UOL Notícias Internacional
 

06/10/2005

Todas as mulheres do presidente George Bush

The New York Times
Maureen Dowd

Em Nova York
NYT Image

Maureen Dowd é colunista
Espero que o presidente Bush não tenha outras "esposas de escritório" escondidas na Casa Branca. Existem poucos empregos supremamente poderosos para dar a mulheres que não são qualificadas para eles.

A Ala Oeste é um universo paralelo à Alameda das Glicínias da televisão: em vez de donas de casa desesperadas e indulgentes, atentas para babás sensuais, lá existem babás muito sérias, que se auto-sacrificam servindo como esposas de trabalho adoradoras, atendendo a todas as necessidade políticas, jurídicas e de afirmação do ego de W.

Talvez seja porque sua mãe não foi suficientemente adoradora, mas mais ácida e mesquinha, chegando a dizer a seu filho, o presidente, para não pôr os pés sobre sua mesinha de centro. Ou talvez seja porque, como diz a esposa dele, sua ligação com a mãe lhe dá uma vontade de estar perto de mulheres fortes, "muito naturais".

Mas W. adora estar cercado de mulheres firmes que habitualmente dedicam suas vidas a mimá-lo, como as virgens vestais que guardam o fogo sagrado, servindo como defensoras de seus valores e cães de guarda de sua reputação.

Primeiro ele elevou Condi Rice a secretária de Estado, apesar de ela ter sido ineficaz em seu cargo de assessora de Segurança Nacional, deixando de dar o sentido de urgência às advertências sobre o terrorismo dirigido contra a América antes do 11 de Setembro, e agindo mais como uma capacitadora do que como uma corretora honesta na mobilização para invadir o Iraque.

Mas o que eram essas limitações, considerando o tempo que a solteirona "workaholic" passou ao lado de W. em Crawford e em Camp David, assessorando-o em relações exteriores, conversando sobre esportes, exercitando-se com ele, fazendo-o sentir-se o homem mais ponderado e previdente do mundo?

Depois ele elevou sua antiga assessora, redatora de discursos, "ghostwriter" biográfica e líder de torcida Karen Hughes a subsecretária de Estado para diplomacia pública, embora seja extremamente duro para a texana de 1,80 metro tentar enganar um bilhão de muçulmanos dos quais ela não entende patavina.

Mas quem se importa com sua falta de experiência em um cargo tão crítico, desde que a leal "workaholic" continue fazendo seu velho chefe sentir-se o homem mais ponderado e previdente do mundo?

E agora ele nomeou sua conselheira da Casa Branca e ex-advogada pessoal Harriet Miers para um lugar crucial na Suprema Corte. A impassível texana, chamada de "Harry" pelos velhos amigos, é uma solteirona conhecida por trabalhar muitas horas, às vezes 16 por dia, e era uma convidada freqüente em Camp David e no rancho de Crawford, onde ajudava W. a limpar o mato.

Assim como Hughes e Laura Bush, ela se formou na Southern Methodist e sempre esteve à disposição de W. Em 1998, quando ele disputou a reeleição para governador, Harry lidou com as primeiras perguntas sobre se Bush tinha recebido tratamento privilegiado para entrar na Guarda Nacional Aérea do Texas, evitando o recrutamento militar.

Embora a ex-democrata tenha ajudado Al Gore em 88, ela passou no teste de lealdade a W. durante o impasse Bush-Gore em 2000, quando recrutou advogados conservadores para trabalhar para o clã Bush em Tallahassee, Flórida.

Mas quem se importa que ela não tenha experiência jurídica, que ninguém saiba em que ela acredita ou que decisões tomará atrás de uma bancada onde nunca esteve, se o motivo de suas opiniões serem tão misteriosas é que ela as subordina a W., fazendo-o sentir-se o homem mais ponderado e previdente do mundo?

David Frum, ex-redator de discursos da Casa Branca e comentarista conservador, relatou em seu blog que Miers certa vez lhe disse que W. era o homem mais brilhante que ela conhecia.

Bushie e Harriet compartilham a mesma fé cristã renovada, que eles encontraram na metade da vida, decidindo adotar Jesus Cristo como seu salvador. O "Washington Post" relatou que ela freqüenta a Igreja Cristã Valley View em Dallas, "onde às vezes distribuem literatura antiaborto e projetam fitas do grupo conservador Focus on the Family", e onde, quando ela volta, Miers pede aos fiéis que rezem por ela e pelo presidente.

Nascida católica, ela mudou para o cristianismo evangélico com seus 30 anos e passou a se identificar mais com os republicanos do que com os democratas, disse o The New York Times na quarta-feira; ela participou do comitê das missões de sua igreja, que foi contra a legalização do aborto, e um ex-associado político disse que Miers lhe contou que foi a favor do direito da mulher a praticar aborto quando era jovem, mas que suas opiniões contra o aborto endureceram desde que ela se tornou uma cristã renovada.

W. está pedindo um triplo salto de fé. Ele tem fé em Miers como sua advogada e como uma mulher que compartilha sua fé. E espera que tenhamos fé na fé dele e na dela, e nas opiniões dela que derivam de sua fé e que podem mudar o equilíbrio do tribunal e afetar os direitos das mulheres na próxima geração.

É um pouco de fé demais, não é? Fé da indicada à Suprema Corte pode afetar direito das mulheres Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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