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08/10/2005

EUA perderam 35 mil empregos em setembro

The New York Times
Eduardo Porter e Vikas Bajaj

Em Nova York
O emprego sofreu uma retração em um ritmo inesperadamente modesto em setembro, ressaltando a força da economia americana no primeiro amplo retrato desde que o furacão Katrina atingiu a Louisiana e o Mississippi em agosto.

O Departamento do Trabalho divulgou nesta sexta-feira (07/10) que a economia perdeu 35 mil vagas de trabalho em setembro, a primeira retração desde maio de 2003. A taxa de desemprego aumentou pela primeira vez em sete meses, passando de 4,9% em agosto para 5,1% em setembro.

A perda de vagas de trabalho pareceu estar concentrada na área do desastre. Ela foi compensada por um forte aumento da contratação no restante do país, que confirmou a manutenção da força da expansão econômica.

"A economia dos Estados Unidos continua a impressionar por sua resistência", disse Scott Anderson, economista sênior da Wells Fargo, em Milwaukee. "A expansão econômica sobreviverá intacta ao furacão."

Philip L. Rones, vice-comissário do Birô de Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho, disse ao Comitê Econômico Conjunto do Congresso que a o crescimento do emprego fora das áreas diretamente afetadas pela tempestade continuou em um ritmo de cerca de 194 mil novos empregos por mês, a mesma taxa dos 12 meses anteriores. Isto compensou a perda de cerca de 230 mil empregos em folha de pagamento devido ao furacão Katrina.

Além disso, o declínio nas folhas de pagamento não rurais em setembro foi acompanhado por revisões que adicionaram 77 mil empregos às estimativas anteriores de emprego, de julho e agosto.

"Me parecem boas notícias, sem dúvida", disse Richard DeKaser, economista chefe da National City Corp., em Cleveland. "Isto sugere que, fora das áreas mais seriamente afetadas, o mercado de trabalho continua melhorando em um ritmo saudável."

Certamente, o panorama poderia ser pior. As estimativas de emprego de setembro são particularmente cheias de remendos e provavelmente serão revisadas em outubro e novembro. "Não há como termos visto nos dados todas as demissões ligadas à tempestade", disse Jared Bernstein, um economista do trabalho do Instituto de Política Econômica, um instituto de pesquisa em Washington.

Além disso, o relatório de setembro se baseia em levantamentos feitos no início do mês e não leva em consideração o furacão Rita, que atingiu o continente em 24 de setembro e deverá afetar os níveis de emprego em outubro. Mas até agora, os dados indicam que o impacto sobre o emprego foi modesto mesmo nas áreas atingidas diretamente pelo Katrina.

"De certa forma, é quase encorajador ver um número tão pequeno", disse Loren Scott, um consultor de economia e professor emérito da Universidade Estadual da Louisiana, em Baton Rouge, sobre os estimados 230 mil empregos perdidos. Ele notou que 617 mil pessoas estavam empregadas apenas na região metropolitana de Nova Orleans, e grande parte dela foi submersa pelo Katrina. "Os números poderiam ser muito maiores", acrescentou Scott.

Os economistas de Wall Street ficaram igualmente surpresos. Após verem várias semanas de grandes saltos nos pedidos de seguro desemprego, eles esperavam uma queda de cerca de 150 mil empregos em todo o país. Alguns argumentavam que o golpe da tempestade poderia forçar o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, a fazer uma pausa sua longa sucessão de aumentos nas taxas de juros.

Mas o cenário do emprego pareceu confirmar o ponto de vista manifestado pelos diretores do Fed, após a reunião de 20 de setembro, de que o impacto do Katrina sobre a economia em geral seria transitório e de importância limitada.

"Isto coloca um fim ao argumento de que o Fed poderá fazer uma pausa em sua agenda de aumento dos juros para amortecer o impacto", disse Anderson, da Wells Fargo.

Os mercados financeiros reagiram de forma modesta aos mais recentes dados do emprego. O índice de ações Standard & Poor's 500 subiu 4,41 pontos, fechando a 1.195,90. O preço do título de 10 anos do Tesouro apresentou alta moderada.

