UOL Notícias Internacional
 

15/09/2005

Pesquisa mostra que apoio a Bush em questões específicas continua caindo

The New York Times
Todd S. Purdum e Marjorie Connelly

Em Washington
Um verão de más notícias do Iraque, preços altos de gasolina, desconforto econômico e agora a devastação do furacão Katrina levou a uma baixa nos índices de aprovação do presidente Bush. A aprovação do público por seu desempenho geral e pela forma como lida com o Iraque, política externa e economia atingiu os níveis mais baixos de sua presidência, ou quase, de acordo com a mais recente pesquisa do New York Times/CBS News.

Pela primeira vez, apenas metade dos americanos aprovou a forma como Bush vem lidando com o terrorismo, que foi sua força mais consistente desde que atingiu 90% de aprovação, depois dos ataques de 11 de setembro. Mais do que seis em cada 10 entrevistados agora dizem não compartilhar de suas prioridades para o país, 10 pontos percentuais a menos do que antes de sua reeleição no outono. Quase a metade dos entrevistados disseram que o presidente tem fortes qualidades de liderança, nível similar à maré baixa do início de sua presidência, no verão de 2001.

Nunca, desde os ataques ao World Trade Center e ao Pentágono, tantos americanos declararam não confiar que o governo federal faria a coisa certa. A pesquisa também revelou uma profunda divisão racial: enquanto a metade de todos entrevistados desaprova a forma como Bush lidou com o Katrina, quase três quartos dos negros o fazem. (Bush levou apenas 10% dos votos dos negros no ano passado.)

O furacão por si só não parece ter prejudicado a aprovação geral de Bush, que continua basicamente parada no mesmo nível desde o início do verão. Os resultados, porém, sugerem que a lenta resposta federal ao Katrina aumentou as dúvidas do público quanto à eficácia do governo Bush. Hoje, 56% dos americanos dizem estar menos confiantes na capacidade do governo de responder a um ataque terrorista ou desastre natural.

No total, os números sugerem que um público que há muito considerava Bush um líder determinado, concordando ou não com ele, agora tem dúvidas sobre a eficácia de seu governo para lidar com problemas importantes. Mais de seis em cada 10 disseram que tinham dúvidas quanto a sua capacidade de fazer as decisões corretas na guerra do Iraque, e metade expressou desconforto similar sobre sua capacidade de lidar com os problemas das vítimas do Katrina.

O apoio a Bush continuou forte entre republicanos, conservadores, cristãos evangélicos e os que votaram nele no último outono. O número de pessoas que acredita que o país está "seriamente" no caminho errado -63%- foi quase o dobro do número dos que disseram que estava na direção certa. O resultado se iguala ao pior nível da presidência de Bush, durante um período de más notícias do ano passado.

No total, 41% dos entrevistados aprovaram o desempenho de Bush no cargo, enquanto 53% desaprovaram. Esses números se comparam aos de outras pesquisas nacionais conduzidas na última semana, basicamente iguais aos piores índices que Bush jamais teve, comparáveis com Ronald Reagan e os piores índices de Bill Clinton, mas muito acima do pior índice obtido pelo pai do presidente, Jimmy Carter e Richard M. Nixon.

A pesquisa do Times/CBS News foi conduzida entre sexta-feira (09/9) e terça-feira (13/9) com 1.167 adultos, inclusive 877 brancos e 211 negros. A margem de erro foi de mais ou menos três pontos percentuais para todos entrevistados e brancos e de 7 pontos percentuais para negros. A pesquisa terminou antes de Bush dizer na terça-feira que aceitava a responsabilidade pelas falhas na resposta federal pelo furacão.

Dan Bartlett, assessor de Bush e estrategista de comunicações, disse que a Casa Branca não estava especialmente surpresa com os resultados da pesquisa.

"Obviamente, como dissemos, o forte aumento no preço da gasolina e a ansiedade com a guerra refletem-se na pesquisa. Além disso, tivemos uma cobertura contínua do que foi descrito como uma grande incapacidade do governo em todos os níveis. Não deve ser surpresa que isso se reflita nos números das pesquisas sobre o presidente, particularmente na questão do terrorismo", disse Bartlett, acrescentando: "O presidente vai continuar a se concentrar em suas responsabilidades, não só como presidente, mas como comandante, ou seja, garantindo que todo o possível seja feito para ajudar as pessoas atingidas pelo Katrina, assim como conduzindo a guerra contra o terrorismo de forma agressiva."

Apesar de 70% dos entrevistados dizerem que a Agência de Gerenciamento Federal de Emergência foi lenta demais na resposta ao furacão, 53% disseram que a agência agora estava fazendo todo o que se poderia esperar dela.

