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05/10/2005

O que o TiVo e o Mini Mac têm em comum?

The New York Times
James Fallows

Especial para o NYT
O tema de hoje são concorrentes elegantes: aparelhos ou soluções que não lideram seus mercados, mas são de muitas formas mais admiráveis do que aqueles que lideram.

Por anos, o Macintosh da Apple tem definido esta categoria. De fato, a história comercial do Mac ilustra mudanças importantes no papel deste concorrente tecnológico. De meados dos anos 80 até o final dos anos 90 --um período que teve início com a disseminação do uso do Windows e vai até a disseminação do uso da Internet-- as pressões no sentido de uma padronização criaram não apenas líderes de mercado, mas leviatãs dominadores do mercado.

Considere os processadores de texto: nos anos 80 e início dos anos 90, havia uma dúzia de candidatos. Agora, praticamente, só há o Word da Microsoft.

Esta era de extinção em massa coincidiu por acaso com os primeiros 15 anos de vida do Mac. O fato de não ter seguido o caminho de outros computadores inovadores como o Victor 9000 ou o Xerox Star é um testemunho do tremendo apelo do design do Mac e do fanatismo de seus usuários. (Usuários do Mac, sem mensagens de e-mail iradas, por favor. Eu falo isto como um elogio.)

Mas nos últimos cinco anos surgiu mais espaço para respirar. Cada nova abordagem que consegue sobreviver --formato de documento Adobe, Palm e agora dispositivos móveis BlackBerry, Firefox e outros browsers, Linux, computação baseada em Internet por parte do Yahoo e Google-- sugere que um ecossistema tecnológico cada vez mais diverso está se tornando possível.

Isto tem criado uma nova oportunidade para o Mac, o que a Apple Computer tem maximizado com uma oferta excepcionalmente elegante, o Mini Mac. No mercado desde o início do ano, ele é o primeiro computador a dar a antigos usuários de PC uma forma de baixo risco de tentar seguir por outro caminho.

O Mini é um cubo branco achatado, menor do que a maioria dos livros de capa dura. Ele não tem teclado, não tem tela -é apenas o cubo com uma série de conexões de um lado para permitir o uso dos periféricos normais. Para ser preciso, o mini vem com um entrada de Ethernet, uma entrada para monitor, um soquete FireWire e dois soquetes USB padrão.

O que isto significa na prática é que um usuário de PC pode plugar a maioria dos dispositivos já disponíveis diretamente no Mini, com apenas alguns pequenas adaptações nos conectores de teclado e mouse em alguns casos, e provavelmente um hub USB extra no caso de haver vários dispositivos para conectar. Tudo isto é mais fácil do que parece.

Em menos de cinco minutos depois de ter tirado o mini da caixa, eu estava sentado à minha mesa digitando no meu teclado comum, olhando para o monitor comum de tela plana, conectado automaticamente à Internet por meio de uma conexão Wi-Fi comum, com as páginas saindo da impressora comum --mas agora eu estava usando o software do Mac, dentro do sistema operacional OSX da Apple.

Nenhuma configuração foi exigida para nada. Com alguns ajustes você pode configurar um sistema que, com um apertar de botão permite que você passe do conteúdo do seu PC para o conteúdo do seu Mac.

Pelos padrões da Apple, o mini é barato: entre US$ 500 e US$ 700, dependendo das opções. Ele faz muito para tratar da preocupação do usuário de PC de que sejam quais forem os benefícios do Mac, eles não valem a pena o incômodo da transição.

Você pode usar uma rede doméstica para transferir arquivos de dados de um sistema para outro, ou usar certos aplicativos em cada máquina em vez de fazer uma mudança total. A existência do mini não é notícia, mas vale ser reenfatizada devido às opções que ele cria.

O TiVo merece um reconhecimento semelhante, e não apenas porque seus usuários catequizadores podem rivalizar com os do Mac. Apesar de ter sido o pioneiro dos gravadores de home video facilmente programáveis, o TiVo tem enfrentado dificuldades financeiras, especialmente porque a DirectTV cancelou suas promoções de TiVo e começou a vender gravadores próprios.

