UOL Notícias Internacional
 

21/09/2005

Tempestade Rita ganha força de furacão e ruma para a castigada Costa do Golfo

The New York Times
Timothy Williams e Jennifer Bayot

Em Baton Rouge, Louisiana
O furacão Rita ganhou força nesta terça-feira (20/09) ao tomar o caminho para o sul da Flórida, passando para o que os meteorologistas chamaram de "forte furacão categoria 2" após começar o dia como uma tempestade tropical. Investindo com ventos de 169 km/h, a tempestade de longo alcance atingiu a costa sul da Flórida e os Keys (um conjunto de ilhas) e passou a representar uma nova ameaça para a abatida região da Costa do Golfo.

Doug Mills/The New York Times 
Com as barragens ainda danificadas, Nova Orleans pode sofrer nova tragédia com o Rita

Em seu boletim das 20 horas, o Centro Nacional de Furacões em Miami disse que o centro do furacão estava a cerca de 105 quilômetros ao sul de Key West, Flórida, viajando na direção oeste a 19 km/h.

Espera-se que ele mantenha tal passo pelas próximas 24 horas, enquanto avança pelo sul do Golfo do México, em um trajeto que levaria a tempestade a entrar no continente no Texas, com potencial dos fortes ventos e chuva se estenderem ao leste, para a já castigada Louisiana.

Nesta noite, os ventos mais fortes da tempestade se estendiam a uma distância de 72 quilômetros de seu centro, e ventos com força de tempestade tropical --62 a 117 km/h-- se estendiam a 225 quilômetros. Nos Keys da Flórida, a maré subiu mais 1,2 a 1,8 metro, enquanto a inundação na costa sudeste da Flórida chegava de meio a um metro, segundo o centro de furacões.

Além de reclassificar a tempestade como um furacão categoria 2 no início do dia, o que significa que ele possui ventos sustentados de 154 a 177 km/h, o centro disse que "é previsto que ele ganhe força durante as próximas 24 horas".

Os meteorologistas de lá disseram que a tempestade poderá atingir uma intensidade de categoria 4 --com ventos sustentados de 210 a 250 km/h-- na tarde desta quarta-feira. Na Flórida, a aproximação do furacão Rita provocou evacuação de Key West e outras cidades costeiras.

No final da tarde de terça-feira, o olho do Rita passou a cerca de 80 quilômetros ao sul de Key West, inundando ruas, casas e praias por grande parte dos Keys, mas não provocando o grau de estragos que muitos temiam. À noite, a chuva tinha abrandado e a cidade estava sendo castigada por ventos constantes de 80 km/h. A energia elétrica caiu na área das Lower Keys. Alguns poucos bares e restaurantes permaneceram abertos e atraíram uma clientela inquieta.

"Não foi pedido que fechássemos e não fecharemos até que o façam", disse Michael Pastore, um barman do Don's Place, um bar de Key West que abriu as portas às 7 horas da manhã.

Lower e Middle Keys ficaram isoladas do restante da Flórida durante grande parte do dia, após a Rota 1 ter sido fechada por causa de alagamento. Um trecho de 400 metros da estrada em Lower Matecumbe Key foi fechada porque ondas da tempestade a cobriram. Autoridades disseram que as estradas também foram cobertas de escombros, apesar de isto não ter impedido o trânsito de curiosos.

No final da tarde, cerca de 24 mil lares e negócios nos condados de Monroe, Miami-Dade, Broward e Palm Beach não tinham eletricidade --bem menos do que quando o furacão Katrina atingiu o Sul da Flórida em 26 de agosto, matando 11 pessoas.

As autoridades em Miami, que suspenderam as atividades com antecedência mas sofreram apenas chuvas fortes, ventos moderados e poucas inundações, disseram que as repartições públicas e escolas reabririam na quarta-feira.

O governador Jeb Bush disse que 2.400 soldados da Guarda Nacional foram mobilizados e outros 2 mil estavam em alerta caso a tempestade --a sétima grande a atingir a Flórida em 13 meses-- prove ser devastadora. Hospitais e asilos nos Keys, ansiosos para evitar os erros de Nova Orleans, evacuaram seus pacientes na segunda-feira.

À medida que avança para o perigosamente quente e amplo Golfo do México, espera-se que o furacão Rita não apenas ganhe força, mas se vire gradualmente na direção da costa do Texas, a atingindo na sexta-feira, segundo os meteorologistas.

No Texas, tanto Galveston quanto Houston correm risco, disse Colin McAdie, um meteorologista do centro de furacões. Ele disse que a tempestade poderá atingir intensidade categoria 4 --o mesmo nível extremamente poderoso do furacão Katrina quando atingiu o continente em 29 de agosto-- ao se aproximar do Texas. Ele disse que o oeste da Louisiana poderá sofrer o maior impacto da tempestade, dependendo das mudanças nas correntes.

"É melhor não determinar de forma muito precisa", disse McAdie. "Amanhã ou depois teremos uma idéia melhor."

No Texas e na Louisiana, os moradores acompanhavam cautelosamente o progresso da tempestade. A prefeita de Galveston, Lyda Ann Thomas, pediu por uma evacuação voluntária. Os meteorologistas disseram que mesmo se a tempestade não atingir Nova Orleans, as chuvas que a acompanham, mesmo se representarem apenas poucos centímetros, poderiam causar uma inundação significativa em uma cidade onde alguns bairros ainda não secaram e as barragens não foram plenamente reparadas.

