o volume interno é quase igual ao dos sedãs A4. Pessoas de tamanho médio não deverão encontrar motivos para se queixar do banco traseiro, pelo menos em trajetos curtos.

Enquanto o espaço para bagagem atrás do banco traseiro é alto e estreito, medindo 0,55 m³, cria-se um espaço para carga de 1,57 m³ quando o banco traseiro em duas partes é dobrado.

O interior me lembrou o do mais caro Audi TT Sport Coupe. A cabine é limpa, classuda e desobstruída, com toques de alumínio.

Mais importante, o A3 dá a sensação de um Audi, apesar de ter o mesmo chassis que o novo Volkswagen Golf vendido na Europa (mas não nos EUA).
O único motor atualmente oferecido -- um 4 cilindros em linha com injeção direta turbo -- é o mesmo do A4. Esse motor cresceu de 1.8 litro para 2; é classificado em 200 cavalos e 28,6 quilos-metro de torque.
O motor parece apimentado num carro tão pequeno. A revista "Car and Driver" registrou aceleração de 0 a 96 km/h em impressionantes 6,5 segundos.

Meu carro de teste era equipado com um divertido câmbio de 6 marchas, embora esteja disponível o Direct Shift Gearbox do Audi, um automático que pode ser trocado manualmente por controles atrás do volante. O câmbio empresta tecnologia das corridas para fazer mudanças mais rápidas e precisas.

Com os preços da gasolina superando US$ 0,79 por litro, o A3 oferece o melhor de dois mundos. Seu desempenho ágil se equipara ao de carros esportivos, mas sua economia de combustível é respeitável, com um índice federal de 13 km/litro na estrada e 10,5 na cidade.

O A3 agora vem somente com tração dianteira. Mas mesmo sem o excelente sistema quattro da Audi o carro é uma delícia na estrada. Cerca de 30 cm mais curto que o A4 sport sedã, o A3 é ainda mais ágil. Mas o percurso, refinado e confortável, não é sacrificado em nome da boa condução. O volante é leve e direto. O tamanho relativamente pequeno torna fácil estacionar o carro na cidade.

Mais de uma vez, enquanto eu testava o A3, ele me lembrou de uma longa e agradável viagem que fiz no TT sport coupe, mais caro.

As expectativas de vendas são pequenas -- somente 10 mil por ano na América do Norte. Suspeito que o A3 vai se sair melhor, especialmente se os preços da gasolina continuarem altos. Mas em todo caso ele pode atrair os jovens e ricos clientes que os fabricantes desejam conquistar.
Eu tenho apenas dois problemas com o A3. Primeiro, a credibilidade da Audi tem estado abaixo da média, classificando-se em 31º entre 37 marcas de carros em uma recente pesquisa J.D. Power. (Mas ficou entre os 10 primeiros em outra pesquisa J.D. Power sobre a qualidade inicial de carros novos.)

Segundo, enquanto o A3 começa com um preço razoável (US$ 25.460, que inclui muitos adicionais), as opções podem levá-lo a mais de US$ 30 mil. Em dezembro será vendida uma versão V-6 de 3.2 litros e tração "quattro" nas quatro rodas. O preço desse carro, totalmente equipado, poderá chegar a US$ 40 mil, alto para esse modelo.

Por mais promissor que seja o A3, a Audi não consegue chamá-lo de hatchback; em vez disso, o batizou de "sport wagon". Mas talvez a companhia tenha um faro para rebatizar as coisas. Afinal, ela ajudou a popularizar outro estilo de carroceria que tinha um nome feio. Nas mãos da Audi, o espaçoso "station wagon" tornou-se o sexy "Avant". Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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