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05/10/2005

Bush defende escolha de Miers à Suprema Corte

The New York Times
Elisabeth Bumiller e David D. Kirkpatrick

Em Washington
Nesta terça-feira (04/10), o presidente Bush defendeu sua mais recente escolha para a Suprema Corte, Harriet E. Miers, das acusações da direita, de que ela não é suficientemente conservadora, e das acusações da esquerda, de que é uma amiga da Casa Branca, não qualificada para o cargo.

O presidente também disse que não se lembra de ter alguma vez conversado com Miers, a qual conhece há mais de uma década, sobre seus pontos de vista pessoais sobre aborto, e reiterou que é um "presidente pró-vida", mas que não dispõe de um teste definitivo sobre a questão quando escolhe candidatos ao Judiciário.

Ele insistiu que o Congresso e a população americana ficarão impressionados com Miers, a conselheira da Casa Branca e ex-presidente da Ordem dos Advogados do Texas, que já foi a advogada pessoal de Bush.

"Eu entendo o fato, vocês sabem, das pessoas não conhecerem Harriet", disse o presidente em uma coletiva de imprensa de 55 minutos no Jardim das Rosas da Casa Branca, que visava em grande parte dar um impulso a Miers enquanto muitos conservadores permaneciam agitados devido à escolha, um dia depois de sua indicação. "Ela não tem sido, vocês sabem, uma daquelas caçadoras de publicidade. Ela é alguém que tem realizado seu trabalho discretamente."

O presidente, que parecia à vontade durante a coletiva de imprensa mas disposto a reforçar seu argumento pró-indicação de Miers, acrescentou: "Mas quando ela o faz, o faz bem. Ela não é uma pessoa no Texas dizendo: 'Olhem para mim. Vejam que trabalho estelar tenho feito'. Ela apenas o faz, e discretamente, estabelecendo discretamente um retrospecto incrivelmente forte".

Em uma tentativa de tranqüilizar os conservadores, Bush disse três vezes que Miers não mudará sua filosofia, caso seja confirmada, de décadas nos tribunais. "Eu a conheço bem o suficiente para ser capaz de dizer que ela não vai mudar, que daqui 20 anos ela será a mesma pessoa, com a mesma filosofia, que é hoje", disse Bush.

O presidente parecia estar se referindo ao ministro David H. Souter, que foi indicado pelo seu pai, o primeiro presidente Bush, e que decepcionou os republicanos que buscavam um conservador confiável na corte. Posteriormente, quando questionado se considerava que a indicação de Souter foi um erro, Bush riu e respondeu: "Você está tentando me colocar em apuros com meu pai".

No Capitólio, Miers se encontrou novamente com senadores cruciais para sua confirmação. O senador Sam Brownback, um republicano do Kansas do Comitê Judiciário e um importante oponente dos direitos de aborto, disse em uma entrevista que poderá votar contra a confirmação de Miers, dependendo do que ela venha a dizer em suas audiências.

"Há muito ceticismo em relação a ela", disse Brownback, lembrando da desilusão conservadora com Souter, que decidiu a favor de direitos de aborto e com a maioria em outras decisões liberais. "Se realmente parecer que ela opera ou é um tipo de indicada ao estilo Souter, eu posso ver um cenário em que votarei contra ela no comitê."

Outro membro republicano do Comitê Judiciário, o senador Orrin G. Hatch de Utah, disse que Miers terá mais trabalho para convencer alguns dos republicanos conservadores do que os democratas do comitê.

Ainda assim, Hatch, que se encontrou com Miers na terça-feira, disse que a apoiará e espera que outros republicanos no final façam o mesmo. "Muitos dos meus companheiros conservadores estão preocupados, mas eles não a conhecem como eu conheço", disse ele, acrescentando que apostaria sua reputação que "ela fará basicamente o que o presidente acha que ela deve, que é ser uma pessoa que interpreta a lei de forma rígida".

Funcionários da liderança republicana no Senado já estavam tentando tranqüilizar os grupos de defesa conservadores em uma reunião no Capitólio, na noite de segunda-feira. Eles trouxeram Leonard Leo, um advogado conservador ligado à Casa Branca e presidente de um grupo católico voltado ao Partido Republicano, para promover as virtudes de Miers, segundo pessoas que participaram mas não quiseram que seus nomes fossem citados, devido à natureza confidencial da reunião.