O mesmo não foi verdade para o governo Bush propriamente dito; 68% disseram que não tinha desenvolvido um plano claro para encontrar moradias e empregos para as pessoas que ficaram sem teto. Bush deve falar à nação de Nova Orleans, na noite de quinta-feira, para elaborar a resposta do governo ao desastre.

Antes da chegada do Katrina, as pesquisas mostravam que os preços crescentes do petróleo estavam se tornando cada vez mais preocupantes para a maioria dos americanos. O furacão apenas piorou essa preocupação. Quase metade do público disse que a economia estava se deteriorando, o pior número em quatro anos. Mais da metade dos entrevistados, 56%, acreditam que a economia sofrerá com o furacão, e quase três quartos antecipam impostos vão aumentar pela mesma razão.

A pesquisa também apontou para claras diferenças entre negros e brancos em relação a Bush e ao governo, que não eram necessariamente relacionadas ao Katrina, mas foram expostas pela tempestade. Enquanto dois terços dos americanos disseram que Bush se preocupa de alguma forma com as pessoas que ficaram sem teto, menos de um terço dos negros concordaram. Dois terços dos negros disseram que a raça foi um importante fator na lentidão da resposta do governo ao alagamento em Nova Orleans, enquanto um número quase idêntico de brancos disse que não.

Bush em baixa

Vítimas da tempestade tiveram que esperar uma semana para que a ajuda chegasse, disse Allison McKinney, 33, dona de casa e ex-professora em Fort Bragg, Carolina do Norte. "Não acho que isso aconteceria em nenhuma outra cidade, porque Nova Orleans é uma cidade pobre." McKinney, que é negra, foi criada em Nova Orleans. "Foi preciso o Katrina para as pessoas entenderem que a cidade tem um grande impacto sobre o país. Acho triste precisar da devastação total de uma cidade para chegar a essa compreensão."

Mas Juanita Harrington, 78, funcionária aposentada Verizon e defensora de Bush em Larkspur, Colorado, disse que os críticos do presidente "concentram tudo nele, como se fosse um mágico que pudesse sacudir uma varinha mágica e mudar as coisas". Ela acrescentou: "As pessoas que estavam lá tampouco cuidaram das coisas. Estou falando do prefeito de Nova Orleans, estou falando da governadora, estou falando daquela louca senadora de Louisiana --ela era uma idiota. Ele pode não ter tido sucesso total, mas ninguém também teve."

A pesquisa sugeriu a existência de efeitos cumulativos de meses de más noticias da insurgência no Iraque. Exatamente 50% dos americanos aprovaram a forma como Bush lidou com o terrorismo, por exemplo. Esse é o pior número desde que a questão foi incluída na pesquisa, há quatro a nos. No entanto, é apenas ligeiramente pior do que no início do verão. Mesmo assim, é 11 pontos pior do que em fevereiro, logo depois da primeira rodada de eleições no Iraque.

Os dados também sugerem que o apoio residual que vinha sustentando Bush nos quatro anos desde os ataques 11 de setembro pode ter chegado ao limite, por enquanto. Apesar de muitos, 53%, ainda dizerem que ele tem fortes qualidades de liderança, o número é 9 pontos percentuais menor do que quando foi re-eleito e essencialmente igual a sua baixa do verão de 2001, quando sua presidência parecia parada antes dos ataques.

Ao mesmo tempo, 45% dos americanos agora dizem que Bush não tem fortes qualidades de liderança, seis pontos percentuais a mais do que em outubro último e a mais alta percentagem desde que a pesquisa da Times/CBS começou a fazer a pergunta, durante a campanha inicial de Bush, em 1999.

Essas impressões gerais agora se estendem pelas análises de como Bush administra questões específicas. A forma como lidou com a política externa teve 38% de aprovação; com a economia, 35%; e com a situação no Iraque, 36%. Todos esses estão no mesmo nível de suas baixas de todos os tempos.

Parte do pessimismo parecia claramente alimentada pela alta da gasolina. Quase dois terços dos entrevistados disseram que tinham cortado os gastos domésticos como resultado dos preços mais altos, e oito em cada 10 disseram que o governo Bush não tinha planos de manter os preços baixos, apesar de mais de 60% dizerem que o preço da gasolina era uma questão que o presidente poderia ter grande atuação.

A maior parte do público estava disposta a pagar mais impostos para prestar assistência às vítimas do furacão; cerca de quatro em cada 10 disseram que estariam dispostos a pagar até US$ 200 (cerca de R$ 500) a mais por ano para ajudar a recuperar as regiões afetadas pelo Katrina. Por comparação, houve pouco entusiasmo para a proposta de Bush: mais de seis em cada 10 disseram que reconstruir New Orleans era mais importante do que mudar a previdência social, e mais de sete em cada 10 disseram que era mais importante que cortar impostos.

*Colaboraram Megan Thee e Fred Backus. Katrina acentuou a queda de popularidade do presidente dos EUA Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host