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22/09/2005

Texas se prepara ansiosamente para furacão Rita

The New York Times
Simon Romeroem Galveston e

Ralph Blumenthal em Houston*
O furacão Rita atingiu a classificação mais forte de tempestade nesta quarta-feira (21/09), enquanto avança na direção da costa do Texas, forçando a evacuação de até 1 milhão de pessoas da cidade-ilha de Galveston e de outras comunidades da Costa do Golfo ao longo de um trecho que se estende de Corpus Christi até Nova Orleans.

NOAA/The New York Times 
Imagem de satélite dá dimensão do furacão Rita, classificado no nível 5, o nível máximo

Atentas às lições do Katrina, as autoridades de Galveston ordenaram que todos os moradores deixassem a cidade imediatamente e tentaram evacuar os hospitais e asilos da cidade com ônibus, ambulâncias e helicópteros. O comércio e prédios públicos cobriram as janelas com compensados de madeira, e o Strand, o distrito comercial central, estava virtualmente vazio na tarde de quarta-feira.

"Os texanos da costa não devem esperar até a noite de quinta-feira ou manhã de sexta-feira para partir", disse o governador Rick Perry. "Lares e negócios podem ser reconstruídos. Vidas não."

Em pouco mais de 24 horas, o Rita ganhou força de tempestade categoria 5 após passar pelos Keys da Flórida e entrar nas águas quentes do Golfo do México. O Centro Nacional de Furacões disse que o Rita tinha ventos de 265 km/h, o colocando no nível mais elevado de medição.

O furacão Katrina atingiu rapidamente a força de categoria 5 ao se aproximar da Costa do Golfo, mas enfraqueceu um pouco antes de atingir a Louisiana e o Mississippi em 29 de agosto. O número de mortes provocadas por aquela tempestade ultrapassou a marca de 1.000 na quarta-feira.

Os meteorologistas disseram que o Rita passará por águas mais frias na quinta e sexta-feira, o que potencialmente o enfraquecerá para uma tempestade categoria 4 antes de atingir o continente no início da manhã de sábado, na área ao redor de Matagorda Bay, ao sul de Galveston. Ventos de 210 km/h devem ser esperados em partes do Texas, disse Bob Rose, um meteorologista da Autoridade do Baixo Rio Colorado, no Texas.

"Ele será um furacão bem ruim e terrível quando atingir o continente", disse Rose. A aproximação da tempestade provocou medo em Houston e ao longo de um amplo trecho da costa do Texas, onde uma usina nuclear e imensas refinarias petroquímicas representam riscos especiais. A Comissão Reguladora Nuclear anunciou que os operadores da usina nuclear, a South Texas Project em Bay City, a uns poucos quilômetros de Matagorda Bay, estavam trabalhando para desativar seus dois reatores.

As autoridades da Comissão de Qualidade Ambiental do Texas, disseram que operadores de usinas ao longo da costa estavam desativando seus processos industriais ou minimizando as operações como medida de precaução.

"Após o Katrina, as pessoas estão sendo mais vigilantes e mais conservadoras em sua abordagem", disse David Bower, o diretor assistente de operações de campo da agência ambiental.

A possibilidade da tempestade atingir qualquer ponto da costa do Texas elevou os preços do petróleo por preocupação de que ela poderá desativar refinarias ou romper oleodutos. As empresas evacuaram seus funcionários em pelo menos três refinarias na área ao redor de Houston, que contém a maior concentração de capacidade de refino. Os preços do petróleo subiram 60 centavos, ou 1%, fechando a US$ 66,80 o barril.

Antigos moradores de Houston lembraram dos estragos provocados pelo último furacão a atingir a cidade, o furacão Alicia, em agosto de 1983. Apesar de mal ter chegado a uma tempestade categoria 3, ele foi responsável por seis mortes e devastou os prédios do centro da cidade com ventos de 128 km/h, que despedaçaram centenas de janelas e deixaram as ruas cobertas de vidro até o tornozelo.

