UOL Notícias Internacional
 

19/09/2005

Para americanos, guerra no Iraque drena verbas necessárias a questões internas

The New York Times
Raymond Hernandez e Megan Thee*
Em Washington
Com o custo do furacão Katrina já na casa das dezenas de bilhões de dólares, mais de oito em cada dez norte-americanos estão muito ou moderadamente preocupados com a possibilidade de os US$ 5 bilhões que são gastos mensalmente com a guerra no Iraque estarem drenando dinheiro que poderia ser utilizado nos Estados Unidos, segundo revelou a mais recente pesquisa de opinião New York Times/CBS News.

A pesquisa também demonstrou que quase a metade dos norte-americanos diz que a guerra está distraindo o presidente Bush dos problemas domésticos, embora um número igual de indivíduos não se preocupe com tal possibilidade.

O apoio à guerra no Iraque alcançou o seu patamar mais baixo, segundo a pesquisa. Somente 44% dos entrevistados dizem agora que os Estados Unidos tomaram a decisão correta ao atacarem militarmente o Iraque, o menor índice desde que a questão foi abordada pela primeira vez nessa pesquisa há mais de dois anos.

Esses resultados ressaltam a dificuldade enfrentada por Bush, no momento em que ele pede à população que tenha paciência e determinação com relação à ação norte-americana no Iraque, especialmente em face de uma insurgência persistente, que na semana passada matou mais de 200 pessoas em um ataque coordenado a Bagdá.

Quando indagados sobre quanto tempo as tropas norte-americanas deveriam permanecer no Iraque, 52% dos entrevistados defenderam uma retirada imediata, mesmo que isto signifique abandonar o objetivo de Bush de restaurar a estabilidade naquele país.

Somente 42% disseram que as tropas devem permanecer pelo tempo que for necessário para completar a missão, um número que é 12 pontos percentuais inferior ao de um ano atrás, quando a pergunta foi feita pela primeira vez.

A pesquisa de âmbito nacional, por telefone, foi realizada entre os dias 9 e 13 de setembro, com 1.167 adultos, e possui uma margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Quase dois terços dos indivíduos entrevistados disseram que a guerra está causando um impacto em suas comunidades. Destes, 39% afirmaram que o impacto é negativo, e 19% disseram que é positivo. Aqui, especialmente, a pesquisa revelou uma nítida divisão segundo linhas raciais. Entre os negros, 58% disseram que a guerra está causando um impacto negativo, contra somente 36% no caso dos brancos.

A pesquisa revelou que o aumento do número de baixas está incomodando a população. Entre o total de entrevistados, 45% disseram que o número de baixas militares norte-americanas no Iraque está sendo maior do que o esperado.

A pesquisa também mostrou que, atualmente, quase 60% da população desaprovam a forma como Bush está administrando a situação no Iraque. E quase a metade dos entrevistados disse não estar orgulhosa quanto aquilo que os Estados Unidos estão fazendo em território iraquiano.

As divisões políticas, que sempre estiveram presentes no que se refere à questão da guerra, persistem. Entre os democratas, 71% disseram que os Estados Unidos deveriam se retirar do Iraque o mais rapidamente possível, enquanto 31% dos republicanos e 52% dos independentes têm a mesma opinião.

A pesquisa também sugeriu que existe uma relutância generalizada entre os norte-americanos em arcar com novos sacrifícios financeiros a fim de dar continuidade à guerra, especialmente após a destruição causada pelo furacão Katrina.

Segundo a pesquisa, 90% dos entrevistados, incluindo a maioria dos republicanos, afirmaram que desaprovariam a redução de investimentos em programas domésticos, como aqueles relativos à educação e à saúde, a fim de que o país continue pagando os custos da guerra.

"Nós já gastamos muito tempo e energia no Iraque", disse Jean Stubbs, 53, de Kentucky, que concordou em ser entrevistada após ser ouvida pela pesquisa, e que se identificou como sendo politicamente independente. "Precisamos sair de lá. Temos simplesmente tarefas demais a serem realizadas aqui na nossa casa. A prioridade neste momento é a população que foi atingida pelo Katrina".

Joshua Rose, 25, eleitor independente de Arcanum, Ohio, manifesta as mesmas preocupações. "Não sei o que ele vai fazer para lidar com a devastação causada pelo Katrina", afirmou, referindo-se a Bush. "De onde está vindo o dinheiro? Espero que ele reduza o nosso envolvimento no Iraque. E também espero que ele esteja preocupado conosco, aqui, nos Estados Unidos, neste momento".

De acordo com a pesquisa, os norte-americanos não vislumbram um final rápido para a guerra. Entre os entrevistados, 38% disseram acreditar que as tropas norte-americanas permanecerão no Iraque por um período de dois a cinco anos, e 28% afirmaram que essa permanência poderá ser ainda mais prolongada. Somente 26% disseram acreditar que as tropas se retirarão do Iraque nos próximos dois anos.

Metade dos entrevistados disse não acreditar que o Iraque algum dia se transformará em uma democracia estável, apesar de eventos marcantes, como as eleições nacionais e a recente conclusão da redação de um texto constitucional.

Por outro lado, 43% afirmaram que uma democracia estável será alcançada no Iraque, mas frisaram que isso demorará mais do que um ou dois anos. Somente 4% acreditam que tal consolidação democrática seja possível dentro dos próximos dois anos.

Apesar da ação militar no Iraque, quase a metade dos entrevistados acha que os Estados Unidos estão atualmente tão vulneráveis a ataques terroristas quanto estavam antes da guerra. Somente 38% acreditam que o país está mais seguro, e 23% acham que os Estados Unidos ficaram ainda mais vulneráveis aos ataques.

*Marina Stefan contribuiu de Nova York para esta matéria Danilo Fonseca

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