Na Louisiana, a governadora Kathleen Babineaux Blanco pediu ao presidente Bush que declare estado de emergência no Estado enquanto ele se prepara para o furacão Rita.

Em sua carta, a governadora Blanco listou as áreas afetadas como sendo as zonas costeiras, incluindo Nova Orleans, Lake Charles e Lafayette, assim como o corredor da Interestadual 49, no centro do Estado, e o corredor da Interestadual 20, no norte, onde as paróquias estão recebendo refugiados. Ela pediu US$ 10 milhões em assistência.

Ela também pediu aos cidadãos que fiquem atentos à aproximação da tempestade e destacou a importância de remover as vítimas do furacão dos abrigos, executando os planos que seu gabinete anunciou no início do dia.

Na carta ao presidente, a governadora Blanco disse que as agências estaduais estavam abrindo abrigos especiais e colocando outros de prontidão. Ela disse que os recursos da FEMA no Estado, que estão respondendo ao Katrina, estavam ajudando nos preparativos para o Rita.

Antes da tempestade, as autoridades na Flórida disseram que o nível de precipitação poderá chegar a 20 centímetros em algumas das ilhas ou até 30 centímetros em partes de Cuba e dos Keys da Flórida. Os Keys e partes do condado de Miami-Dade na Flórida também estavam sob ordem de evacuação voluntária.

Os furacões tiram força de água quente na superfície, então não é incomum uma tempestade relativamente fraca do Atlântico se fortalecer enquanto cruza o Golfo mais quente, onde as temperaturas da água se mantiveram incomumente altas por todo o verão, disse Abby Sallenger, do Levantamento Geológico dos Estados Unidos. Isto aconteceu há três semanas, quando o furacão Katrina, uma tempestade categoria 1, atravessou o Sul da Flórida e ganhou força de categoria 5 no Golfo.

O Corpo de Engenheiros do Exército disse que está se preparando para uma segunda rodada de tempo ruim com a aproximação do Rita do Golfo do México, requisitando sacos de areia adicionais e redistribuindo bombas e outros equipamentos em preparação a uma possível resposta de emergência.

Quando o Rita se aproximou dos Keys da Flórida na segunda-feira, com ventos sustentados de cerca de 112 km/h, as autoridades de emergência ordenaram uma evacuação parcial até o condado de Broward, ao norte, apesar da não expectativa do interior sofrer o maior impacto da tempestade.

Cerca de 40 mil moradores de Lower Keys foram ordenados a evacuar, e o espírito normalmente despreocupado de Key West foi notadamente domado pelas imagens ainda frescas da devastação provocada pelo Katrina.

O Texas, que forneceu abrigo para as vítimas do furacão Katrina, estava em alerta.

A cidade-ilha de Galveston, que foi praticamente destruída 105 anos atrás em um furacão que matou 12 mil pessoas, ativou seu plano de administração de emergência. Segundo o plano de evacuação voluntária, aqueles sem carro embarcarão em 88 ônibus escolares para quatro abrigos da Cruz Vermelha em Huntsville, Texas. Cerca de 1.200 membros da Guarda Nacional do Texas foram convocados das operações de ajuda na Louisiana para retornarem a suas bases de origem.

Na terça-feira, a Guarda Nacional do Texas começou a retirar suas tropas da Louisiana em preparação à chegada da tempestade, disseram oficiais da Guarda Nacional da Louisiana. Cerca de 1.000 soldados da Guarda do Texas foram chamados, disse o tenente Michael Odie.

Ao longo da Interestadual 10, comboios de caminhões militares seguiam para o oeste, alguns exibindo cartazes escritos à mão com o nome "Katrina" riscado e o nome "Rita" ao lado das palavras "a caminho do Texas".

No Texas, o governador Rick Perry autorizou a convocação de 5 mil membros da Guarda e disse que cerca de 2 mil seriam mobilizados na quarta-feira, disse o Birô da Guarda. Algumas das unidades do Texas foram ordenadas a voltar da Louisiana, onde estavam auxiliando no esforço de recuperação do Katrina.

Na Louisiana, cerca de 26 mil soldados da Guarda Nacional que estavam colaborando nos esforços de recuperação do Katrina estão disponíveis para responder ao Rita. O Birô da Guarda disse que os preparativos estavam em andamento para a contratação de "200 ônibus adicionais em caso de necessidade de evacuação".

O general Brod Yeillon, da Guarda Nacional da Louisiana, disse que tropas adicionais serão convocadas dos Estados vizinhos caso o Rita se volte para a Louisiana, mas que a Guarda não agirá sem um alerta de chegada de 72 horas por parte do Serviço Nacional de Meteorologia. "Nós ainda não mobilizamos ninguém", disse o general Yeillon. "Nós estamos desenvolvendo planos."

Na Louisiana, a governadora Kathleen Babineaux Blanco disse que os moradores da costa, no sudoeste, devem se preparar para evacuar imediatamente.

"Mesmo se ele não atingir diretamente a costa da Louisiana, eu quero lembrar nossos cidadãos que nós estamos no lado leste do furacão", disse a governadora Blanco. "Nós ainda estamos em um local muito perigoso."

Mark Smith, porta-voz do Escritório de Segurança Interna e Emergência da Louisiana, disse que se o trajeto do furacão se aproximar de Nova Orleans, uma inundação devastadora poderá ocorrer. "Se ocorrer outro evento, nós tememos que as barragens que estão sendo reparadas não suportarão", disse Smith. Fenômeno deve ficar ainda mais forte nas águas quentes da região George El Khouri Andolfato

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