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16/09/2005

Homens têm mais parceiros sexuais do que as mulheres, revela pesquisa

The New York Times
Tamar Lewin

Em Nova York
O Centro Nacional de Estatísticas da Saúde divulgou nesta quinta-feira (15/09) a mais completa pesquisa de práticas sexuais e reprodutivas americanas, mergulhando pela primeira vez em questões delicadas como o sexo oral entre adolescentes e a atividade sexual entre adultos do mesmo sexo.

O sexo oral entre adolescentes nos últimos anos tornou-se um tópico de especulações e poucos dados confiáveis, a não ser por um estudo do Instituto Urbano, de 1995, entre rapazes. As novas estatísticas confirmaram a conclusão do estudo, de que o sexo oral faz parte do repertório sexual adolescente.

De acordo com a pesquisa, mais da metade de todos adolescentes entre 15 e 19 anos já fizeram sexo oral --inclusive quase um quarto dos que nunca tiveram uma relação sexual.

Entre as descobertas do novo estudo, chamado "Comportamento Sexual e Medidas de Saúde Específicas", estavam:

  • Homens entre 30 e 44 anos de idade tiveram, em média, de seis a oito parceiras em sua vida; a média das mulheres é de quatro parceiros.

  • Entre homens e mulheres de 15 a 44 anos de idade, cerca de dois terços tiveram apenas um único parceiro sexual no último ano. Dez por cento dos homens e 7% das mulheres tiveram três ou mais parceiros na mesma época.

  • Cerca de 4% dos homens e mulheres se descreveram como homossexuais ou bissexuais. Em um resultado que surpreendeu os pesquisadores, 14% das mulheres entre 18 e 29 anos informaram ter tido ao menos uma experiência sexual com outra mulher, mais do que o dobro da proporção de jovens rapazes que falaram de experiência similar.

    O relatório oferece novas informações sobre a homossexualidade nos EUA.

    Quase 3% dos homens e 4% das mulheres entre 15 e 44 anos de idade disseram ter tido experiência sexual com um membro do mesmo sexo no último ano. Em suas vidas, 6% dos homens e 11% das mulheres tiveram tais experiências. Cerca de 1% dos homens e 3% das mulheres tiveram parceiros sexuais dos dois sexos nos últimos 12 meses.

    Quase 6% dos homens entre 15 e 44 anos informaram ter feito sexo oral com outro homem alguma vez em suas vidas, e quase 4% disseram ter feito sexo anal com outro homem.

    Os dados vêm da Pesquisa Nacional de Crescimento da Família, de 2002, que entrevistou 12.571 homens e mulheres entre 15 e 44 anos. O Instituto de Pesquisa Social da Universidade de Michigan treinou mais de 200 entrevistadoras para coletar os dados. Os entrevistados respondiam às perguntas delicadas em um laptop, sem revelar as respostas às entrevistadoras.

    Apesar do centro Nacional de Estatísticas da Saúde há 32 anos conduzir periodicamente essa pesquisa entre mulheres, a versão de 2002 foi a primeira a incluir os dois sexos. Também foi a primeira vez que a pesquisa foi além da fertilidade e gravidez para incluir questões mais amplas de comportamento e orientação sexuais.

    As descobertas do sexo oral entre adolescentes foram de especial interesse aos especialistas da saúde. "Depois de anos de manchetes provocadoras e histórias baseadas em anedotas, finalmente temos dados sólidos. As notícias provavelmente não são tão ruins quanto os adultos imaginavam, mas talvez não sejam tão boas quanto os pais desejavam", disse Sarah Brown, diretora da Campanha Nacional para Impedir a Gravidez Adolescente.

    A proporção de adolescentes que deram ou receberam sexo oral foi ligeiramente superior do que a dos que tiveram relação sexual, concluiu a pesquisa; 55% dos meninos e 54% das meninas deram ou receberam sexo oral, enquanto 49% dos meninos e 53% das meninas tiveram relação sexual.

    "Uma coisa que me surpreendeu é que esperávamos, com base nas histórias, que as meninas fossem mais propensas a dar sexo oral e os meninos a receber, mas não encontramos isso de forma alguma", disse Jennifer Manlove, do Child Trends que, como o grupo de Brown, divulgou uma análise dos dados. "Há mais igualdade entre os sexos do que esperávamos".

    Sexo entre mulheres

    Os dados do governo não fornecem indicações da idade da primeira experiência sexual, nem tampouco qual a freqüência ou quantos parceiros os adolescentes tiveram. Mas a pesquisa concluiu que quase todos os adolescentes que tiveram sexo também fizeram sexo oral: entre os adolescentes experientes, 88% dos meninos e 83% das meninas fizeram sexo oral.

    "Uma proporção muito significativa de adolescentes teve experiência com o sexo oral, mesmo sem ter relação sexual e considerando-se virgens", disse Manlove. "Não temos certeza se esses adolescentes que não tiveram relação sexual estão fazendo sexo oral porque consideram a prática como uma forma de manter sua virgindade técnica ou porque vêem nela uma estratégia melhor para o controle de natalidade."

    Muitas das conclusões do relatório equipararam-se às do último estudo de grande escala sobre o comportamento sexual americano, um estudo de 1992, com pessoas entre 18 e 59 anos, desenvolvido pelo Centro de Pesquisas de Opinião Nacional da Universidade de Chicago.

    Ainda assim, o principal autor do novo estudo disse que encontrou um aumento inesperado na atividade lésbica entre jovens. Talvez isso não seja uma surpresa entre as universitárias, que têm movimentos de lesbianismo até a graduação.

    "Há sinais de mudança entre mulheres de 15 a 29 anos, grupo jovem demais para ter participado do estudo de 1992", disse William Mosher, principal autor.

    Quando perguntadas se já haviam tido experiência sexual de qualquer tipo com outra mulher, 14% das mulheres entre 18 a 29 anos disseram que sim, mas menos de 10% da faixa de 30 a 44 anos. Essa diferença foi surpreendente, disse ele, pois os mais velhos tendem a ter mais experiências.

    O estudo também perguntou sobre a atração e orientação sexual. Dos homens de 18 a 44 anos, 90% disseram que se consideravam heterossexuais, 2% homossexuais, 2% bissexuais e 4% "outra coisa", resultados similares aos do estudo de 1992.

    Entre as mulheres, 86% disseram sentir atração apenas por homens e 10% disseram que "em geral" eram atraídas por homens. Na pesquisa de 1992, esse número foi de apenas 3%. Americanos divulgam relatório sobre o comportamento sexual Deborah Weinberg
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