UOL Notícias Internacional
 

08/10/2005

Uribe tenta mudar a constituição para ser reeleito

The New York Times
Juan Forero*

Em Bogotá
Levado ao poder em um país quebrado, Álvaro Uribe prometeu em sua posse, há três anos, romper com o corporativismo e o clientelismo que marcaram por tanto tempo a política de vale-tudo da Colômbia.

"Não podemos lutar contra o clientelismo se praticamos o clientelismo", disse Uribe à nação que lhe deu uma vitória avassaladora.

Agora, com apenas 10 meses antes do fim de seu mandato, o governo de Uribe está fazendo forte lobby para que a suprema corte lhe permita concorrer à re-eleição no ano que vem. Segundo os críticos, para isso ele está recorrendo às mesmas táticas às quais se opôs.

Com um índice de aprovação de 78%, ele continua sendo o presidente mais popular da América Latina. Os colombianos e seu principal patrocinador, o governo Bush, apóiam fortemente sua luta contra o tráfico de drogas e rebeldes marxistas. Mas o esforço de Uribe e seus aliados para modificar a constituição e estender sua presidência maculou a imagem de pureza que apresentava.

"Ele ia mudar a política, mas acho que sucumbiu a alguns dos hábitos tradicionais da política colombiana que não são bem vistos", disse Michael Shifter, que avalia os eventos da Colômbia para um grupo de análise de Washington chamado Diálogo Inter-americano.

De fato, as manobras políticas que levaram o Congresso da Colômbia a aprovar uma emenda constitucional permitindo que concorresse à eleição presidencial em maio estão sendo avaliadas pela Corte Constitucional de nove membros, que deve chegar a uma decisão logo. A mídia, grupos cívicos e opositores políticos também criticaram o governo de Uribe pelos esforços agressivos para pressionar os juizes.

No mês passado, o senador Ciro Ramirez, aliado influente do governo, disse que a corte ia decidir contra Uribe e que a desobediência civil era necessária "por meios legais ou extralegais". No dia seguinte, o ministro da justiça e interior, Sabas Pretelt, disse que os juízes estavam sofrendo pressão de guerrilheiros e traficantes que queriam que a reeleição fosse declarada inconstitucional.

"Esses são mecanismos de pressão para desinformar o público, para que vá contra a corte em caso de decisão adversa. Muitas pessoas pensavam que essas práticas iam terminar com Uribe", disse Elisabeth Ungar, professora cujo programa da Universidade dos Andes acompanha o Congresso.

Pressionados pelas críticas, a presidência e seus partidários declararam recentemente que, independentemente do resultado, o governo acatará a decisão da corte. Enquanto isso, alguns congressistas falavam de um referendo nacional que questionasse uma decisão desfavorável.

"Se (os juízes) derrubarem (a emenda), a decisão terá que ser respeitada. Este é um teste muito importante para o país", disse o senador Oscar Ivan Zuloaga, que ajudou a reunir apoio para a reeleição do presidente.

Outros defensores de Uribe se reúnem toda semana diante do vasto Palácio da Justiça para rezar, meditar e acender velas, uma para cada juiz. "A idéia é acender velas, que são símbolos da iluminação em muitas culturas, e pedir que façam a melhor decisão", disse Sandra Cevallos, congressista defensora da emenda de reeleição.

Apesar do esforço para mudar a constituição e permitir a reeleição, o inspetor-geral Edgardo Maya e vários membros do Congresso disseram que os partidários do governo no Congresso podem ter omitido debates, violado regras legislativas e cometido irregularidades nos comitês de conferência. A Corte Constitucional também precisa determinar se a emenda de reeleição vai contra o espírito e princípios da Constituição Colombiana de 1991.

O governo de Uribe, no ano passado, também distribuiu uma dúzia de empregos em embaixadas, consulados e agências do governo a parentes de congressistas. Estes, que inicialmente declararam que votariam contra a emenda, votaram a favor.

Segundo a Comissão Colombiana de Juristas, um grupo de advogados que estudou o processo de votação para dar subsídios a uma ação contra a emenda, os congressistas concluíram que poderiam aprovar a reeleição legalmente. Maya disse em relatório para a Corte Constitucional que uma comissão de ética especial deveria ter decidido, não os próprios congressistas.

"Se uma pessoa tem um interesse pessoal em uma votação, ela não deveria participar dela", disse o senador Carlos Gaviria, ex-juiz da Corte Constitucional e possível candidato à presidência. "Eles estão devolvendo o favor. Como? Votando pela reeleição."

O deputado William Velez Mesa disse que seu voto a favor da emenda era legítimo porque o emprego de seu cunhado no escritório de contas da união não dependia do presidente. "Em nenhum momento o governo influenciou o Congresso a votar" pela emenda, disse ele.

Nancy Patrícia Gutierrez, cuja irmã foi nomeada cônsul em Boston, disse que seus colegas no Congresso seguiram os procedimentos estritamente. "A oposição não tem argumentos para convencer a maioria, por isso recorreu a essas acusações", disse ela.

*Colaborou Jenny Carolina Gonzalez. Líder da Colômbia é acusado de "comprar" deputados com cargos Deborah Weinberg

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