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27/09/2005

Sharon vence eleição interna no Likud por uma margem estreita

The New York Times
Greg Myre

em Tel Aviv
Ariel Sharon venceu por uma margem estreita uma eleição interna crucial no seu direitista Partido Likud na segunda-feira (26/09), neutralizando o desafio por parte do seu principal rival, Benjamin Netanyahu, que procurava retirá-lo dos cargos de líder do partido e de primeiro-ministro.

A questão em pauta era aparentemente mundana: os 3.000 membros do Comitê
Central do Likud decidiram em votação se realizariam ou não uma eleição para líder do partido em abril, conforme desejava Sharon, ou se antecipariam o pleito para novembro, como queria Netanyahu.

Mas, como muitos eleitores do Likud estão furiosos com Sharon devido à
retirada dos colonos judeus da Faixa de Gaza, a questão se transformou em um referendo sobre a sua liderança. Se Netanyahu tivesse vencido, ele teria uma forte chance de substituir Sharon como líder partidário em apenas dois meses, e a coalizão do atual primeiro-ministro provavelmente entraria em colapso.

No entanto, Sharon conseguiu uma vitória apertada, e o Likud decidiu manter a primária em abril. Em termos percentuais, a vitória de Sharon foi de 52% contra 48%, segundo dirigentes do partido.

Como resultado, Sharon e o seu governo parecem estar em segurança, pelo
menos por ora. Israel não precisa realizar eleições nacionais até novembro de 2006.

Mesmo assim, a disputa acirrada revelou que Sharon pode esperar uma batalha dura caso enfrente Netanyahu na disputa pela liderança partidária na próxima primavera, antes das eleições nacionais.

Por ocasião da votação, na segunda-feira, no Parque de Exibições de Tel
Aviv, várias pesquisas de opinião registraram uma pequena vantagem de
Netanyahu. Mas um grande comparecimento, com a participação de mais de 90% dos membros do Comitê Central, parece ter ajudado Sharon.

Sharon disse que o Likud "cometeria um suicídio" se o retirasse do cargo e forçasse a realização de eleições antecipadas, já que, segundo ele, isso faria com que o controle do partido sobre o governo ficasse ameaçado.

"Espero que os membros do partido votem contra esta proposta, que
prejudicará bastante o Likud", disse Sharon na tarde da segunda-feira,
quando chegou para depositar o seu voto na urna.

As pesquisas de opinião revelam que Sharon continua bastante popular junto à população israelense. As pesquisas mostram que o Likud teria um desempenho bem melhor nas eleições nacionais caso o candidato fosse Sharon, e não Netanyahu, que foi primeiro-ministro de 1996 a 1999.

Netanyahu, que renunciou ao cargo de ministro das Finanças em agosto, queria uma votação a respeito da liderança do partido o mais rapidamente possível para tirar proveito da frustração que tomou conta de vários eleitores do Likud devido à retirada de Gaza.

Os críticos de Sharon no Likud acusam o primeiro-ministro de ter abandonado as políticas tradicionais do partido com a retirada de Gaza. Eles argumentam que Sharon não representa mais o partido que procurou expandir os assentamentos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, e que resistiu às concessões territoriais aos palestinos.

"O nosso rumo no Likud estava solidamente definido, e, de repente, um homem mudou tudo isso", queixou-se Zeev Geyzel, um membro do Comitê Central do Likud que votou contra Sharon. "Queremos manter a nossa ideologia, e Sharon precisa respeitar isso, ou então ir embora e ingressar em outro partido".

Mas David Knafi, um outro membro do Comitê Central, disse que embora fosse um morador antigo da Faixa de Gaza que foi removido da sua casa no mês passado, votou em Sharon.

"Não apoiei a retirada da Faixa de Gaza, mas Sharon ainda é o melhor líder para Israel neste momento", disse Knafi, 60, que está morando em um trailer no sul de Israel enquanto aguarda a construção de uma casa permanente.

Sharon estava dando início ao seu discurso no Comitê Central do Likud na
noite de domingo quando o sistema de som foi cortado por um sabotador que despejou água em uma caixa elétrica, informaram membros do partido.

O som não pôde ser restaurado rapidamente, e Sharon deixou o local sem ter feito o seu discurso.

A sabotagem foi amplamente condenada pelos políticos de Israel, embora o
Likud seja conhecido pelas ferozes brigas internas. Em reuniões anteriores do partido já houve até troca de sopapos e cadeiradas.

Netanyahu, que falou antes do corte do som, disse que a retirada da Faixa de Gaza foi um erro. Ele mencionou o recente episódio do disparo de foguetes palestinos a partir de Gaza, embora o Hamas, o grupo responsável pela maior parte dessas ações, tenha anunciado na noite de domingo que, por ora, está suspendendo tais ataques.

"Eles estão nos dizendo que continuarão fazendo dolorosas concessões", disse Netanyahu referindo-se a Sharon e aos que apóiam o primeiro-ministro. "Já não temos problemas suficientes com o Hamas em Gaza?".

Enquanto isso, em Gaza, a Força Aérea Israelense disparou mísseis contra
vários locais suspeitos de serem fábricas palestinas de armas, pelo terceiro dia consecutivo, na parte sul do território. Não foi registrado nenhum caso de ferimento grave.

Israel, que concluiu a sua retirada militar da Faixa de Gaza em 12 de
setembro, deu início aos ataques aéreos no sábado, em resposta aos contínuos disparos de foguetes pelo Hamas, que tiveram início no dia anterior.

Para o Hamas, que ainda defende a destruição de Israel, o fato de ter
anunciado na noite de domingo que estava suspendendo os ataques contra o
território israelense a partir de Gaza se constitui em uma medida incomum.

No entanto, as forças armadas israelenses disseram ter encarado a declaração como uma retirada tática temporária do Hamas, e frisaram que a ofensiva israelense continuará por algum tempo.

Uma outra facção palestina, a Jihad Islâmica, disse que não mais cumprirá um cessar-fogo, freqüentemente violado, quanto ao qual os grupos militantes palestinos concordaram no início deste ano.

Muhammad al-Hindi, um líder graduado da Jihad Islâmica na Faixa de Gaza, fez o anúncio após um míssil israelense ter matado um outro líder do grupo, Muhammad Khalil, e um dos seus guarda-costas, no domingo.

"Não estamos falando de cessar-fogo. Só existe espaço para conversas
relativas à guerra", afirmou Hindi.

Os palestinos dispararam um morteiro do norte da Faixa de Gaza contra o sul de Israel na segunda-feira, segundo anunciaram autoridades israelenses. O ataque não fez vítimas nem causou estragos. Não ficou claro que grupo foi responsável pelo disparo.

Além disso, as forças armadas israelenses anunciaram na segunda-feira que encontraram o corpo de Sasson Nuriel, um israelense de cerca de 50 anos de idade que foi seqüestrado na última quarta-feira na cidade de Ramallah, na Cisjordânia. O corpo de Nuriel foi encontrado próximo à cidade, e as forças de segurança prenderam um suspeito que é membro do Hamas, segundo anunciou a mídia israelense. Danilo Fonseca

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