UOL Notícias Internacional
 

14/09/2005

Bush assume a responsabilidade pela resposta federal ao desastre do Katrina

The New York Times
Elisabeth Bumiller e Richard W. Stevenson

Em Washington
O presidente Bush disse nesta terça-feira (13/09) que assume a responsabilidade por quaisquer fracassos do governo federal em sua resposta ao furacão Katrina, e sugeriu não saber ao certo se o país está adequadamente preparado para outra tempestade catastrófica ou ataque terrorista. "O Katrina expôs sérios problemas em nossa capacidade de resposta em todos os níveis de governo, e como o governo federal não fez plena e corretamente seu trabalho, eu assumo a responsabilidade", disse Bush em uma aparição na Sala Leste juntamente com o presidente do Iraque, Jalal Talabani. "Eu quero saber o que deu certo e o que deu errado."

Michael Stravato/The New York Times 
Ainda é alto o nº de sobreviventes em abrigos provisórios, como o Astrodome em Houston

Em resposta à pergunta de um repórter sobre se os americanos, após o furacão, devem se preocupar com a capacidade do governo em responder a outro desastre ou ataque terrorista, Bush disse: "Eu quero saber como melhor cooperar com o governo estadual e local, como ser capaz de responder a esta pergunta que você fez. Somos capazes de lidar com um ataque severo ou outra tempestade severa? Esta é uma pergunta muito importante".

Durante seus quase cinco anos de governo, Bush tem resistido a reconhecer publicamente erros ou falhas, e sua disposição neste caso de apresentar uma declaração se responsabilizando, apesar de condicional, serviu como evidência de quão abalada foi sua presidência com a repercussão política pela forma como o governo lidou com a tempestade.

Ela também preparou o caminho para um esforço por parte da Casa Branca de transferir o foco dos esforços de resgate e ajuda urgentes --e das perguntas sobre o que saiu errado- para a elaboração da visão de como o governo federal poderá ajudar a reconstruir as comunidades devastadas e restabelecer a imagem arranhada de Bush como líder.

A Casa Branca anunciou que Bush discursará para o país na noite de quinta-feira (15), na Louisiana, durante a quarta viagem do presidente à região desde a passagem do furacão e seu primeiro grande discurso sobre o desastre.

Na sexta-feira, que ele decretou como dia nacional de oração e memória, ele planeja falar na Catedral Nacional de Washington pela manhã, e T.D. Jakes, um televangelista afro-americano conservador, deverá fazer o sermão com a presença de alguns refugiados de Nova Orleans na platéia.

Mesmo enquanto Bush viajava para Nova York na tarde de terça-feira para dar início a uma rodada de reuniões com outros líderes mundiais reunidos na ONU, funcionários da Casa Branca pesavam as propostas políticas e trabalhavam em esboços do discurso que Bush fará no início da noite de quinta-feira.

Funcionários do governo, falando sob a condição de anonimato para discutir propostas sobre as quais ainda não foi tomada uma decisão, disseram que Bush provavelmente assumirá um amplo compromisso de reconstrução de Nova Orleans e da Costa do Golfo, com um foco em particular em moradias.

A tempestade tem dominado tanto a atenção da Casa Branca e de Washington que os comentários de Bush sobre o furacão ofuscaram sua coletiva de imprensa com Talabani, que em um dia normal seria um evento importante sobre um conflito que passou a definir sua presidência.

Na coletiva de imprensa, Bush alertou a Síria de que ela ficará "mais e mais isolada" caso não impeça a entrada de combatentes estrangeiros no Iraque e revele se tem uma presença de inteligência ou alguma outra presença no Líbano.

Enquanto prepara um plano para a resposta ao estragos, Bush está enfrentando a probabilidade do restante de sua agenda ser obrigado a ser colocado de lado até o próximo ano.

Um aliado republicano de Bush que foi informado sobre o modo de pensar do governo, disse que a esperança da Casa Branca para o restante deste ano é lidar com o furacão e conseguir a confirmação do juiz John G. Roberts Jr. na Suprema Corte, assim como a de um segundo candidato, ainda não selecionado.

No próximo ano, disse o aliado, Bush retomará questões como reforma do código tributário e leis de imigração.

Após os protestos diante das cenas de vítimas pobres, negras do furacão sofrendo e morrendo em Nova Orleans, funcionários da Casa Branca continuavam tentando obter apoio na terça-feira entre os simpatizantes afro-americanos conservadores do presidente, que não se manifestaram em apoio a Bush.

A Casa Branca convidou pastores negros e líderes de organizações de caridade para uma reunião com o presidente aqui, na sexta-feira. Mas o bispo Charles E. Blake da West Angeles Church of God in Christ em Los Angeles, um importante simpatizante afro-americano de Bush, disse nesta semana que recusou o convite por estar ocupado demais.

"É um vôo de quatro horas, uma passagem de US$ 2 mil e tenho grandes responsabilidades aqui", disse Blake em uma entrevista por telefone. Ao ser perguntado se a resposta do governo ao furacão mudou a forma como se sentia a respeito de Bush, Blake respondeu: "Eu não posso dizer a esta altura. Eu estou deixando a questão aberta até que possa entender a dinâmica envolvida e os atrasos que ocorreram".

Os simpatizantes afro-americanos de Bush também alertaram que o governo terá que assegurar que os negros receberão uma parcela justa dos contratos de reconstrução de Nova Orleans ou ele correrá um risco ainda maior de enfurecer um eleitorado tradicionalmente democrata, que os republicanos têm cortejado visando à eleição presidencial de 2008.

Ao dizer que assumia a responsabilidade por algumas das falhas na resposta federal à tempestade, Bush não chegou a reconhecer que ele ou alguém cometeu erros.

Ele resistiu no passado aos esforços para extrair dele comentários sobre erros de julgamento e arrependimentos. Em uma coletiva de imprensa em abril de 2004, foi perguntado a ele qual teria sido seu maior erro, e ele respondeu que tinha certeza que tinha cometido alguns, mas que era incapaz, naquele momento, de dizer quais foram.

Ao ser perguntado novamente sobre erros durante um de seus debates no ano passado com o senador John Kerry, Bush reconheceu ter tomado algumas decisões pessoais ruins, apesar de ter evitado ser específico. Em seus comentários na Sala Leste na terça-feira, Bush fez distinção entre criticar a forma como o governo respondeu e a forma como indivíduos responderam ao furacão.

O presidente disse que após ter estado no Golfo do México três vezes, "eu não vou defender o processo, mas vou defender as pessoas que estavam na linha de frente, salvando vidas", disse Bush. "Aqueles garotos da Guarda Costeira retirando pessoas da inundação fizeram um trabalho heróico. Os primeiros a responder no local, seja pessoal estadual ou local, fizeram tudo o que podiam." Admissão indica que o governo reconhece estar seriamente abalado George El Khouri Andolfato

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