UOL Notícias Internacional
 

17/09/2005

Telefone celular terá filmes pornográficos online

The New York Times
Matt Richtel e Michel Marriott

Em Nova York
O celular, que já toca música, envia e recebe e-mail e tira fotos, adicionará em breve uma oferta mais quente: pornografia.

Com o advento das redes avançadas de celular que transmitem vídeos a partir da Internet --e os mais recentes telefones contendo telas grandes e com cores vibrantes-- a indústria pornográfica está de olho no celular, como o videocassete antes dele, como um mercado lucrativo.

Nos últimos meses, a perspectiva gerou um grupo de empreendedores nos Estados Unidos que espera seguir os passos de seus pares na Europa, onde os consumidores já gastam dezenas de milhões de dólares por ano em pornografia baseada em celular.

As maiores operadoras de celular americanas até o momento têm se recusado veementemente a vender pornografia a partir dos mesmos menus de conteúdo pelos quais vendem ring tones e videogames. Mas há sinais de que poderão abrandar sua posição. O maior grupo setorial da indústria de telefonia celular está elaborando um sistema de classificação para conteúdo móvel --semelhante ao existente para filmes e videogames-- sinalizando que o conteúdo dos telefones, também, ficará a critério do espectador.

Roger Entner, um analista do setor de telefonia móvel para a Ovum, uma firma de pesquisa de mercado, disse que o surgimento de sistemas de classificação de conteúdo, somado ao uso mais fácil da Internet nos telefones, tornará inevitável a presença de pornografia baseada em celular.

"Ele apresenta todos os componentes que provarão ser propícios ao consumo de entretenimento adulto -privacidade, fácil acesso e, acima de tudo, mobilidade", disse ele.

Para as operadoras, é uma proposta delicada. A oferta de pornografia provocaria uma tempestade em torno de indecência e possível pressão de reguladores ou do Congresso. Mas a concessão do campo para terceiros, capazes de atingir os consumidores por meio de browsers de Internet nos telefones, deixaria milhões de dólares na mesa.

No momento, as vendas de pornografia em telefones celulares neste país são virtualmente nulas. Mas o comércio em celulares está em ascensão, com a expectativa das vendas apenas de ring tones atingirem US$ 453 milhões neste ano, segundo o Yankee Group, uma firma de pesquisa, que estima que até 2009 as vendas de pornografia para telefones chegarão a US$ 196 milhões.

Mas a probabilidade de um maior acesso à pornografia pelo telefone tem mobilizado grupos de defesa da criança. Neste mês, a Coalizão Nacional para Proteção da Criança e Família, um grupo sem fins lucrativos que busca promover a "moralidade bíblica", se reuniu com líderes do setor de telefonia móvel para expressar sua preocupação com a possibilidade dos telefones poderem fornecer a menores acesso fácil a material impróprio.

"A Internet nos pegou desprevenidos", disse Jack Samad, um vice-presidente sênior do grupo, se referindo à lenta reação dos grupos de defesa da criança à pornografia online. "Nós estamos tentando nos manter à frente da curva" em relação aos celulares, ele disse, pressionando as operadoras a darem aos pais a capacidade de bloquear o acesso.

A Comissão Federal de Comunicações tem suas próprias preocupações, disse David Fiske, um porta-voz. "A comissão leva muito a sério a questão de material impróprio chegar a celulares nas mãos de crianças", disse ele.

Fiske se recusou a comentar quais medidas a comissão poderia tomar. Mas as mãos da agência estão, até certo ponto, atadas já que as operadoras de celular, como outras empresas de telecomunicações, não são responsáveis pelo que os clientes visitam na Internet. Mas as operadoras poderiam ser responsabilizadas, disseram especialistas, se participarem da venda de pornografia a menores.

No passado, a pornografia ajudou a promover a popularidade de novas tecnologias, incluindo o videocassete, a televisão a cabo e a própria Internet, é uma fonte de receita para muitas grandes empresas de mídia, incluindo gigantes do cabo como Time Warner e Comcast, que possuem canais pay-per-view de pornografia.

