UOL Notícias Internacional
 

30/09/2005

Republicanos lutam pelo poder após DeLay cair

The New York Times
Carl Hulse

Em Washington
A queda do deputado Tom DeLay após o indiciamento criminal no Texas provocou rapidamente uma intensa disputa política entre os republicanos da Câmara, na quinta-feira (29/09), ao sentirem que os apuros de DeLay podem criar uma rara oportunidade para conquista de um espaço na liderança do partido.

Apenas um dia após os republicanos da Câmara terem concordado em promover o deputado Roy Blunt, do Missouri, como substituto de DeLay, vários legisladores consideraram a liderança improvisada como sendo frágil e previram que os republicanos poderão se ver diante de eleições para altos postos antes do início da próxima sessão legislativa, em janeiro.

"No momento, a conferência está interessada em concluir esta sessão com o atual arranjo", disse o deputado Zach Wamp, republicano do Tennessee, que disse que pretende disputar o cargo Nº 3 de articulador do partido. No próximo ano, ele disse, "eu acho que a equipe de liderança que será formalizada e finalizada será a apropriada".

Apesar da ausência de DeLay estar sendo retratada como temporária até que a acusação de conspiração impetrada contra ele no indiciamento no Texas, na quarta-feira, seja resolvida, muitos legisladores estão céticos de que ele conseguirá voltar se o assunto se arrastar. Como resultado, muitos políticos ambiciosos nesta instituição estão avaliando suas chances de ocupar as posições de liderança caso fiquem abertas.

"As pessoas estavam aguardando que alguém no topo escorregasse na casca de banana", disse o deputado Ray LaHood, republicano de Illinois. "Isto cria uma oportunidade política única para pessoas assumirem a liderança."

Um membro da ala conservadora da conferência republicana na Câmara, que tem tentado demonstrar nova força nas últimas semanas, disse que Blunt e outros que agora estão liderando o partido também serão julgados pela forma como responderem à pressão por maior controle dos gastos após o furacão Katrina.

"A menos que haja um compromisso sério e sustentado para compensar estes novos gastos e controlar o crescimento do governo, eu acho que haverá contestação", disse o deputado Jeff Flake, republicano do Arizona.

O presidente da Câmara, Dennis Hastert, que agiu rapidamente na quarta-feira para evitar um confronto pela liderança ao apoiar Blunt, disse que a opção de uma futura eleição pela liderança está nas mãos dos republicanos da Câmara.

"A conferência pertence aos membros; ela não me pertence", disse Hastert. "Nós teremos que ver como as coisas transcorrerão. Se eles desejarem uma eleição, tudo o que precisam fazer é obter 50 assinaturas."

Apesar de apenas Wamp, um independente ocasional dentro do partido, estar declarando abertamente sua intenção de buscar um cargo de liderança, havia especulação substancial quanto a quem poderia ser um futuro adversário de Blunt ou candidatos a outros postos de liderança. Mas tais legisladores, como John A. Boehner, de Ohio, presidente do Comitê de Educação e Força de Trabalho, ou Mike Pence, de Indiana, líder de um grupo de conservadores da Câmara, estavam evitando publicamente tais conversas.

"A partida temporária de Tom Delay como líder da maioria na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos é uma perda para a maioria republicana no Congresso e para a nação", disse Pence em uma declaração, um sentimento reiterado por vários importantes membros da Câmara.

Luta interna

Alguns legisladores disseram que a liderança improvisada adotada na quarta-feira, imediatamente após o indiciamento de DeLay, não resistirá até o final do próximo ano. Segundo o plano atual, Blunt atuará como líder da maioria e também realizará a função de articulador, enquanto ele e Hastert também serão auxiliados pelo deputado David Dreier, da Califórnia, presidente do Comitê de Regras, e pelo deputado Eric Cantor, da Virgínia, atual vice-articulador.

"Eu não acho que ninguém espera que Blunt mantenha duas posições por 15 meses, que é o que este arranjo temporário faz", disse Wamp.

Outros republicanos disseram que ainda nutrem esperança de que a ausência de DeLay será breve e poupará o partido de uma luta interna.

Quanto a DeLay, uma ilustração clara de seu novo status como membro raso ocorreu quando os líderes republicanos seguiram para a Casa Branca e ele não estava entre eles. Mas ele ainda mantém alguns privilégios da liderança, incluindo o destacamento de segurança.

Ele empacotou alguns bens pessoas e liberou sua sala no Capitólio, se mudando para um prédio separado onde fica o gabinete que serve ao seu distrito eleitoral. Mas sua equipe ainda ocupava o espaço no Capitólio, e republicanos tentavam resolver os problemas de pessoal e outras questões visando evitar qualquer mudança que passe a impressão de que a saída de DeLay é permanente.

"O importante nisto é sua natureza temporária", disse Kevin Madden, porta-voz de DeLay.

Qual será o papel de DeLay no novo mundo republicano ainda é incerto. Vários legisladores disseram que isto levará semanas para ser resolvido e em alguns aspectos caberá a DeLay escolher quanto tempo ele dedicará aos seus problemas legais e quanto ao parece que será uma campanha cara e difícil para a reeleição.

"Eu acho que teremos que esperar para ver como Tom DeLay definirá seu papel", disse o deputado Thomas M. Reynolds, republicano de Nova York. "Muitos de nós procurarão seus conselhos porque os conselhos dele são bons."

DeLay e Hastert se encontraram privativamente na quinta-feira, e Ron Bonjean, o porta-voz de Hastert, disse que os homens iniciaram discussões sobre DeLay assumir um papel formal de conselheiro.

"DeLay continuará sendo um conselheiro muito poderoso para a liderança, no que esperamos que será uma situação temporária", disse Bonjean.

Mesmo se sua autoridade for reduzida na Câmara, DeLay manterá uma influência substancial. Ele formou uma extensa organização fora do Capitólio, colocando vários ex-assessores e aliados em associações, firmas de direito e lobby em Washington, em um esforço coordenado para expandir sua influência.

"Ele tem uma rede muito forte na K Street", disse Larry Noble, chefe do Centro para Política Positiva, um grupo de monitoramento. "Isto não vai simplesmente desaparecer." Queda do líder do partido desencadeia intensa disputa na Câmara George El Khouri Andolfato

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