Por toda a quarta-feira, medidas de emergência foram implementadas às pressas e de forma abrangente em Houston e ao longo da costa. Escolas, universidades, museus e outras instituições públicas anunciaram a suspensão das atividades a partir de quinta-feira.

Presidiários, pacientes de hospitais, moradores de asilos e outras populações vulneráveis foram evacuadas de áreas mais baixas, e as lojas venderam todo seu estoque de água engarrafada, pilhas, compensados de madeira e outros produtos de emergência.

Longas filas se formaram nos bancos e alguns limitaram os saques a US$ 500 a certa altura. Em Washington, as autoridades tentaram mostrar que estavam preparadas para o Rita, após o fracasso do governo na resposta ao Katrina.

"Eu peço aos cidadãos que escutem atentamente as instruções fornecidas pelas autoridades estaduais e locais e as sigam", disse o presidente Bush em um discurso na Coalizão Judaica Republicana. "Nós esperamos e rezamos para que o furacão Rita não seja uma tempestade tão devastadora, mas precisamos estar preparados para o pior."

Muitos dos 13 mil soldados do serviço ativo na Louisiana, Mississippi e na Costa do Golfo, incluindo marines e elementos da 82ª Divisão Aerotransportada, estavam em alerta na quarta-feira, possivelmente para envio ao Texas caso as autoridades estaduais de lá peçam ajuda militar federal após a passagem do furacão Rita, disseram funcionários do Pentágono.

Dez navios da Marinha, incluindo o navio hospital Comfort, se deslocaram para a área nordeste do golfo para evitar a tempestade, mas estarão preparados para avançar rapidamente no rastro do furacão para oferecer ajuda. Vinte helicópteros em Forte Hood, Texas, também foram colocados de prontidão caso sejam necessários para busca e resgate, transporte ou missões de evacuação médica em apoio à Agência Federal de Administração de Emergência (FEMA), segundo Michael Kucharek, porta-voz do Comando do Norte.

Cerca de 25 mil membros da Guarda Nacional do Texas continuam em serviço na Louisiana e 10.500 no Mississippi. Segundo o Birô da Guarda Nacional, quase 2 mil soldados da Guarda Nacional em serviço ativo estavam se preparando para o Rita, e o governador Perry autorizou a convocação de até 5 mil dos mais de 10 mil soldados da Guarda Nacional atualmente disponíveis no Estado. A Guarda Nacional Aérea também transferiu várias de suas aeronaves de Houston para Austin por precaução.

Na Flórida, o Rita não causou grandes danos estruturais em Key West, mas alguma inundação foi relatada. Cerca de 7 mil clientes ficaram sem energia elétrica nos Keys da Flórida e equipes estavam trabalhando para restaurar o fornecimento de energia até o fim de quarta-feira. Os moradores que foram evacuados da ilha estavam sendo autorizados a voltar na quarta-feira, enquanto os turistas devem ser autorizados a voltar na sexta-feira.

Enquanto isso em Nova Orleans, o prefeito C. Ray Nagin emitiu uma ordem de evacuação obrigatória na quarta-feira para grande parte da cidade, incluindo o Bairro Francês, o distrito comercial central e Uptown. Mas na quarta-feira, a cidade permanecia cheia de empreiteiros, operários e soldados dirigindo pelas ruas sem semáforos em funcionamento.

O prefeito disse na terça-feira que até 500 ônibus estavam prontos para evacuar os poucos milhares de cidadãos que permanecem na cidade. Alguns poucos refugiados chegaram na quarta-feira ao Centro de Convenções Ernest M. Morial, onde dezenas de milhares de refugiados ficaram ilhados por dias após o furacão Katrina.

Na quarta-feira, cada pessoa foi recebida por seis soldados que ofereciam água e refeições prontas. Então eram revistadas à procura de armas, questionadas se precisavam de assistência médica e colocadas em um ônibus, estacionados com ar condicionado e televisão até estarem cheios o bastante para partir, seja para Baton Rouge ou outro lugar. Várias pessoas disseram que estavam sendo evacuadas pela segunda vez, algumas após voltarem para encontrar seus lares danificados e sem energia.

