UOL Notícias Internacional
 

08/10/2005

Preso suspeito de ataque terrorista a Nova York

The New York Times
William K. Rashbaum e Douglas Jehl*

Em Nova York
As autoridades americanas prenderam um terceiro suspeito no Iraque na sexta-feira (07/10), enquanto autoridades de inteligência e manutenção da lei trabalhavam para determinar a verdadeira natureza do que as autoridades de Nova York chamaram de primeira ameaça específica ao metrô da cidade, disseram várias autoridades e funcionários do governo.

Os três homens sob custódia no Iraque desde terça-feira, assim como o informante da inteligência militar que é a única fonte de informação que expôs a preocupação de um possível plano de atentado a bomba no metrô, treinaram juntos no Afeganistão no uso de explosivos, segundo um funcionário do governo. O funcionário, que falou sob a condição de anonimato por não estar autorizado a falar publicamente sobre o caso, não disse quando foi que o treinamento ocorreu.

Os mais recentes desdobramentos no Iraque ocorreram enquanto o prefeito Michael R. Bloomberg e seu comissário de polícia, Raymond W. Kelly, defendiam sua decisão de quinta-feira de aumentar a segurança no metrô e alertar a população, apesar do plano ainda não ter sido confirmado.

"Eu posso dizer que recebemos uma informação muito específica e que acreditamos que a fonte desta informação era confiável, de forma que agimos de acordo", disse Kelly durante uma coletiva de imprensa com Bloomberg. Ele acrescentou de forma enfática: "Nós fizemos exatamente a coisa certa".

Uma autoridade federal de manutenção da lei, disse em Washington que o FBI continua investigando agressivamente a ameaça, que o birô tem tratado como "séria" desde os primeiros desdobramentos no último fim de semana.

John Miller, um vice-diretor do FBI e principal porta-voz da agência, disse que os agentes continuam trabalhando no exterior para obter informação. "As operações internacionais continuam, e isto envolve entrevistar pessoas e realizar buscas, e ainda estamos avaliando a ameaça", disse ele.

Todavia, como foi o caso na quinta-feira, existe claramente alguma diferença de opinião sobre a credibilidade da inteligência dentro das agências de contraterrorismo do governo federal.

Uma autoridade federal de manutenção da lei, que também não foi autorizada a falar publicamente, disse que os agentes até o momento "não foram capazes de corroborar quaisquer fatos, de forma que nos leva a acreditar que é falsa".

A possível ameaça, transmitida para as autoridades de Nova York no início desta semana, envolvia informação que pessoas no Iraque, talvez em coordenação com outras nos Estados Unidos, pretendiam usar carrinhos de bebê, pastas e pacotes para detonar múltiplas bombas no metrô da cidade.

Na sexta-feira, surgiram detalhes adicionais sobre a informação que levou ao aumento da segurança e a fonte que a forneceu. As autoridades disseram que o informante forneceu informação precisa para as autoridades de inteligência americanas em pelo menos algumas ocasiões no passado.

O informante, segundo uma autoridade, também se submeteu ao teste do polígrafo no Iraque sobre a informação sobre o suposto plano, dada aos oficiais da Agência de Inteligência da Defesa, apesar de suas declarações sobre outros assuntos durante o exame terem sido considerados inconclusivas.

Um funcionário do governo disse que a fonte também forneceu o nome de uma pessoa que ele identificou como sendo um dos planejadores, que pode ter vindo para Nova York, mas acrescentou que não se sabe se tal pessoa realmente existe.

Um boletim não confidencial sobre a possível ameaça ao metrô foi fornecido na quinta-feira pelo Departamento de Segurança Interna às agência de manutenção da lei e administradores de emergência. Ele dizia que a agência e o FBI tinham dúvidas sobre a credibilidade da ameaça.

Mas ele fornecia certos detalhes, incluindo que a informação sobre a possível ameaça indicava que uma equipe de agentes, "que podem viajar para ou já estarem na área de Nova York", poderia tentar um ataque por volta de 9 de outubro de 2005. Ele também disse que os terroristas podem usar explosivos escondidos dentro ou sob carrinhos de bebê, pastas ou malas, detonados por timer ou controle remoto.

Os primeiros dois iraquianos que foram levados sob custódia, segundo as autoridades de contraterrorismo americanas, foram pegos em uma batida no sul de Bagdá, executada por uma equipe das forças especiais dos Estados Unidos, com apoio limitado da CIA.

O papel da CIA, disseram as autoridades, era basicamente identificar a localização dos suspeitos, após terem sido apontados pelo informante, que trabalha com a divisão de inteligência humana da Agência de Inteligência da Defesa. A batida foi conduzida por comandos militares americanos, disseram as autoridades.

Enquanto prosseguia a investigação e as autoridades defendiam suas ações, os nova-iorquinos enfrentavam outro dia emocionalmente complicado. Enquanto as pessoas seguiam para o trabalho e escola, havia a mistura habitual de desafio, desespero, medo e resignação.

De Columbus Circle, em Manhattan, até Borough Hall, no Brooklyn, policiais ordenavam aos passageiros do metrô que abrissem suas bolsas e pacotes para inspeção. As autoridades de transporte disseram que não notaram nenhuma redução de passageiros, mas não havia estatísticas disponíveis.

Houve um susto em torno de um líquido suspeito, que resultou em um breve fechamento parcial da estação Penn. O serviço nas linhas nº 1 e nº 3 foi suspenso entre as ruas 34 e 96, por cerca de meia hora, por volta das 16h45, após o item suspeito ter sido indicado nos trilhos, perto da rua 50 e Broadway. A linha nº 2 foi brevemente desviada para a linha nº 5, que viaja pelo East Side de Manhattan. O serviço voltou à normalidade cerca de 30 minutos depois.

Algumas linhas de ônibus também pareciam mais lotadas que o habitual. Geoffrey C. Upton, um advogado que trabalha na Câmara dos Vereadores, disse que havia tantos passageiros no ônibus M20, para a zona norte, na noite de quinta-feira, que o motorista irritado disse pelo sistema de comunicação: "Não há nada de errado com o metrô, pessoal!"

Natalie Nagel, uma estudante de doutorado de 27 anos que mora no Lower East Side, disse que se sentiu profundamente assustada, mas decidiu manter sua rotina diária. "Seu mundo fica menor toda vez que você cede ao medo. Ele se torna claustrofóbico demais. Você precisa lidar com isto. Você precisa manter sua rotina diária."

Paul J. Browne, o vice-comissário para informação pública do Departamento de Polícia, disse que o departamento manterá as patrulhas ostensivas no metrô pelo menos até o fim de semana. "O grau com que aumentamos a cobertura ou como cobrimos o sistema de transporte é algo que é revisado diariamente", disse ele.

*Colaboraram Eric Lipton e Eric Lichtblau, em Washington; Jim Rutenberg, Sewell Chan, Colin Moynihan e Janon Fisher, em Nova York. Autoridades prendem 3º acusado de tentativa de atentado no metrô George El Khouri Andolfato

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