UOL Notícias Internacional
 

07/10/2005

Bush diz ter impedido ações terroristas após 11/9

The New York Times
David E. Sanger

Em Washington
Na quinta-feira (06/10), o presidente Bush tentou voltar a atenção americana para o terrorismo, declarando em um discurso que os Estados Unidos e seus parceiros desbarataram 10 planos sérios desde os ataques de 11 de setembro de 2001.

A Casa Branca disse que entre eles estava um esforço fracassado, em 2002, de usar aviões seqüestrados para atacar "alvos na Costa Oeste" e um plano semelhante na Costa Leste, em 2003.

O plano de 2002 pareceu ser a revelação mais significativa, e autoridades de contraterrorismo disseram na noite de quinta-feira que ele foi liderado por Khalid Sheikh Mohammed, que supostamente foi o mentor dos ataques de 11 de setembro e que só foi capturado em 2003, no Paquistão.

Uma lista, produzida às pressas várias horas depois do amplo discurso de Bush, também incluía alguns casos já conhecidos, como o que levou à prisão, em maio de 2002, de Jose Padilla, que autoridades da inteligência disseram que estava explorando a possibilidade de detonar uma bomba suja em uma cidade americana. Não ficou imediatamente claro se os outros itens na lista representavam ameaças significativas.

Bush usou seu discurso, perante o Fundo Nacional para a Democracia, em Washington, para alertar que a Síria e o Irã se tornaram "aliados de conveniência" dos grupos terroristas islâmicos, parecendo aumentar a pressão política sobre ambos os países.

Ele disse que "os Estados Unidos não fazem distinção entre aqueles que cometem atos de terror e aqueles que os apóiam e lhes dão abrigo", alertando que "o mundo civilizado deve cobrar a responsabilidade de tais regimes".

Um alto funcionário da Casa Branca disse na noite de quinta-feira que o discurso de 40 minutos do presidente sobre a Al Qaeda e o Iraque veio do desejo de Bush de lembrar aos americanos que, após "muitas distrações" nos últimos meses, o país ainda está sob ameaça, e que não tem escolha a não ser permanecer no Iraque para que a Al Qaeda não o use como base para treinamento de ataques contra os Estados Unidos e seus aliados.

O discurso de Bush ocorreu no dia de um grande alerta de terror envolvendo uma possível ameaça de bomba no metrô de Nova York, e enquanto altos funcionários do governo descreviam um alerta de um importante líder da Al Qaeda para outro, de que ataques contra civis e execuções gravadas em vídeo, cometidas por seus seguidores, poderiam ameaçar sua causa.

O alerta de Ayman Al Zawahiri a Abu Musab Al Zarqawi, o alto líder militante no Iraque, foi feito em uma carta de 6 mil palavras, datada do início de julho, que foi obtida pelas forças americanas que conduzem operações de contraterrorismo no Iraque, disse o funcionário.

Os alertas de Bush sobre a necessidade de maior atenção americana ao que chamou de "esta luta global", e a divulgação da informação sobre os planos antigos que a Casa Branca relutava em discutir por motivos de segurança, surgiram em um momento de grandes críticas à forma como Bush está conduzindo a guerra no Iraque e o esforço mais amplo contra o terrorismo.

Também ocorre no momento em que ele está tentando sanar as divisões dentro de seu próprio partido em torno de sua indicação para a cadeira na Suprema Corte, e enquanto enfrenta queixas sobre a resposta do governo ao furacão Katrina.

Uma pesquisa divulgada pela "CBS News" na noite de quinta-feira indica que o índice de aprovação de Bush caiu para 37%, e que a desaprovação à forma como ele está lidando com o terrorismo está mais alta do que nunca.

Os democratas foram rápidos em responder a Bush, dizendo que ele estava se esquivando dos grandes erros táticos e estratégicos cometidos no Iraque, e que a Al Qaeda só começou a operar lá depois da invasão americana.

Harry Reid, o líder democrata, disse: "A verdade é, os erros do governo na guerra no Iraque nos deixaram menos seguros, e o Iraque corre o risco de se tornar o que não era antes da guerra: um local de treinamento para terroristas". Reid disse que é vital que o governo mude seu curso de ação no Iraque.

De modo incomum, Bush citou Osama Bin Laden, o líder da Al Qaeda, cinco vezes em seu discurso, citando até mesmo as próprias declarações de Bin Laden para apoiar seu argumento de que grupos terroristas, inspirados pela Al Qaeda, estavam tentando "escravizar países inteiros e intimidar o mundo", começando pelo Iraque.

