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07/10/2005

Vacina evita maioria de cânceres de colo de útero

The New York Times
Denise Grady

Em Nova York
Pesquisadores norte-americanos anunciaram nesta quinta-feira (06/10) que uma vacina experimental mostrou ser altamente efetiva na prevenção do câncer de colo de útero (também chamado de câncer cervical) em um estudo de dois anos de duração que envolveu mais de 12 mil mulheres.

A vacina atua tornando a pessoa imune a dois tipos de vírus sexualmente transmissíveis que são os responsáveis pelo maior número de casos da doença. Ela é a primeira vacina testada com sucesso a ser desenvolvida especificamente para prevenir o câncer.

A vacina, denominada Gardasil, é fabricada pela Merck & Co., que pretende solicitar a aprovação do produto à Administração de Remédios e Alimentos (FDA, na sigla em inglês) até o final deste ano. Se a vacina por aprovada, a empresa quer colocá-la no mercado em 2006.

Caso seja amplamente utilizada, a vacina poderá salvar muitas vidas.

Ocorrem anualmente em todo o mundo cerca de 500 mil casos de câncer cervical, e 290 mil mortes. A maioria dos casos e das mortes se dá nos países pobres, nos quais as mulheres não fazem exames Pap regulares, que permitem a detecção de cânceres ou células pré-cancerosas com uma antecedência suficiente para que a doença possa ser curada. Nos Estados Unidos, onde o exame Pap é comum, espera-se que haja 10,4 mil novos casos em 2005, e 3.700 mortes.

"O potencial da vacina, especialmente no mundo subdesenvolvido, e sobretudo se os países dessa região conseguirem superar os problemas logísticos e vacinar as mulheres, poderá ser enorme", afirma Debora Saslow, diretora do departamento de câncer de mama e ginecológico da Sociedade Americana do Câncer. Segundo Saslow, a vacina poderia prevenir pelo menos 70% das mortes causadas pelo câncer cervical.

Mas Allan Hildensheim, epidemiologista do Instituto Nacional do Câncer, advertiu que mesmo se as mulheres forem vacinadas, elas ainda assim precisarão se submeter a exames periódicos para a identificação do câncer cervical, já que a vacina não previne todos os casos da doença.

"Isso não é uma panacéia", alerta Hildensheim.

A vacinação exigirá três aplicações em um período de seis meses. A Merck ainda não disse qual será o preço do produto.

O período ideal para a vacinação das garotas é antes que elas se tornem sexualmente ativas e corram o risco de serem expostas a um dos vírus causadores do câncer, explica Eliav Barr, diretor de pesquisas da Merck. Depois que o câncer surge, é muito tarde para que a vacina ajude. A idade média com a qual as pessoas fazem sexo pela primeira vez nos Estados Unidos é de 15 anos.

Não se sabe ainda quanto tempo durará a proteção conferida pela vacina, e tampouco se doses de reforço serão necessárias, diz Barr.

A vacina atua bem contra os vírus pertencentes a um grupo chamado papiloma vírus humano (HPV). Quase todos os casos de câncer cervical são provocados pelo HPV. Os vírus são sexualmente transmissíveis, extremamente comuns e quase impossíveis de se evitar. Pelo menos a metade dos adultos nos Estados Unidos foi infectada.

Mais de 30 tipos de HPV infectam a área genital humana. Destes, somente alguns tipos causam câncer. Outros provocam verrugas genitais. Um tipo conhecido como HPV-16 provoca 50% dos cânceres cervicais, e o HPV-18 20%. Os outros tipos são responsáveis pelo restante dos casos. Mas mesmo os tipos causadores do câncer são inofensivos na maioria das pessoas porque os seus sistemas imunológicos combatem o vírus.

Porém, o vírus persiste em algumas mulheres, causando crescimentos anormais do tecido do colo do útero (também chamado de cérvix). A maior parte dessas anomalias desaparece, mas algumas se tornam cancerosas.

O Gardasil confere proteção contra o HPV-16 e o HPV-18, que juntos causam 70% dos cânceres cervicais. A vacina é também formulada para prevenir a infecção por dois outros tipos de vírus, o seis e o 11, que são responsáveis por 90% dos casos de verrugas genitais. Os quatro tipos de vírus podem causar crescimentos anormais não cancerosos do tecido do cérvix, que geram enervantes falsos alarmes nos exames Pap. Espera-se que a vacina poupe muitas mulheres do estresse associado aos resultados anormais deste exame.

Os cientistas da Merck deverão apresentar os resultados do estudo de dois anos nesta sexta-feira, em uma conferência sobre doenças infecciosas em São Francisco.

O grupo testado incluiu mais de 12 mil mulheres, com idades entre 16 e 26 anos, de 13 países. A metade delas recebeu o Gardasil, e a outra metade placebos.

Entre as mulheres que receberam todas as três doses da vacina e não apresentaram a infecção por HPV quando teve início o estudo, os pesquisadores não encontraram células pré-cancerosas nem cânceres cervicais associados ao HPV 16 ou 18. Mas entre aquelas que receberam placebos, houve 21 casos.

A descoberta significa que a vacina teve 100% de eficiência na prevenção de cânceres causados pelos tipos 16 e 18. Mas algumas mulheres no grupo vacinado desenvolveram células pré-cancerosas causadas por outros tipos de HPV. A companhia não revelou quantas se enquadraram nesta última situação.

A vacina é feita com proteínas normalmente encontradas na camada externa do HPV. As proteínas, denominadas "partículas semelhantes a vírus", são produzidas por leveduras que se unem a genes virais. Elas provocam uma forte resposta imunológica que pode prevenir a infecção.

Embora a Merck vá, primeiramente, pedir permissão para vacinar meninas e mulheres, a companhia planeja no futuro conseguir aprovação para usar o Gardasil também em meninos e homens. A empresa espera que a vacina seja usada pelo público masculino porque ela é capaz de prevenir as verrugas genitais, que podem se transformar em feias deformidades no pênis.

A vacinação dos homens poderá também conferir proteção às pessoas com quem estes mantêm relações sexuais, que incluem não só as mulheres, mas também os homens que fazem sexo com homens, um grupo que corre risco de desenvolver câncer anal provocado pelo HPV. No entanto, a Merck não divulgou qualquer dado indicando se a vacina funciona para os homens.

Uma outra indústria farmacêutica, a GlaxoSmithKline, também está trabalhando em uma vacina contra o câncer cervical, que não inclui a proteção contra verrugas genitais. Esta companhia não respondeu a vários pedidos da reportagem, feitos por telefone, para prestar informações sobre o estágio de desenvolvimento em que se encontra a sua vacina. Mulheres ficam imunes a 2 tipos de vírus sexualmente transmissíveis Danilo Fonseca

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