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14/09/2005

Uma selva amazônica mais saudável

The New York Times
Editorial
No mês passado, as autoridades ambientais do Brasil anunciaram que as queimadas na Amazônia diminuíram. O desflorestamento este ano é a metade do que foi no ano anterior. Essas notícias mostram que quando o governo brasileiro reúne vontade política para proteger a Amazônia, pode fazê-lo.

Grandes áreas da selva continuam desaparecendo, principalmente incendiadas por agricultores de soja e criadores de gado em busca de terra. No ano passado houve o pior desflorestamento da Amazônia em uma década. A saúde da Amazônia é uma preocupação global porque a floresta absorve gases do efeito estufa, o que diminui o aquecimento global. O desmatamento significa que a Amazônia poderia eventualmente tornar-se pequena demais para produzir a chuva de que necessita para sobreviver.

O desflorestamento também é fatal para milhões de agricultores amazônicos que tentam ganhar a vida cultivando pequenas áreas de terra ou coletando produtos silvestres. Invasores de terra se apossam de propriedades valiosas perto de estradas que serão asfaltadas, queimando aldeias para expulsar os moradores. Centenas de líderes que tentaram defender os agricultores foram assassinados, e virtualmente nenhum dos assassinos foi preso.

Infelizmente, parte do motivo pelo qual agricultores e pecuaristas derrubaram menos floresta este ano é que os preços da soja e da carne caíram e a moeda brasileira está mais forte. Por isso as exportações são menos rentáveis.

Mas a dedicação do governo em proteger a Amazônia também foi importante. Liderado por Marina Silva, a ministra do Meio Ambiente que já foi uma pobre coletora de borracha na Amazônia, o Brasil começa a impor sua autoridade em áreas da floresta onde nunca houve lei. No estado do Pará, em fevereiro, pistoleiros mataram Dorothy Stang, uma missionária americana que trabalhava com os agricultores pobres há 30 anos. Depois do assassinato, o governo enviou 2 mil tropas federais para a região e anunciou a proibição da extração de madeira em milhões de hectares do território amazônico.

O governo também começou a aplicar suas leis. Está começando a exigir documentação real em alegações de propriedade de terra. Em junho a polícia prendeu dezenas de membros de um bando de desmatadores ilegais.

Finalmente, por novos sistemas de imagens por satélite, as autoridades brasileiras podem localizar as queimadas enquanto estão ocorrendo, e teoricamente fazer detenções. O regime da lei ainda é estranho na Amazônia. Mas está se tornando um pouco menos. Brasil começa a impor autoridade em áreas onde nunca houve lei Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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