"Eles conseguiram sua meta, por algum tempo, no Afeganistão", disse Bush sobre o país que serviu como santuário para Bin Laden até a invasão liderada pelos Estados Unidos, no final de 2001. "Agora eles voltaram sua atenção para o Iraque. Bin Laden declarou: 'O mundo todo está assistindo esta guerra e os dois adversários. É vitória e glória ou miséria e humilhação'."

Bush prosseguiu comparando os líderes militantes islâmicos --a certa altura ele uso a frase "islamofascismo"-- com Hitler, Stalin e Pol Pot, e disse que sua ideologia, "como a ideologia do comunismo, contém contradições inerentes que a condenam ao fracasso".

Ele rebateu os críticos que argumentam que Bush combinou deliberadamente a batalha contra o terrorismo com a questão da permanência no Iraque, uma questão em torno da qual membros de seu próprio partido estão cada vez mais divididos. Ele disse que aqueles que pedem pela retirada dos Estados Unidos do Iraque, para evitar o incitamento à militância, estão se envolvendo em "uma ilusão perigosa".

"Os Estados Unidos e outros países livres estariam mais seguros, ou menos seguros, com Zarqawi e Bin Laden no controle do Iraque, sua população e seus recursos?" ele perguntou. "Após ter removido um ditador que odiava povos livres, nós não ficaremos assistindo enquanto um novo grupo de assassinos, dedicados à destruição de nosso país, assume o controle do Iraque pela violência."

Bush usou uma linguagem particularmente dura ao se referir à Síria e ao Irã. Apesar do governo ter aumentado constantemente a pressão sobre a Síria nos últimos meses, ele estava evitando, até duas semanas atrás, fazer críticas diretas ao novo governo iraniano, que declarou que nunca abrirá mão de sua capacidade de produzir combustível nuclear. Os Estados Unidos argumentam que o país tem um programa secreto de armas nucleares, o que o Irã nega.

Mas na quinta-feira, Bush abordou o que ele e a Grã-bretanha acusam como sendo o contínuo apoio secreto do Irã aos rebeldes no Iraque. Bush disse que os militantes "foram protegidos por regimes autoritários, aliados de conveniência, como a Síria e o Irã, que compartilham a meta de ferir a América e governos muçulmanos moderados, assim como o uso de propaganda terrorista para atribuir ao Ocidente, à América e aos judeus seus próprios fracassos".

Como já fez antes, Bush comparou a ideologia dos militantes islâmicos com o expansionismo comunista do século 20. Os militantes foram ajudados, ele disse, "por elementos da mídia árabe que incitam o ódio e o anti-semitismo".

"Contra tal inimigo, há apenas uma resposta eficaz: nós nunca recuaremos, nunca desistiremos e nunca aceitaremos nada menos do que a vitória completa."

A Casa Branca não divulgou nenhum detalhe na noite de quinta-feira sobre os dois planos de seqüestro que disse ter desbaratado.

A comissão de 11 de setembro disse em seu relatório, no ano passado, que Khalid Sheikh Mohammed previa originalmente uma operação mais ampla, na qual até 10 aeronaves seriam seqüestradas e lançadas contra alvos em ambas as costas, incluindo prédios na Califórnia e em Washington. Aquele relatório disse que Mohammed descreveu tal plano para seus interrogadores americanos.

Mas não tinha sido revelado anteriormente que Mohammed previa a execução de um novo plano com alvos na Costa Oeste, em 2002, após os ataques de 11 de setembro. Alguns outros planos listados pela Casa Branca já eram previamente conhecidos, incluindo um ataque desbaratado na Grã-Bretanha em 2004.

A lista também incluía outros planos de ataque a bomba a vários locais na Grã-Bretanha em 2004; um ataque ao Aeroporto de Heathrow usando aviões de passageiros seqüestrados, em 2003; atacar ocidentais em vários locais em Karachi, Paquistão, no primeiro semestre de 2003; atacar navios no Golfo Árabe no final de 2002 e 2003; atacar navios no Estreito de Hormuz, onde o Golfo Pérsico se abre no Mar da Arábia, em 2002; e um ataque a um ponto turístico fora dos Estados Unidos em 2003. Presidente afirma em discurso que evitou pelo menos 10 atentados George El Khouri Andolfato

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