UOL Notícias Internacional
 

06/10/2005

Fotografia digital dá um grande passo para frente

The New York Times
David Pogue

Colunista de tecnologia
Se você tivesse perguntado a uma câmera digital da era pré-2005 o que ela gostaria de ser quando crescesse, a máquina provavelmente lhe responderia: "Uma câmera de filme". Durante os seus primeiros dez anos de existência, os modelos digitais lutaram para imitar a aparência, as características e a qualidade das câmeras de filme.

The New York Times 
A Sony DSC-N1, no alto e no centro, e a nova Kodak EasyShare One, que trazem transformações radicais
Mas as digitais passaram a ser mais vendidas que as câmeras de filme há dois anos, e, atualmente, a maioria das pessoas se convenceu de que as digicams alcançaram a qualidade do filme. Pela primeira vez, as fabricantes de máquinas fotográficas estão começando a perguntar o que virá a seguir. "Estes são artefatos digitais, com possibilidades digitais. Vamos conduzir este jogo à próxima etapa".

Peguemos, por exemplo, a nova Kodak EasyShare One (recém lançada no mercado por US$ 600) e a Sony DSC-N1 (US$ 500; anunciada na última segunda-feira; estará disponível nas lojas em novembro). Cada uma introduz a mesma mudança radical na missão de uma máquina fotográfica digital: em vez de simplesmente obter fotos, elas são projetadas para exibi-las de maneiras jamais feitas por nenhuma outra câmera.

Por exemplo, cada uma possui uma tela grande, de um tamanho inusual (três polegadas, ou 7,62 centímetros, diagonalmente). Como isso faz com que haja pouco espaço para controles físicos, a tela é também sensível ao toque.

Cada câmera é também um álbum de fotos digitais. Além de contarem com uma fenda para a inserção de um cartão de memória tradicional (formato SD na Kodak, e Memory Stick Duo na Sony), cada uma delas contém memória interna suficiente para armazenar centenas de suas fotos favoritas (os 26 megabytes de memória da câmera da Sony são suficientes para a armazenagem de cerca de 500 fotos, com resolução suficiente para preencher a tela da máquina. Já os 256 megabytes da Kodak possibilitam a armazenagem de até 1.500 fotografias de qualidade ligeiramente superior, e suficiente para que se façam pequenas cópias).

Ambas a câmeras fazem exibição de slides, seja na tela da câmera, seja em um aparelho de TV. Este recurso é dotado de belas transições visuais. A Sony chega a tocar música durante a apresentação dos slides, na forma de seleções pré-inseridas na câmera ou em arquivos de MP3 armazenados no computador do usuário.

Em suma, a EasyShare One e a Sony N1 são a resposta da era digital aos envelopes cheios de cópias fotográficas feitas a partir de revelações de filmes.

(Como se tais evoluções não fossem suficientes, a Kodak oferece mais outra idéia radical: o aparelho pode ser conectado à Internet sem fio).

Em geral, o conceito de câmera-como-galeria funciona muito bem. As telas grandes, bonitas, que são ainda mais brilhantes ao ar livre, recompensam duplamente o usuário. Primeiro, elas funcionam de fato como excelentes máquinas de slides. Segundo, são extremamente úteis quando se está compondo e batendo fotografias. Os tradicionalistas devem notar, no entanto, que nenhuma das câmeras possui um visor ocular. É necessário usar a tela para a composição das fotos.

O conceito de tela sensível ao toque também é, de maneira geral, um sucesso. A maior parte dos botões virtuais da tela é grande o suficiente para que possam ser apertados com os dedos. Cada uma das máquinas fotográficas vem com uma pequena caneta, que raramente é necessária (a exceção: quando se adicionam e-mails e senhas na Kodak, é necessário que se use um pequeno teclado alfabético virtual que aparece na tela. A menos que os seus dedos sejam finos como limpadores de cachimbo, você precisará da canetinha).

A tela de toque da Kodak é útil principalmente em duas situações: quando se opera os controles da tela, ou quando se "vira a página" durante a exibição das fotos.