Leo enfatizou os esforços de Miers para derrubar o apoio da Ordem dos Advogados dos Estados Unidos aos direitos de aborto e seu papel no processo de seleção dos indicados do presidente para os tribunais de apelação, elas disseram.

Mas muitos continuavam não convencidos. "Eu acho que eles nos deram um grande ponto de interrogação", disse Connie Mackey, vice-presidente para assuntos de governo do Conselho de Pesquisa da Família.

Muitos conservadores sociais também reagiram com alarme, na terça-feira, com as notícias de que como candidata à Câmara dos Vereadores de Dallas, em 1989, Miers disse a um grupo gay que apoiava direitos civis iguais para gays e lésbicas, apesar de não ter apoiado a revogação de uma proibição local à sodomia.

Tony Perkins, o presidente do Conselho de Pesquisa da Família, disse em uma declaração que teme que Miers "esteja ajudando a legitimizar o esforço das organizações homossexuais de busca por poder e influência sobre nossas políticas públicas".

Enquanto isso, os democratas davam seus próprios sinais de indecisão sobre a indicação. O senador Harry Reid de Nevada, o líder democrata, recuou dos elogios efusivos que fez a Miers na segunda-feira, dizendo que apesar de tê-la recomendado ao presidente, ele agora guardaria seu julgamento.

"Me permitam deixar claro que não endossei esta indicação", disse Reid. "Seria totalmente prematuro da minha parte fazê-lo."

Reid disse que Miers precisa mostrar que julgará de forma independente, apesar de seus antigos laços com o presidente Bush. "Ela precisa demonstrar ao Senado que é capaz de colocar tais laços estreitos de lado e, quando necessário, ser capaz de julgar o presidente que a conduziu à posição na corte", disse ele.

A coletiva de imprensa de Bush, sua oitava sessão plena com repórteres desde sua reeleição, em novembro de 2004, e sua primeira desde maio, também abordou brevemente o Iraque, o déficit orçamentário, o furacão Katrina, a possibilidade de uma epidemia de gripe avícola nos Estados Unidos e a investigação sobre se funcionários do governo Bush vazaram a identidade de uma agente da CIA. Bush se recusou a responder duas perguntas sobre o vazamento, dizendo que não falará a respeito até que a investigação seja concluída.

As perguntas sobre Miers dominaram a coletiva de imprensa, e Bush disse que escutou o Congresso ao fazer sua seleção. "Eu escutei os senadores quando apresentaram idéias, e eles apresentaram idéias realmente interessantes ao longo de nossas conversas", disse Bush.

Uma das idéias mais interessantes, ele disse, foi a recomendação de buscar fora "do mosteiro judiciário". Miers, que passou décadas no direito corporativo no Texas, nunca foi juíza. Bush acrescentou que as pessoas estavam "tirando conclusões precipitadas" sobre ela.

"Eu a conheço", disse o presidente. "Eu conheço o coração dela. Eu sei no que ela acredita."

Funcionários da Casa Branca disseram que Bush pensou pela primeira vez na possibilidade de indicar Miers dois meses atrás, logo após ter indicado John G. Roberts Jr. como sua escolha para a primeira cadeira vaga na corte. Miers foi uma das líderes na busca por um candidato, e Bush a manteve em mente para a próxima cadeira vaga. O presidente discutiu a idéia com o chefe de gabinete da Casa Branca, Andrew H. Card Jr., e este então orientou o vice de Miers, William K. Kelly, a avaliá-la sem que ela soubesse.

Há cerca de duas semanas, disse um funcionário da Casa Branca, Card informou Miers, que também liderava a busca pelo indicado para a segunda cadeira vaga, de que ela estava sendo considerada para o cargo. Mesmo assim, Miers continuou trabalhando no processo de seleção, o que incluía telefonar para senadores-chave lhes pedindo sugestões para a indicação. A advogada do presidente não empolga a direita ultraconservadora George El Khouri Andolfato

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