Ainda assim, após dias de preocupação com a possibilidade do furacão Rita poder atingir a cidade enfraquecida, havia algum sentimento de alívio com o fato dele estar seguindo para oeste, reduzindo o potencial de danos à cidade devastada. "Nós estamos acompanhando o Rita", disse Sally Forman, uma porta-voz do prefeito. "Nós não temos uma grande população na cidade, mas eu acho que a evacuação obrigatória está funcionando."

Enquanto Nova Orleans se preparava para a possibilidade de mais problemas, comunidades no Texas também estavam tensas na quarta-feira. Ao sul de Galveston, em Matagorda County, o xerife James Mitchell disse que seu gabinete não atenderá chamados nas áreas evacuadas e que pais estariam sujeitos a processo criminal por colocação de uma criança em risco caso não removam seus filhos do trajeto da tempestade.

Galveston era talvez a mais nervosa de todas as cidades, tendo recentemente completado o 105º aniversário da Grande Tempestade de 1900, que matou mais de 6 mil moradores e que continua sendo o desastre natural mais mortal da história do país. Apesar de Galveston ter se reconstruído e aumentado a elevação de partes da ilha, a tempestade contribuiu para o declínio da cidade de centro movimentado de transporte de cargas e finanças para um destino turístico um tanto letárgico.

"Este poderá ser maior que o de 1900, que era apenas de categoria 3", disse Tom Weaver, 60 anos, enquanto operários cobriam com madeira as janelas de seu comércio, a Scratch and Dent Furniture. "Se ele nos atingir, marque minhas palavras, vai haver saques. Há dois tipos de pessoas neste mundo, aquelas que trabalham e aquelas que roubam daqueles que trabalham."

Grande parte de Galveston estava assustadoramente vazia no início da noite de quarta-feira, com até mesmo uma equipe de nove funcionários da FEMA deixando a cidade, segundo uma reportagem da "ABC News". Os funcionários da FEMA, que estavam ajudando os refugiados da Louisiana, disseram que foram ordenados por seus superiores a deixarem Galveston.

Na Divisão Médica da Universidade do Texas, um complexo formado por seis hospitais, 270 de seus 370 pacientes já tinham sido evacuados até a fim da tarde de quarta-feira, ou por ambulância ou por aeronaves para hospitais por todo o Texas, disse a porta-voz Marsha Canright. Os pacientes remanescentes seriam evacuados às 18 horas, horário local, disse ela. O departamento correcional do Estado também evacuou na quarta-feira outros 70 presos do hospital-prisão do centro médico, disse Canright.

"Este hospital está aqui há 114 anos", disse Canright. "Ele nunca foi evacuado. Esta é a primeira vez."

Em um espaço de quatro horas na manhã de quarta-feira, os 175 moradores da Edgewater Retirement Community, uma comunidade de aposentados localizada ao longo do quebra-mar da cidade, foram evacuados em ônibus fretados e ambulâncias, disse Barbara Williams, a administradora assistente do complexo. Eles foram levados para instalações semelhantes em Huntsville e Lufkin.

"Isto não está acontecendo como uma reação ao Katrina", disse Williams. "Nós sempre tivemos um plano de evacuação para o caso de furacão."

Algumas pessoas em Galveston disseram não ter idéia de quando poderão voltar para a cidade, que tem 60 mil habitantes. Saul Aucancela, o dono de um pequeno mercado que vende produtos do México, disse que planeja ir de carro até Reynosa, uma cidade de fronteira no norte do México, a cerca de oito horas ao sul, para escapar da tempestade.

"Eu estou colocando meu destino nas mãos de Deus", disse Aucancela, 55 anos, em espanhol enquanto terminava de pregar as placas de compensado na parede de sua loja para proteger as janelas. Seus 18 funcionários já tinham partido de Galveston em busca de abrigo no interior. "Eu quero ir para um local que não seja muito caro caso tenha que ficar lá por algum tempo."

*Maureen Balleza e Christie Taylor, em Houston, e Thayer Evans, em Galveston, contribuíram com reportagem para a reportagem. Decretada a evacuação integral de Nova Orleans e de Galveston George El Khouri Andolfato

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