UOL Notícias Internacional
 

11/10/2005

Ferrer acha que o dinheiro o está evitando agora

The New York Times
Diane Cardwell

Em Nova York
Há quatro anos, quando Fernando Ferrer concorreu nas primárias para a prefeitura de Nova York pelo Partido Democrata, alguns dos mais ricos e proeminentes moradores da cidade, muitos deles da indústria imobiliária, o apoiaram, injetando dezenas de milhares de dólares em sua campanha. Na época, seu balanço de doações foi praticamente uma listagem dos poderosos de Nova York, cheia de nomes como Durst, Dolan, Rudin, Wilpon e Trump.

Desta vez, quando Ferrer finalmente tornou-se o candidato democrata, esses proeminentes benfeitores pararam da lhe dar dinheiro. Por medo de retaliação do prefeito Michael R. Bloomberg ou por simples falta de desejo de ver Ferrer substituí-lo, poucos dos grandes patrocinadores que tradicionalmente apoiavam os candidatos abriram suas carteiras para ele.

Na política nova-iorquina, as grandes famílias do setor imobiliário em geral distribuem suas doações entre vários candidatos a prefeito, efetivamente protegendo suas apostas. Certamente foi esse o caso em 2001, quando Ferrer foi ao segundo turno nas primárias, mas perdeu para Mark Green.

Naquele ano, membros da família Dolan, que dirige a Cablevision e o Madison Square Garden, deram à Ferrer US$ 18.000 (em torno de R$ 41.000). Executivos e funcionários da grande imobiliária Tishman Speyer deram a ele US$ 12.500 (aproximadamente R$ 28.000).

O incorporador Douglas Durst e suas filhas doaram cerca de US$ 10.000 (ou R$ 23.000), enquanto Larry Silverstein, outro incorporador, doou US$ 4.500 (aproximadamente R$ 10.000), o máximo que um indivíduo podia contribuir sob as leis eleitorais da época. Até Daniel L. Doctoroff, administrador privado de bens que hoje é vice-prefeito de Bloomberg, deu a Ferrer US$ 2.000 (em torno de R$ 4.600).

Neste ano, eles não deram nada.

A campanha de Ferrer está começando a receber o apoio de figuras nacionais em seu esforço para levantar fundos. Por isso, seus assessores e partidários acreditam que conseguirão angariar o dinheiro necessário, apesar de terem vários obstáculos em seu caminho.

Para começar, um grupo de democratas ricos que promove eventos para levantar fundos se organizou para apoiar Bloomberg, uma medida que privará Ferrer de uma linha de financiamento muito necessária. Além disso, alguns partidários de Ferrer dizem que sua campanha tem se voltado cada vez mais para a esquerda, tanto em seu discurso quanto em sua base, o que deixa alguns potenciais patrocinadores ansiosos, achando que sua prefeitura será ruim para os negócios.

Alguns temem que Bloomberg, que aparece na frente na maior parte das pesquisas, não olhe com bons olhos para aqueles que doarem para seu opositor. Outros potenciais financiadores fazem negócios com a prefeitura ou precisam de aprovação para seus projetos.

"Algumas pessoas me disseram não porque têm medo do prefeito", disse Leo J. Hindery, diretor de levantamento de fundos de Ferrer, citando as indústrias financeira e imobiliária como particularmente difíceis. "Nossa contribuição média é de US$ 300 (em torno de R$ 700). Se uma pessoa com US$ 4.950 (aproximadamente R$ 11.3000) desaparece, temos que encontrar outras 16", disse ele, citando o novo máximo de doação.

"Acho preocupante que o atual prefeito esteja dificultando os esforços de levantamento de fundos para pessoas de opiniões mais progressivas", acrescentou.

"Acho difícil de acreditar. Estamos falando de nova-iorquinos que costumam doar para diferentes campanhas, para vários candidatos, por diversas razões", disse William T. Cunningham, assessor da campanha de Bloomberg. Ele disse que a campanha de Ferrer estava em dificuldades: "Essa campanha está fracassando. Eles não têm feito nada, além de reclamar sobre os locais dos debates, e agora estão reclamando sobre o levantamento de fundos."

Os balanços de campanha divulgados na sexta-feira (07/10) mostraram a profundidade da dificuldade financeira de Ferrer: Ele só angariou US$ 232.000 (em torno de R$ 533.000) desde que venceu a nomeação do partido, no dia 13 de setembro, e tinha apenas US$ 555.000 (aproximadamente R$ 1,2 bilhão) em sua conta na última segunda. Essa quantia deve engordar US$ 316.000 (cerca de R$ 720.000) quando fundos equivalentes do Conselho de Financiamento de Campanha da cidade chegarem, nesta semana.

