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07/10/2005

Democratas devem evitar extremos, diz pesquisa

The New York Times
Robin Toner

Em Washington
Um intenso debate foi novamente aceso dentro do Partido Democrata, com a publicação de um novo estudo segundo o qual os democratas não conseguirão retornar ao poder apenas incentivando as ações dos liberais.

Em contrapartida, eles precisam reconstruir a sua credibilidade em torno da política externa e das questões que dizem respeito aos valores, além de estancar suas perdas entre os eleitores hesitantes, principalmente as mulheres casadas e os católicos romanos.

O relatório, que foi divulgado nesta quinta-feira (06/10) e preparado por encomenda da Third Way (Terceira Via), um grupo político voltado para o planejamento de programas, integrado por democratas centristas, defende, sobretudo, a idéia de que o partido deve se libertar de diversos mitos que foram deixados para considerações futuras depois das eleições de 2000 e de 2004. Entre os mitos, a concepção de que vencer numa época de polarização é mobilizar as bases políticas do partido.

Os autores argumentam que esta estratégia está fadada ao fracasso para os democratas uma vez que existem simplesmente mais eleitores que se identificam com os conservadores do que com os liberais.

Seguindo uma tendência que vem se revelando muito consistente desde meados dos anos 70, cerca de um quinto dos eleitores dizem ser liberais, enquanto cerca de um terço se dizem conservadores e cerca de 45% afirmam ser moderados.

Isso significa, prosseguem os autores do estudo, que os democratas não devem simplesmente estar presentes entre os moderados, e sim arrebatá-los de maneira decisiva.

Os autores deste relatório, William Galston e Elaine Kamarck, ambos veteranos da administração Clinton que atuaram na Casa Branca, explicam que eles encontraram o Partido Democrata em melhores condições, hoje, em termos de política presidencial, do que ele estava em 1989, quando eles redigiram uma análise similar que desempenhou um papel decisivo nas reflexões dos democratas em torno da campanha de 1992.

O partido consolidou suas conquistas na Califórnia e numa grande parte do Nordeste, explicam os autores, e o presidente Bill Clinton foi bem-sucedido em fortalecer a imagem do partido em relação à economia e a outras questões.

Mas, eles acrescentam que outros problemas sérios permanecem, mesmo se muitos democratas tentam negá-los apegando-se ao "mito das drogas para prescrição" --a noção de que o partido pode vencer evitando simplesmente tratar das questões de segurança nacional e concentrando-se no arroz com feijão das questões domésticas.

"O Partido Democrata precisa de uma política externa", afirmou Galston durante a coletiva de imprensa na qual foi apresentado o relatório.

No seu relatório, os autores reconhecem que encontrar um consenso em torno da política externa seria uma meta difícil de alcançar, no momento em que a guerra no Iraque continua sendo uma fonte de sérias divergências.

Mas, escrevem eles, "essa meta não seria mais árdua de atingir do que a luta que Bill Clinton travou quando ele confrontou a sua coalizão com propostas de reforma do modelo de bem-estar social".

Eles defendem que "os democratas devem enfatizar a importância das forças armadas americanas como uma força potencial para a disseminação do bem pelo mundo afora, e que, assim fazendo, eles precisam cativar os 'democratas do tipo Michael Moore' [o cineasta autor do documentário "Farenheit - 11 de Setembro"] que enxergam instintivamente o poder americano como algo suspeito".

Da mesma forma, os autores insistem sobre o fato de que o partido deve repensar seus pontos de vista sobre os valores. Eles argumentam que os democratas "devem evitar ser presos na armadilha dos extremos".

Por exemplo, dizem eles, "eles poderiam continuar a apoiar a parte mais importante do caso Roe versus Wade (que levou à legalização do aborto nos Estados Unidos) e ao mesmo tempo abandonar a sua intransigência em relação a questões tais como o projeto de lei que obriga uma candidata ao aborto notificar seus pais da sua decisão e a questão do aborto caso for comprovado que o bebê que está por nascer irá sofrer de incapacidade irreversível". Especialistas sugerem novas estratégias para eleições presidenciais Jean-Yves de Neufville

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