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06/10/2005

Conservadores inquietos com a escolha de Miers

The New York Times
David D. Kirkpatrick

Em Washington
Um crescente coro de conservadores, de senadores republicanos ao colunista George Will, expressou ceticismo nesta quarta-feira (05/10) com a escolha pelo presidente Bush de Harriet E. Miers para a Suprema Corte, manifestando preocupação não apenas com as perguntas não respondidas sobre seu conservadorismo, mas também com suas credenciais legais.

"Há muito mais pessoas --homens, mulheres e minorias-- que são mais qualificadas, na minha opinião, por sua experiência do que ela", disse o senador Trent Lott, republicano do Mississippi, para a "MSNBC" na quarta-feira. "No momento, eu não estou satisfeito com o que sei. Eu não estou à vontade com a indicação, de forma que teremos que aguardar o processo."

O senador George Allen, republicano da Virgínia, considerado um candidato potencial à presidência, disse que "pessoas pelas quais tenho grande admiração" disseram estar "decepcionadas" com a escolha.

"Eu quero ter certeza de que ela não será outro Souter", disse Allen, se referindo ao ministro David H. Souter, um juiz nomeado por George H.W. Bush que manteve os direitos de aborto e outros precedentes liberais. "Eu entendo que o presidente a conheça bem, mas eu não."

Enviado para promover apoio em uma reunião semanal de grupos de defesa conservadores, convocada pelo estrategista Grover Norquist, Ed Gillespie, o ex-presidente do Partido Republicano que está ajudando a guiar Miers pelas audiência no Senado, foi crivado de críticas de que o presidente fracassou em escolher tanto um conservador assumido quanto um astro legal.

"Há basicamente uma unanimidade", disse um conservador que participou do encontro e que falou sob a condição de anonimato, pois confidencialidade era uma condição para o encontro. "O moral está baixa no momento nas bases."

Enquanto isso, Miers continuava circulando no Capitólio. O senador Mike DeWine, republicano de Ohio, a considerou "durona" após um encontro de uma hora com ela. Respondendo às críticas de que Miers nunca foi uma juíza, DeWine elogiou a amplitude de sua experiência prática na Casa Branca e em sua longa carreira como advogada privada. "Ela é alguém que já saiu de madrugada para tirar alguém da cadeia", DeWine disse que ela lhe contou.

Nenhum dos senadores que falaram com ela disse ter discutido questões constitucionais. "Ela escuta mais do que fala", disse o senador Orrin Hatch, republicano de Utah.

Os democratas, encantados com a divisão na direita, pressionaram Miers a repudiar os relatos de que o governo, por meio de conversas privadas ou telefonemas, tem buscado tranqüilizar os conservadores sobre seus pontos de vista. "Nenhum indicado para a Suprema Corte deveria ser conduzido por piscadelas e balanço de cabeça", disse o senador Patrick Leahy, de Vermont, o líder da bancada democrata no Comitê Judiciário.

"Eu disse: 'Alguém foi autorizado a falar em seu nome, ou você falou com alguém sobre como você votaria?' Ela me assegurou que não."

Mas os democratas se mantiveram principalmente de lado, enquanto os conservadores atacavam a indicação. George Will, um ensaísta conservador, argumentou em uma coluna publicada em vários jornais, na quarta-feira, que "não há evidência de que ela está entre as principais luzes da jurisprudência americana, ou que ela possui talentos à altura das tarefas da Suprema Corte".

Se uma centena de peritos legais recomendassem cada um uma centena de candidatos à Suprema Corte, escreveu Will, "o nome de Miers provavelmente não apareceria em qualquer um dos 10 mil lugares destas listas".

Gillespie, que também participou de um almoço com os republicanos do Senado para argumentar a favor de Miers, reconheceu "questões agudas" na reunião conservadora daquela manhã. Ele disse que falou para as pessoas na reunião sobre a "carreira distinta" dela como advogada, seu trabalho "ombro a ombro com o presidente" e seu trabalho central "promovendo candidatos conservadores ao Judiciário federal".

"Quanto mais as pessoas do lado conservador souberem sobre ela, mais forte será seu apoio", disse Gillespie.

Os cristãos conservadores, que consideram a cadeira aberta pela ministra Sandra Day O'Connor como uma chance-chave de mudar a maré em 30 anos de guerra cultural em torno do aborto e outras questões sociais, continuaram se queixando de que Miers não deixou nenhum registro público de sua posição legal sobre tais assuntos.

O dr. James Dobson, fundador e presidente da Foco na Família e um dos poucos cristãos conservadores proeminentes a apoiar publicamente a escolha de Miers, disse em seu programa de rádio, na quarta-feira: "Há uma tempestade de atividade desde então. Esta indicação enfureceu e desiludiu muitos conservadores, muitos cristãos conservadores".

Explicando os motivos para seu apoio, Dobson disse: "Ela é uma cristã profundamente comprometida. Ela crê em Jesus Cristo desde o final dos anos 70. Eu conheço a pessoa que a conduziu ao Senhor. Eu conheço a igreja que ela freqüenta. Eu sei que é uma igreja muito conservadora". Ele acrescentou: "Eu tenho conservado prolongadamente com as pessoas que a conhecem há muito tempo, 25 anos. Eu confio nestas pessoas".

Dobson reconheceu ter conversado sobre a indicação com Karl Rove, o principal conselheiro político do presidente, mas se recusou a revelar o conteúdo da conversa. "Você terá que confiar em mim a respeito disto", disse Dobson, acrescentando que se estiver errado, "o sangue daqueles bebês" --fetos abortados-- "estará em certo grau nas minhas mãos".

Mas Gary Bauer, presidente da Valores Americanos e um ex-candidato cristão conservador à indicação presidencial republicana, disse que continua não convencido a respeito de Miers, dizendo que posições religiosas não prevêem decisões legais.

"Até hoje, nenhum amigo, associado, companheiro de trabalho ou funcionário da Casa Branca foi capaz de apresentar uma frase que ela tenha escrito ou dito criticando (a decisão) Roe versus Wade (que garante o aborto)", ele escreveu em um boletim por e-mail para seus simpatizantes. "O aparente silêncio dela é perturbador --pelo menos para mim."

Após deixar o almoço com Gillespie, o senador John Thune, republicano de Dakota do Sul, disse também estar preocupado com a indicação. Os republicanos que têm buscado tranqüilizá-lo sobre ela até o momento não trataram das preocupações com suas posições legais.

"Tem sido mais na linha de que ele é brilhante, ela é qualificada, ela é genuína", disse ele, acrescentando que "uma batalha destrutiva, direita contra direita mais branda, não é de ajuda, mas com sorte isto desaparecerá". Para direitistas, indicada à Suprema Corte não prova ser uma deles George El Khouri Andolfato

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