Mas a Sony avançou bem mais em termos de explorar os recursos de toque de tela. Por exemplo, ao passar o dedo na tela o usuário faz com que os filmes digitais avancem ou retrocedam rapidamente. Quando se compõe uma foto, é possível também dar um toque na câmara para se especificar um "foco localizado" (em um objeto que esteja fora do centro da fotografia) ou "exposição localizada" (quando um objeto fica obscurecido devido a um fundo brilhante). Usando a canetinha ou a unha, o usuário pode até desenhar ou escrever sobre as fotos, saciando assim aquele desejo há muito reprimido de rabiscar bigodes nas faces dos parentes.

Mesmo assim, a tela sensível ao toque causa às vezes problemas que não compensam as vantagens. Por exemplo, para se ativar os controles de ajuste de exposição da Sony é necessário que se aperte um botão na câmera, que se toque na tela e, depois, que se pressionem repetidamente setas que apontam para cima ou para baixo. É muita complicação.

A similaridade da idéia central das duas companhias é surpreendente. Considerando quando tempo transcorre para o desenvolvimento um modelo de câmera --cerca de dois anos em segredo absoluto--, a coincidência de momento e conceito é incrível. Será que existe algo como um círculo de espionagem no setor de câmeras digitais?

Mas tão logo se deixe para trás o conceito de "câmera funcionando como o observador", elas são surpreendentemente dissimilares. Feita de plástico e metal, com dimensões 10,4 cm x 6,35 cm x 2,54 cm, a retangular Kodak parece ser volumosa quando colocada ao lado da Sony, mais esguia e fabricada em metal escovado (dimensões 9,65 cm x 6,09 cm x 2,28 cm).

Parte do volume da Kodak se deve à sua tela que se abre como uma pequena porta dotada de dobradiças. Quando fechada, a tela é protegida de objetos pontudos que estejam no bolso ou na bolsa do usuário. Quando se abre a tela, a câmera é ligada --uma característica interessante. Esta tela que funciona como portinhola é de grande ajuda quando se faz tomada com a câmera posicionada acima do fotógrafo-- ela é boa para se fotografar um desfile quando há pessoas altas à sua frente. Mas, estranhamente, ao contrário das telas que se abrem nas outras câmeras, esta não gira no sentido oposto. Ela não permite que se tirem fotos a partir de um ângulo baixo sem que o usuário realmente se agache.

Como dez meses se passaram desde que o protótipo da EasyShare One foi revelado pela primeira vez, as duas câmeras também estão separadas por um abismo tecnológico.

A EasyShare só tira fotos de quatro megapixels. Já a Sony, apesar de custar US$ 100 a menos, permite a obtenção de fotos de oito megapixels (megapixels não são tudo. Mas a resolução extra pode ser útil quando se deseja grandes ampliações ou, mais comumente, o corte de cenas de fundo indesejadas, sem que isto implique em tal perda de pixels que uma cópia decente se torne inviável).

Como se pode ver na apresentação de slides no site www.nytimes.com/circuits, nenhuma das câmeras fará com que o usuário acredite ser um fotógrafo da "Sports Illustrated", mas ambas são excelentes para fotos amadoras. No entanto, em situações de pouca luminosidade, a Sony supera em muito a Kodak. Isso se deve em parte ao fato de o seu sensor ser mais sofisticado, e também à presença de uma lâmpada de auxílio de focagem que funciona em condições de obscuridade, nas quais a Kodak só é capaz de fazer uma adivinhação grosseira.

A Sony também oferece alguns controles manuais para saturação, contraste, abertura, nitidez, intensidade do flash e foco manual.

A Kodak não conta com tais controles. Ela oferece, no entanto, mais regulagens padronizadas do que a Sony (praia, retrato, e assim por diante). Uma dessas regulagens, apropriadamente denominada "polite" ("educada"), garante que o flash e o alto-falante da câmera não serão ativados --uma opção útil em museus, bibliotecas e igrejas.

A Kodak também está mais bem equipada para o registro de imagens esportivas. O seu modo "burst" (duas fotos por segundo) deixa a Sony (uma foto a cada 1,1 segundo) para trás. Ela é capaz de disparar enquanto o fotógrafo pressionar o botão disparador - mas, em tal caso, retêm na memória apenas as cinco últimas fotografias. Esse recurso é ideal para quando o usuário aguarda que o vagão da montanha russa saia de um túnel com os seus filhos.

