UOL Notícias Internacional
 

07/10/2005

Brasil considera sanções comerciais contra EUA

The New York Times
Joel Brinkley

Em Brasília
Quando Robert Zoellick, o vice-secretário de Estado americano, chegou aqui na quinta-feira (06/10) para uma visita de boa vontade, o Brasil pediu à Organização Mundial do Comércio o direito de impor sanções comerciais contra os EUA de pouco mais de US$ 1 bilhão, por causa de uma antiga disputa sobre subsídios ao algodão.

Os dois países preferiram retratar o momento como uma coincidência, mas a disputa obrigou Zoellick a reagir ao pedido de sanções em algumas das reuniões que teve no país. Ele emitiu opiniões fortes e fez ameaças pouco veladas.

Zoellick, que foi representante comercial dos EUA antes de assumir seu atual cargo, no início do ano, advertiu que o Brasil deveria pensar cuidadosamente antes de pedir sanções, sugerindo que elas poderão provocar uma guerra comercial. "Francamente, acho que a retaliação é contraproducente", ele disse em uma reunião com jornalistas brasileiros na tarde de quinta-feira.

Mais tarde, durante uma entrevista coletiva, ele sugeriu que Washington poderia decidir eliminar as preferências comerciais que permitem que o Brasil exporte mais de US$ 2 bilhões em produtos para os EUA livres de impostos, acrescentando: "Quando um lado faz retaliações, quem sabe o que o outro lado fará?"

A secretária de Estado Condoleezza Rice, que visitou o Brasil na última primavera, e outras autoridades americanas se esforçaram nos últimos meses para pintar as relações com o Brasil como calorosas, amistosas e crescentes. Mas mesmo sem a disputa sobre as sanções comerciais as reuniões de Zoellick passaram uma visão mais sombria.

"Nos últimos quatro anos se perdeu o impulso", disse Rubens Barbosa, que foi embaixador do Brasil nos EUA até o ano passado. "Houve muitas oportunidades desperdiçadas. Nas relações bilaterais não aconteceu muita coisa." Os EUA e o Brasil formaram comissões para abordar várias questões comuns, ele acrescentou, mas "elas não avançaram. Estamos arrastando os pés".

Barbosa falou durante uma reunião entre Zoellick e cerca de 20 brasileiros importantes nos negócios, na política e nas universidades.

Pelas regras da reunião, os comentários dos participantes além de Zoellick poderiam ser citados sem identificação específica. Em separado, Barbosa concordou em ser citado pelo nome.

Zoellick disse aos brasileiros que as empresas americanas queixam-se freqüentemente das altas barreiras comerciais e dos mercados fechados no Brasil, do roubo flagrante de propriedade intelectual e da venda no mercado paralelo de computadores e outros equipamentos de marcas registradas. "Se você tentar penetrar, não é um mercado aberto e competitivo", ele disse.

Um empresário brasileiro reconheceu: "É muito duro entrar nesse mercado, é verdade. Mas se você conseguir vai ganhar muito dinheiro".

Sobre o pedido de sanções do Brasil, feito em Genebra na quinta-feira, Zoellick notou que o Congresso americano está discutindo uma lei para reformar o programa de subsídios ao algodão, que segundo os brasileiros fornece subsídios generosos para os agricultores americanos. As sanções, ele disse, só deveriam ser usadas contra países que não dialogam ou não se esforçam para resolver a disputa.

"Um passo no sentido da retaliação pode dificultar a solução do problema", ele disse. O pedido de sanções poderia irritar o Congresso e torná-lo menos propenso a aprovar a lei do subsídio ao algodão, acrescentou.

Zoellick fez elogios efusivos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se recusou a dar uma opinião sobre o escândalo de corrupção que é o tema predominante nas conversas no país. Como Rice, ele disse várias vezes que é notável que um líder liberal como Lula tenha defendido o processo democrático, ao contrário de outros líderes de esquerda na América Latina.

Mas Zoellick foi dúbio quando avaliou a relação mais ampla entre os EUA e o Brasil: "Não é ruim. Apenas não atingiu seu potencial". Vice-secretário de Estado americano diz que pode haver retaliação Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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