Todavia, alguns avanços elegantes o distinguem dos concorrentes genéricos.

Um é a programação online, a resposta para aquele pesar moderno de ter saído de casa e esquecido de ter programado o TiVo para gravar um programa. De uma conexão de Internet em qualquer lugar do mundo, você pode programar seu aparelho em casa como se estivesse diante dele.

Outra inovação recente do TiVo é a opção de rede doméstica, que permite que você transfira os programas gravados para seu computador, usado Wi-Fi ou alguma outra rede. Os arquivos são enormes, geralmente 1 gigabyte por hora de transmissão.

Eles também possuem características de segurança que os impedem de serem repassados para outros usuários, ao estilo Napster. Mas o dono do TiVo pode facilmente levar consigo os programas para assisti-los no laptop enquanto viaja, ou queimá-los em DVDs para assisti-los em outro lugar.

O próximo é um azarão realmente obscuro: um software chamado BrainStorm, criado e vendido por dois programadores independentes na Inglaterra. Seu tipo de elegância, diferente do estilo e acabamento do Mac ou do TiVo, está em sua beleza funcional despojada de uma faca excelentemente afiada.

O BrainStorm é um retorno aos primórdios da computação pessoal, e lembra programas notáveis da era DOS, como XyWrite e GrandView. Sua tela é apenas de texto, sem gráficos, e a única coisa que ele faz é gerenciar listas --de idéias, tarefas, referências, nomes. Por trás desta simplicidade está um poder surpreendente, como descobri após comprá-lo após a recomendação de um amigo, vários meses atrás. O programa torna muito fácil e rápido adicionar, subtrair, rearranjar ou reconsiderar informação com a qual você está trabalhando.

O BrainStorm não é para todos. Felizmente, ele oferece uma amostra gratuita por 30 dias. O preço normal é 40 libras, ou cerca de US$ 70, mas ele sai pela metade se você for até a página Brainstormsw.com/welcome.html e entrar o código "secreto" 2534. (De forma excêntrica, a empresa prefere este artifício de desconto em vez de simplesmente promover a oferta.)

Coincidindo com o lançamento do mais recente BrainStorm há duas novas versões melhoradas de dois outros programas semelhantes. Eu já mencionei antes. Um é o MindManager, um líder de mercado na organização gráfica de idéias. Sua mais recente versão, 6.0, possui muitas funções novas --incluindo uma que permite a inclusão de uma planilha Excel em um mapa de idéias-- e sua autora, a Mindjet de Larkspur, Califórnia, o disponibiliza para teste gratuito por 21 dias.

O outro programa, o ResultsManager, da Gyronix, outra minúscula empresa britânica, pode facilmente analisar dados em um grande número de arquivos MindManager e criar "painéis" mostrando, digamos, que atividades estão marcadas para a próxima terça-feira. Sua nova versão está disponível para teste gratuito por 21 dias no site Gyronix.com. A abordagem ricamente visual destes dois programas é o oposto da abordagem do BrainStorm, mas eles devem se conectar com partes diferentes do meu cérebro, porque eu uso todos os três com freqüência.

Mais uma atualização: o ex-presidente democrata Jimmy Carter (revelação: eu já trabalhei para ele como redator de discursos) se qualifica como elegante pela forma como tem conduzido sua pós-presidência. Ele se qualifica como um azarão porque --ora, todos sabem.

Em setembro, ele e James A. Baker III, o ex-secretário de Estado, divulgaram um relatório sobre como tornar o sistema eleitoral mais confiável. Baker tem sua própria perícia, tendo orientado a equipe Bush na recontagem de 2000 na Flórida.

Grande parte da discussão sobre o relatório tem se concentrado na sua recomendação de criação de um cartão de identidade nacional. Mal foram notadas suas propostas para tornar a votação eletrônica à prova de manipulação e mais confiável, como foi discutido aqui no outono passado -especialmente ao exigir comprovantes impressos, como os emitidos pelos caixas eletrônicos, para criar um rastro auditável.

O relatório está disponível no site da Universidade Americana, no endereço www.american.edu/Carter-Baker. Ele merece uma maior atenção. George El Khouri Andolfato

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