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25/09/2005

Furacão Rita atinge os Estados da Costa do Golfo e pode causar mais inundações

The New York Times
Timothy Williams, em Beaumont, e

Ralph Blumenthal, em Houston, Texas
O furacão Rita, com um olho de 32 quilômetros de extensão e rajadas de vento de quase 240 km/h, atingiu a Costa do Golfo antes do amanhecer deste sábado (24/09), causando bem menos danos do que as autoridades temiam, mas provocando novos temores de que sua chuva torrencial e ondas poderão causar inundações em grande parte da região.

Apesar de uma destruição de propriedade que poderá chegar a bilhões de dólares, relatos preliminares indicam que o furacão Rita foi bem menos mortífero que seu antecessor, o furacão Katrina. As autoridades disseram que isto ocorreu em parte devido à evacuação de milhões de moradores da Costa do Golfo, que atenderam os alertas, cientes da inundação, morte e destruição causadas pelo furacão Katrina há apenas um mês.

A tempestade parece ter poupado Houston de maiores estragos, onde 2,5 milhões de moradores congestionaram as estradas por horas enquanto fugiam da tempestade. Mas o prefeito Bill White alertou que ainda não era seguro voltar devido às chuvas e ventos fortes.

O furacão Rita entrou no continente por volta das 3h40 da madrugada, horário da Costa Leste, como uma tempestade categoria 3, com ventos de até 210 km/h, com seu olho passando bem ao leste de Sabine Pass, Texas, a cerca de 51 quilômetros a sudeste de Beaumont e perto da divisa do Texas com a Louisiana. Após entrar no continente, a tempestade enfraqueceu para categoria 2, com ventos de até 177 km/h, mas ainda possuía ventos com força de furacão no território do leste do Texas.

O presidente Bush, que foi criticado pela lenta resposta do governo ao furacão Katrina, monitorou a chegada do furacão Rita do Comando do Norte dos Estados Unidos, em Colorado Springs, Colorado.

James Gunter, o chefe do corpo de bombeiros de Jasper, Texas, uma pequena cidade a cerca de 110 quilômetros ao norte da costa, disse em uma entrevista para a KHOU-TV no início da manhã: "Temos incêndios no condado que não fomos capazes de responder -não seremos capazes de responder, ponto. Toda o condado está sem energia elétrica".

Gunter acrescentou: "Nós podemos sair pelo lado sul de nosso prédio e podemos olhar para o sul, e só o que conseguimos ver é destruição total".

Os meteorologistas disseram que esperam que os vestígios do furacão Rita ficarão estacionados na região por três a cinco dias, provocando até 63 centímetros de chuva.

Os meteorologistas também alertaram que os maiores danos poderão vir da chuva implacável que poderá cair na região por dias e das marés de até 4,5 metros que poderão inundar trechos da Costa do Golfo no Texas e na Louisiana.

As chuvas continuarão afetando principalmente a metade leste do sudeste do Texas, com as chuvas mais fortes caindo nos condados de Liberty e Chambers, onde os meteorologistas disseram que se espera a inundação das áreas mais baixas.

No início da manhã de sábado, o nível das águas estava baixando nas áreas mais elevadas e médias da Baía de Galveston, enquanto os ventos fortes empurravam a água para o sul, a fazendo se acumular em áreas da Ilha de Galveston e da Península Bolivar. Os meteorologistas disseram que a inundação no extremo oeste da Ilha de Galveston e ao longo da costa norte deverá começar a recuar na metade do dia.

Em Nova Orleans, a água superou duas barragens reparadas no 9­º Distrito na sexta-feira, devido à chuva e vento, enquanto a aproximação do furacão Rita começava a perder força no sábado.

O Corpo de Engenheiros do Exército disse que a água ultrapassou apenas 30 centímetros no Canal Industrial na manhã de sábado. Planos estavam sendo feitos para helicópteros despejarem sacos de areia de 1.350 a 3.175 quilos na fenda de 7 a 9 metros por onde a água ainda fluía para o evacuado 9º Distrito, um dos bairros mais pobres da cidade e que já tinha sido castigado pelo furacão Katrina.

"Nós precisamos apenas de liberação da Mãe Natureza", disse Mitch Frazier, um porta-voz do Corpo dos Engenheiros.

Os piores estragos do furacão Rita parecem ter ocorrido no sudoeste da Louisiana e no leste do Texas. Mas a tempestade também provocou incêndios em Galveston e Houston, e sobrepujou as frágeis barragens em Nova Orleans. Quase um milhão de imóveis, incluindo 575 mil em Houston e 250 mil ao longo da costa, ficaram sem energia elétrica. Em Lake Charles, Louisiana, relatos não confirmados indicavam danos extensos na fachada de vidro da torre do banco Hibernia, no centro da cidade, danos potenciais nos barcos-cassino em Lake Charles, e a queda de um elevado na Interestadual 10 ou de um acesso ao sul da cidade, a Interestadual 210.

Partes de Beaumont foram inundadas e havia indícios de que a água superou o quebra-mar em forma de ferradura de Port Arthur. Uma moradora de Orange, uma cidade bem ao nordeste, telefonou ao tribunal para dizer que estava subindo para seu sótão para escapar da água que estava subindo.

