UOL Notícias Internacional
 

21/09/2005

Clube de strip devolve alegria para Nova Orleans

The New York Times
Rick Lyman

Em Nova Orleans
Há três semanas, Britni Carrubea escapou do furacão Katrina "com nada além das roupas no corpo". Agora, ela está de volta ao trabalho no único palco em atividade em Bourbon Street, sem as roupas no corpo.

Alguém tinha que fazê-lo. Os bons tempos não voltam sozinhos.

"Eu estou feliz por estar dançando de novo", disse Carrubea, 23 anos, vestindo apenas uma tanga, meias longas e um sorriso cansado. "Mas as pessoas não entendem que é um trabalho árduo. Quero dizer, mentalmente. Você sai daqui e ouve os comentários mais vulgares."

Ozier Muhammad/The New York Times 
Dançarina da casa noturna Deja Vu coleta doações para ajudar vítimas do furacão Katrina
Nova Orleans é famosa por muitas coisas. Há o jazz, certamente. Uma herança literária orgulhosa. E muitos pratos típicos que gerações de chefs creole e cajun legaram ao mundo.

Mas o slogan da cidade é "laissez les bons temps rouler", deixe os bons tempos rolarem. Então os poucos moradores que voltaram após o furacão, assim como o exército de empreiteiros, operários e pessoal de manutenção da lei que estão lutando para colocar em pé a cidade arruinada, estavam aguardando o momento em que festa recomeçaria.

A resposta foi às 18 horas de segunda-feira, quando o Déjà Vu, um dos quatro clubes na Bourbon Street dirigidos pelo império Hustler de Larry Flint, se tornou o primeiro clube de strip-tease a voltar a funcionar no Bairro Francês.

O couvert de US$ 10 foi deixado de lado. Todas as bebidas custavam US$ 3, à sua escolha, de Budweiser a Grey Goose, ou duas por US$ 5 (em vez de, digamos, US$ 7 por uma garrafa de cerveja nacional, em uma noite pré-furacão). Danças pessoais da garota de sua escolha (quatro estavam trabalhando nesta semana) custava apenas US$ 1, em vez dos US$ 10 habituais. E danças privadas na poltrona no andar de cima, na galeria escura do clube, estavam em oferta por US$ 10, não os habituais US$ 30.

O fornecimento irregular de energia elétrica fazia algumas ruas do Bairro Francês terem luz e outras não. Mas mesmo ao longo da Bourbon Street, onde a eletricidade foi normalizada, apenas um punhado dos luminosos espalhafatosos estavam acesos, a maioria deles do lado de fora de fachadas escuras e vazias.

Mas no Déjà Vu, as portas foram abertas e o som da música pulsante vazava para a rua escura, tomada pelo mau cheiro de esgoto e lixo apodrecendo.

"Assim que soubemos que o prefeito estava permitindo a volta de algumas pessoas à cidade, nós decidimos reabrir", disse Jon Olmstead, gerente geral de todos os quatro clubes Flynt na Bourbon Street. "Nosso plano é permanecermos funcionando toda noite de agora até, eu não sei, 5 horas da manhã, ou até alguém vir e nos dizer para fechar."

O fato do prefeito ter decidido na segunda-feira impedir o retorno dos moradores, até mesmo encorajando os poucos que voltaram a evacuarem novamente antes da possível chegada do furacão Rita, não foi exatamente bom para os negócios. Mas Olmstead disse que sempre soube que sua principal clientela nesta semana seriam os policiais, soldados e operários.

"Nós permaneceremos abertos enquanto pudermos", disse ele. "Mas também ficaremos de olho no Rita. Nós aprendemos a levar estes furacões a sério."

No salão, cerca de quatro dúzias de homens se amontoavam em cadeiras luxuosas aglutinadas em volta do palco que se projetava do bar. Em várias das pequenas mesas redondas na sala, baldes de plástico de gelo estavam cheios de garrafas de cerveja, e homens estendiam notas de dólar para convidar alguma das dançarinas a se aproximar.

"Eu costumava vir a Nova Orleans quando era mais jovem", disse Frank Sperry, 52 anos, um fornecedor de cimento da Flórida, enquanto tomava lentamente uma Coors Light e assistia um dançarina sacudir gloriosamente suas tatuagens. "Mas muitas destas pessoas mais jovens nunca estiveram aqui antes, então fico feliz por terem a chance de ver algo da antiga Nova Orleans."

Atrair público não foi problema, disse Brent Ardeneaux, o gerente do clube. "Tudo o que tivemos que fazer foi acender as luzes e pintar 'Aberto' nas tábuas de madeira que cobrem nossas janelas", disse ele. "A notícia se espalhou."

Em um palco secundário próximo da parede do fundo, com um poste cromado reluzente se erguendo até o teto, Carrubea projetava sua perna direita na direção de um homem sorridente com um boné John Deere, como se ela estivesse tentando coçar o nariz dela com os dedos do pé. Ele se reclinou para a frente, puxou a liga dela e prendeu uma nota de um dólar no local.

Carrubea disse que encontrou um local para se abrigar da tempestade em Lafayette, a duas horas a oeste da cidade. Mas na semana passada, ela decidiu voltar e conseguiu chegar apenas até seu antigo bairro, em Metairie, onde ficou ajudando a procurar cadáveres no último fim de semana. Então chegou a notícia de que o clube reabriria e que ela novamente tiraria suas botas e voltaria ao palco. Nova Orleans precisava dela.

"Eu fui parada no bloqueio da estrada quando estava entrando na cidade na segunda-feira", disse ela, abraçando um delicado colete de algodão enquanto descansava nos bastidores. "O prefeito ordenou que não fosse autorizada a entrada de ninguém, então tive que aguardar lá. Eles foram gentis a respeito. Finalmente, o pessoal do clube deu alguns telefonemas e vieram me pegar."

Agora todo dia as águas recuam um pouco e, à noite, mais algumas luzes da cidade voltam a acender.

"Pelo que sei, estas pessoas estão ajudando a trazer de volta a cidade que eu amo", disse Ardeneaux, o gerente do clube. "Então se posso ajudá-los a se divertirem, pelo menos por algumas poucas horas, isto é o mínimo que posso fazer." Casa noturna da Bourbon Street reabre as portas com preço popular George El Khouri Andolfato

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