Os defensores de Ferrer enfatizam a possibilidade de reviravolta, mas admitem que o ritmo lento tem desapontado, especialmente quando previam um grande movimento na campanha quando Ferrer fosse nomeado.

"Acho que no princípio tivemos um momento de paralisia, quando não estava certo se haveria um segundo turno ou não. Acredito que agora as coisas vão melhorar", disse Lewis A. Fidler, do conselho de Brooklyn. "Isso leva tempo. Com certeza a dificuldade vem de as pessoas pensarem: 'Qual é o sentido, Mike Bloomberg não pode perder'", disse ele. "Algumas pessoas não querem ficar do lado errado. Estão evitando retaliação."

Como resultado, a operação de Ferrer, que está concorrendo contra um bilionário auto-financiado que já gastou quase US$ 47 milhões (em torno de R$ 108 milhões), tem tentado fervorosamente levantar fundos nas últimas semanas, pressionando seus partidários para atraírem mais verbas. O dinheiro é tão apertado que mal pode manter as propagandas na televisão, em uma época crítica. No canal de televisão em língua espanhola, por exemplo, a campanha está tentando manter presença com uma série de anúncios de 15 segundos, em vez dos tradicionais 30.

"É duro", disse Hindery. "Se o padrão for o prefeito, nunca vamos chegar perto. Contra o padrão estabelecido em eleições desde os tempos de Lindsay, estamos bem."

Ele disse que Ferrer deve conseguir algo entre US$ 13 milhões e US$ 19 milhões (entre R$ 30 milhões e R$ 43 milhões). "Mas nunca será o suficiente contra um independente que está disposto a pagar mais do qualquer um de nós", disse ele.

Estrelas do partido

Ainda assim, a situação está madura para uma mudança. Analistas sugerem que o dinheiro virá, se a posição de Ferrer nas pesquisas melhorar. Atualmente, ele está atrás em ao menos 15 pontos percentuais.

"Se Freddy crescer nas pesquisas, algumas pessoas vão querer apostar nele", disse George Arzt, veterano da prefeitura. "Os interesses sempre querem estar do lado de um vencedor, e não assumem riscos, então querem apostar nos dois cavalos."

Além disso, a ajuda está a caminho. Howard Dean veio a Nova York na segunda-feira e disse que ia promover um evento para levantamento de fundos para Ferrer, enquanto John Edwards está encabeçando dois eventos na terça-feira à noite, e Hillary Clinton e John Kerry marcaram eventos para a próxima semana.

Dean não quis dar uma meta em dólares, mas disse que esperava um apoio nacional democrata para eleger o primeiro prefeito hispânico de Nova York. Ele também acredita que o movimento de democratas em defesa de Bloomberg se dissolverá no final.

"Vi algo na imprensa sobre os democratas que não estão defendendo Freddy", disse Dean. "Talvez haja três ou quatro. Eu falo pelo Partido Democrata, sou o único que pode fazer isso. O Partido Democrata dos EUA está apoiando vigorosamente Freddy Ferrer para prefeito."

Mesmo assim, se o padrão atual de doações se mantiver, a luta para levantar fundos continuará árdua. A indústria imobiliária em particular sempre foi uma fonte crucial de apoio aos candidatos, e Ferrer, que conseguiu mais de US$ 5 milhões (R$ 11 milhões) em 2001, está tendo dificuldades para repetir seu sucesso fora do Bronx, onde foi presidente.

Na disputa pela prefeitura em 2001, quando não havia um candidato no cargo e nenhum democrata dominando as primárias, os principais incorporadores organizaram-se para levantar US$ 250.000 (em torno de R$ 575.000) para cada um dos quatro pré-candidatos.

Desta vez, as coisas estão diferentes. "A indústria tem uma preferência por candidatos no cargo", disse Steven Spinola, presidente do poderoso Conselho Imobiliário da indústria. Spinola negou a noção de que empresários tinham medo de doar para Ferrer e ofender o prefeito, mas admitiu que era "uma boa desculpa para não doar".

Eles estão felizes com as condições de vida na cidade com Bloomberg. "Quando a cidade está bem economicamente, há ainda mais razão para as pessoas apoiarem o prefeito."

"Se você der meios à oposição, quer dizer que você está apoiando o opositor do prefeito".

*Colaborou Patrick D. Healy. Candidato arrecada pouco, Bloomberg já gastou US$ 47 milhões Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,13
    3,270
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,51
    63.760,94
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host