O vidro estourou na J.P. Morgan Chase Tower no centro de Houston, forçando a polícia a isolar a área.

Nas paróquias e condados costeiros, equipes de funcionários levantaram no escuro e se prepararam para sair à primeira luz do dia para avaliar os estragos, enquanto condados no interior do Texas, como Jasper, ainda estavam sitiados pela tempestade.

"Nós estamos no meio do levantamento no momento, então teremos muitas dificuldades pela frente", disse Diane Brown, a administradora do presídio do condado de Jasper, quando atendeu ao telefone no gabinete do xerife, na manhã de sábado.

Na Louisiana, as autoridades das paróquias de Cameron e Calcasieu se amontoaram no presídio da Paróquia de Calcasieu, que teve todos os seus 1.149 presos evacuados antes da tempestade. Por volta das 3 horas da madrugada de sábado, o vento sacudia o telhado e as janelas. "Aquele é o som de nossas vidas mudando para sempre", disse Mike Aymond, um policial do gabinete do xerife da Paróquia de Calcasieu.

Mas, disse Aymond: "Teria sido bem pior se Nova Orleans não tivesse acontecido. As pessoas teriam ficado".

No condado de Jefferson, que inclui Beaumont e Port Arthur, Carl Griffith, o juiz do condado, estimou que apenas 10 a 15% dos 250 mil habitantes do condado não partiram, em comparação a 40% em evacuações anteriores. Na paróquia de Cameron, uma área baixa de igarapés, garças azuis, fazendas e campos de pesca ao sul de Lake Charles, quase todos os 9 mil habitantes tinham partido até a noite de sexta-feira. Cerca de 95% dos 200 mil habitantes da paróquia de Calcasieu, que inclui Lake Charles, partiram, estimaram as autoridades.

Em Beaumont, as janelas estouraram no andar térreo do prédio da Entergy, que o condado estava usando como abrigo e área de manobra da primeira linha de resposta, causando uma queda de pressão em todo o prédio, o mais alto da cidade. Enquanto o pessoal de resgate partia, o vento ainda provocava rajadas de chuva horizontais e sacudia os carros.

A polícia de Houston confirmou 28 arrombamentos durante a madrugada e prendeu 16 pessoas, disse Frank Michel, um porta-voz de White. Oito dos presos -quatro menores de idade, três mulheres e um homem- foram acusados de saquear uma loja da Target. Três foram presos em uma empresa no sudoeste da cidade e uma pessoa foi pega roubando cerveja em uma loja de conveniência, disse a polícia.

Os moradores que não partiram foram alertados pelo Centro Nacional de Furacões para não se deslocarem até o furacão Rita avançar mais para o interior, porque a viagem, especialmente de carro, seria perigosa. Na maioria das áreas evacuadas, as autoridades disseram que o retorno não era seguro, exceto em Friendswood, Texas, um subúrbio de Houston.

No sábado, helicópteros do Exército da 1ª Divisão de Cavalaria, baseada no Forte Hood, Texas, começaram a transportar equipes da Agência Federal de Administração de Emergência (FEMA), cujo trabalho era fazer o levantamento dos danos provocados pelo furacão.

"As equipes aéreas estão facilitando o deslocamento de pessoal para a realização do levantamento das condições para o esforço de ajuda", disse o major Greg Thompson, o oficial executivo da 1ª Brigada Aérea de Cavalaria. "Nas próximas 48 horas, nós prevemos o envio de uma dúzia de aeronaves adicionais para apoio aos esforços de ajuda após a tempestade. Nossa missão inicial será conduzir os peritos da FEMA para avaliarem as áreas mais atingidas pela tempestade."

As forças armadas também enviaram cinco equipes funerárias de Nova Orleans para o Forte Sam Houston, Texas, e cinco outras foram colocadas em alerta, segundo uma declaração do Comando do Norte, que dirige os esforços do Pentágono em missões de ajuda e emergência doméstica. Tais equipes ajudarão a recolher e transportar os mortos.

Na manhã de sábado, mais de 50 helicópteros, assim como outros aviões de transporte e vigilância, estavam disponíveis para levantamento dos danos e missões de busca e resgate, segundo uma declaração do Comando do Norte. As forças armadas também estavam fornecendo sistemas de comunicação para uso das equipes civis de emergência e agências federais de ajuda. Incluídos nos sistemas de comunicação estão sistemas de telefone comercial, Internet, teleconferência, rádio e telefone por satélite.

Oficiais do Comando do Norte disseram que 800 marines baseados a bordo do Iwo Jima estavam disponíveis para ajuda, e que mais de 300 oficiais médicos militares estavam prontos para abrir 10 hospitais de campanha por toda a zona do furacão. As forças armadas também estavam preparadas para fornecer 500 mil refeições por dia para mais de 15 lugares, se necessário.

As forças armadas anunciaram na noite de sexta-feira que tinham estabelecido uma Força-Tarefa Conjunta Rita, sob supervisão do general de exército Robert T. Clark, comandante do 5º Exército.

*Colaboraram Shaila Dewan em Beaumont, Texas, e William Yardley em Lake Charles, Louisiana. Fenômeno torna-se tempestade e não faz vítimas ao atingir a terra George El Khouri Andolfato

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