O efeito do Katrina pôde ser visto na composição de ganhos e perdas de trabalho da indústria. O emprego no setor de lazer e hotelaria, um grande empregador em Nova Orleans, apresentou queda de 80 mil vagas. O emprego no setor de serviços de alimentos caiu 54 mil. Mas os serviços de ajuda temporária apresentaram um aumento de 32 mil vagas, em parte estimulados pelo emprego no esforço de recuperação pós-Katrina.

Recuperação pós-furacão

De forma mais ampla, o setor de construção continuou crescendo em todo o país, adicionando 23 mil vagas de trabalho. O emprego no varejo caiu em 88 mil, após um aumento médio de 18 mil por mês ao longo do último ano. O emprego no setor manufatureiro caiu 27 mil, dos quais 18 mil eram mecânicos da Boeing em greve, que voltaram ao trabalho no final do mês passado.

Os economistas notaram que o crescimento do emprego poderá se recuperar assim que se dissipem alguns dos ventos econômicos contrários. Em particular, o preço do petróleo caiu para abaixo do preço em que estava quando a tempestade atingiu o país, em agosto.

E a experiência de desastres anteriores indica que tende a ocorrer um crescimento do emprego, assim que os esforços de reconstrução se firmarem. Em 1992, após o furacão Andrew ter atingido a Flórida, o crescimento do emprego caiu de 137 mil em agosto para 37 mil em setembro. Mas em outubro, as contratações saltaram para 173 mil.

"Este provavelmente não será muito diferente de outros desastres", disse Michael Strauss, economista chefe do Commonfund. "Ele terá uma maior magnitude. Mas o processo de reconstrução provavelmente fortalecerá o crescimento", a partir do fim deste ano e início do ano que vem.

Pequenas empresas, como empreiteiras e restaurantes na área de Nova Orleans, já não conseguem encontrar trabalhadores suficientes porque grande parte da população ainda não voltou ou não pode voltar para casa, disse R. Charles Hodson Jr., diretor estadual da Federação Nacional das Empresas Independentes na Louisiana.

"Muita gente estava recebendo ligeiramente acima do salário mínimo" antes da tempestade, disse Hodson. "E a FEMA está pagando às pessoas de US$ 9 a US$ 10 por hora para serviços de limpeza."

Mas as novas estimativas do emprego devem ser vistas com uma maior desconfiança do que a habitual. O Departamento do Trabalho teve que fazer várias suposições e ajustes de dados para lidar com o fato de que muitos lares e empresas em Nova Orleans, e parte do Mississippi, não estavam, compreensivelmente, atendendo seus telefones.

Apenas 57% das empresas pesquisadas na Louisiana, para a pesquisa de folha de pagamento, responderam. Apenas 62% responderam no Mississippi, em comparação a uma média nacional de 67%.

O Census Bureau, que realiza uma pesquisa doméstica usada para estimar a taxa de desemprego, fez menos entrevistas que o habitual na Louisiana, Mississippi e Texas. Ele não fez entrevistas nas paróquias devastadas de Orleans e Jefferson, na Louisiana. O birô também não realizou entrevistas em hotéis e abrigos temporários.

"É difícil fazer uma pesquisa nos lares quando os lares não estão lá", disse John C. Robertson, economista sênior do Federal Reserve Bank of Atlanta. "A imprecisão aumentou muito."

Suposições tiveram que ser feitas, o que provavelmente exigirá futuras revisões dos dados. As empresas que não puderam ser contatadas ou checadas foram consideradas como inativas e sem funcionários.

Todos os trabalhadores que estavam recendo salário foram contados como empregados, mesmo se não estivessem trabalhando porque seu empregador estava debaixo d'água e, conseqüentemente, com poucas chances de continuar pagando por muito tempo. "Nós sabemos que não continuará", disse Scott. "Meu palpite é que teremos outra queda quando saírem os números de outubro." Motivo é a perda de 230 mil vagas na área atingida por furacões George El Khouri Andolfato

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