Ambas as câmeras fazem vídeos de tela inteira de TV e com movimentação integral. Mas ao contrário da maioria das câmeras digitais, a EasyShare One permite que o usuário aproxime a imagem e modifique o foco enquanto filma. O preço pago por tais recursos é o som irritante do mecanismo ótico que fica registrado no áudio.

Porém, a maior novidade da EasyShare One é a sua pequena antena Wi-Fi. Quando ela está levantada, a câmera pode se conectar a pontos remotos de Internet do tipo encontrado em escritórios, salões de hotéis e cafés.

A EasyShare One não é a primeira câmera disponível no mercado a trazer o recurso Wi-Fi. A Nikon P1 foi a pioneira quanto a isso. Entretanto, ela é a primeira capaz de usar o Wi-Fi para se conectar à Internet (em vez de se conectar somente ao seu laptop). Para se ter acesso à maior parte das demonstrações online, é necessário que primeiro se abra uma conta gratuita na kodakgallery.com (antiga Ofoto).

A câmera não se conecta com facilidade igual a todas as redes sem fio. Ela é uma espécie de diva voluntariosa do universo Wi-Fi. Mas, tão logo o usuário esteja online, o envio de fotos por e-mail é fácil. É como enviar fotos tiradas pela câmera de um telefone celular, com a diferença, é claro, que as fotografias da EasyShare não são granuladas e de baixa resolução.

A câmera conta até com um livro de endereços dos fãs das suas fotos. O pequeno teclado virtual poupa tempo ao oferecer "teclas" para expressões e caracteres como "@" e ".com".

A câmera é capaz de transferir com a mesma facilidade fotos selecionadas para um dos álbuns kodakgallery.com do usuário, ou para um computador Mac OS X ou Windows no qual esteja instalado o elegante programa organizador de fotos EasyShare, que vem incluído.

Ainda mais fascinante é o fato de a EasyShare poder também exibir fotos do seu álbum online --fotografias que não estão na câmera. A retirada de cada foto da Internet leva apenas um segundo. Isso significa que cada foto batida pelo usuário estará disponível para exibição sempre que for preciso.

Esses recursos online são fantásticos. Infelizmente, ao tentar reinventar a câmera digital de tantas formas diferentes ao mesmo tempo, a Kodak pode ter mastigado mais do que era capaz de engolir.

A câmera é, com muita freqüência, extremamente lenta. O usuário pode ter que esperar dez segundos ou mais para colocá-la em modo de exibição, já que a máquina insiste em criar pequenos ícones, em vez de simplesmente exibir as fotos mais recentes. Ela leva quatro segundos para apagar uma imagem e 15 para enviá-la por conexão sem fio. A bateria também desaponta. Ela se esgota em uma hora, contra as duas horas e meia no caso da Sony.

Além disso, há o projeto de software. De forma geral, a Kodak fez um trabalho notável ao espremer tantas funções em uma tela de toque de três polegadas. Mas isso significa uma avalanche de funções. O usuário é obrigado a memorizar o equivalente ao sistema operacional inteiro de um palmtop. Os que têm fobia aos excessos tecnológicos passarão por momentos freqüentes de irritação.

Ambas as câmeras fazem com que a fotografia digital dê um passo importante à frente. As duas companhias foram elogiadas pelo arrojo das suas idéias. A Sony N1, no entanto, é superior. Ela bate facilmente a Kodak nos quesitos velocidade, tamanho, resolução, fotografia em baixa luminosidade, duração da bateria, recursos da tela de toque e preço.

A EasyShare One é bem mais ambiciosa, mas o resultado fica prejudicado pelo excesso de compromissos para que esta seja uma câmera satisfatória de uso diário. Porém, há algo que ela faz de maneira espetacular: deixar o consumidor esperando ansiosamente pela EasyShare Two. Sony e Kodak fazem réquiem digital para câmeras que usam filme Danilo Fonseca

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