UOL Notícias Internacional
 

05/10/2005

Clinton empresta sabedoria e ouvido à Louisiana

The New York Times
Stephanie Strom

Em Baton Rouge, Louisiana
Ele beijou bebês, abraçou seus pais, sentiu as dores deles e sorriu para fotos de telefones celulares. Bill Clinton estava de volta ao seu elemento na terça-feira (04/10), em uma turnê pela Louisiana, às vezes até mesmo parecendo ter esquecido sua condição de ex-presidente.

"Eu cuidarei disto", ele tranqüilizou um homem que tentava conciliar a abundância de suprimentos que viu serem entregues ao abrigo com a escassez de cobertores e produtos para higiene bucal lá dentro.

O cenário era um abrigo da Cruz Vermelha aqui, não um comício político, e seu papel era o de um filantropo, não o de um político.

Clinton está realizando uma visita de dois dias à região devastada pelo furacão Katrina como parte de seus esforços, juntamente com o ex-presidente George Bush, de levantar dinheiro para o Fundo Bush-Clinton para o Katrina e usá-lo em benefício das vítimas da tempestade e suas comunidades.

"Nós obtivemos bastante dinheiro, mas o que queremos tentar fazer é estabelecer um sistema para financiar coisas que o governo não financiará ou não pode financiar", disse Clinton.

Ele ouviu as frustrações dos moradores do abrigo com suas novas vidas, como a hora em que os chuveiros são desligados e o que consideram como a burocracia que os impede de terem algo que se assemelhe à suas antigas vidas.

"Parece que toda vez que você fala com alguém, tudo o que fazem é dar de ombros ou dizer: 'Tenha paciência, tenha paciência'", disse Robert Warner, que fugiu de Nova Orleans antes do furacão Katrina e depois teve que fugir de seu refúgio em Lake Charles, Louisiana, com a aproximação do furacão Rita.

Ele recontou várias experiências terríveis para Clinton, incluindo o fracasso das autoridades e equipes médicas de removerem um cadáver na lanchonete do colégio onde ele estava abrigado.

"Eu prefiro que você me diga que não pode fazer nada a me prometer algo que não poderá cumprir", disse Warner para Clinton.

Após uma reunião formal com um grupo de moradores do abrigo, Clinton passou mais de uma hora caminhando no local e conversando com os moradores sobre seus problemas. Ele se encontrou posteriormente com autoridades estaduais e federais, incluindo o vice-almirante Thad W. Allen da Guarda Costeira, que está encarregado da resposta federal ao furacão Katrina, ao qual educadamente se queixou da aparente confusão entre os moradores sobre o que podem obter da agência e onde consegui-lo.

"Me parece que com todo o dinheiro que está sendo gasto, são quase US$ 100 mil em erros para dar às pessoas algum alívio", disse Clinton.

Com quase duas horas de atraso, Clinton voou de helicóptero para Nova Orleans, onde percorreu o 9º Distrito, que sofreu alguns dos piores danos. Pilhas de madeira que antes eram lares se encontravam depositadas entre casas que pareciam relativamente intactas, e a maioria das casas exibia marcas que indicavam que nenhum cadáver foi encontrado em seu interior.

O pai do presidente Bush planeja fazer uma visita semelhante à região na próxima semana. Para que ninguém tenha a idéia de que os dois ex-presidentes não são amigos, Clinton explicou que a agenda de Bush não permitia que viajasse nesta semana, e que os planos de seu parceiro na próxima semana coincidem com seu aniversário de 30 anos de casamento.

"Eu gosto muito de vocês, mas se eu faltar nisto, eu estarei mais encrencado do que vocês podem imaginar", disse ele.

Clinton viajará para o Mississippi e Alabama na quarta-feira, determinado a fazer um levantamento pessoal antes de distribuir o dinheiro em nome de dezenas de milhares de pequenos doadores e corporações.

A governadora da Louisiana, Kathleen Babineaux Blanco, já pediu para que o fundo ajude a financiar um novo programa, o Corpo de Assistência à Família. O programa designará um assistente social para cada família que ainda necessitar de assistência e a ajudará a navegar pela burocracia dos programas federais, estaduais e privados que podem fornecer dinheiro e outros serviços.

"Eu espero que possamos fazê-lo", disse Clinton. "Eu acho que é um bom plano."

Ele solicitou propostas semelhantes de outras autoridades e políticos com os quais se encontrou. Eles o encheram de perguntas que não está mais em posição de responder, como o motivo para grandes terras estaduais não estarem sendo usadas para a construção de moradias para as vítimas e por que as empresas de fora do Estado, empregando trabalhadores de fora do Estado, receberam grande parte dos recursos até agora.

"Se vocês tiverem idéias sobre os locais onde as coisas estão caindo pelas frestas, nos informem", disse Clinton. O ex-presidente conversa com desabrigados e agiliza providências George El Khouri Andolfato

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