Por ora, o vídeo baseado em Internet disponível para muitos celulares é rudimentar. As imagens demoram para carregar e aparecem granuladas, e o vídeo é freqüentemente interrompido pela oscilação do sinal do celular.

Mas isto não tem impedido muitos no ramo de pornografia. Harvey Kaplan, diretor de operações móveis da xobile.com em Charlotte, Carolina do Norte, que vende videoclipes de sexo explícito para download para dispositivos móveis, disse acreditar que a sede por conteúdo relacionado a sexo promoverá a popularidade dos telefones com capacidade de Internet.

"As pessoas não vão sair para comprar um celular com capacidade de vídeo para que possam assistir a um trailer de um filme da Disney", disse ele.

A Xobile começou a operar em abril, e Kaplan disse que todo mês adiciona 6 mil clientes, que pagam por volta de 44 centavos para assistirem videoclipes de dois minutos. Para usar o serviço, um cliente se registra e digita o número do cartão de crédito no site da empresa a partir de um computador ou telefone móvel. O clipe pode ser assistido imediatamente como streaming video ou pode ser feito o download para que seja assistido depois.

Outra nova empresa, a ohmobile.com, que começou a operar em maio, oferece imagens pornográficas e planeja adicionar vídeo no próximo mês. A empresa é comandada por Jason Edwards, que opera há seis anos sites pornográficos na Internet por meio de uma empresa matriz, a Global Internet Holdings, com sede em Carson City, Nevada.

"Conteúdo adulto para celular é onde o conteúdo adulto para Internet estava há 10 anos", disse Edwards. Ele se recusou a dizer quantas pessoas assinam seu serviço, que geralmente cobra US$ 1,95 por uma imagem e planeja cobrar em torno de US$ 4 por um videoclipe.

Kaplan, da Xobile, disse que o crescimento da pornografia baseada em Internet para celulares permitirá que grandes operadoras se beneficiem por meio da cobrança do fluxo de dados quando seus clientes fizeram um download não patrocinado por elas.

"Quando você permite às pessoas acesso à Internet por telefone, as empresas de telecomunicação ganham direito a um dos meus termos legais favoritos: negação plausível", disse ele.

Os maiores fornecedores de pornografia também estão querendo se envolver. "Nós esperamos ser um dos líderes deste mercado", disse Steven Hirsch, fundador e presidente da Vivid Entertainment, a maior produtora de filmes de sexo explícito, adicionando que o conteúdo online poderá ser responsável por até a 30% dos US$ 100 milhões de receita anual da empresa.

Hirsch disse que é apenas questão de tempo até as operadoras resolverem o que chamou de obstáculo fundamental: a verificação da idade. Na Inglaterra, por exemplo, a verificação da idade fica a cargo do ponto de venda do celular. O comprador fornece o comprovante de idade. Se os compradores tiverem a idade permitida, eles podem estipular que seus telefones terão acesso a material de sexo explícito.

As operadoras disseram que por ora não pretendem incluir conteúdo de sexo explícito em seus menus. Por exemplo, a Cingular Wireless disse que a empresa "não fornece conteúdo adulto para seus clientes". Mas a Cingular, a maior operadora de celular, também disse que não pode e nem impedirá as pessoas de obterem tal conteúdo diretamente da Internet.

John Walls, porta-voz da CTIA, o grupo setorial de telefonia móvel, disse que espera ter o sistema de classificação de conteúdo pronto até o início do próximo ano. Tal classificação, ele previu, incluirá uma categoria para maiores de 18 anos, o que permitirá que as operadoras se sintam mais à vontade para vender conteúdo voltado ao sexo --pelo menos da variedade leve.

"Se há uma demanda para um serviço ou produto, então, do ponto de vista puramente comercial, você precisa encontrar um meio de atender a demanda", disse ele. Perspectiva de grande lucro seduz operadoras de telefonia dos EUA George El Khouri Andolfato

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