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13/10/2005

Democratas vêem o sonho de 2006 ganhar forma

The New York Times
Robin Toner

Em Washington
De repente, os democratas vêem uma possibilidade com a qual há muito sonhavam --uma eleição arrebatadora em 2006 emoldurada em torno do que vêem como a simples escolha de mudar com os democratas, ou manter um status quo impopular com a maioria republicana.

Tal senso de oportunidade política tem levado os agentes democratas a se esforçar: para recrutar mais candidatos nos distritos eleitorais que parecem favoráveis aos democratas; para superar as divisões internas e produzir uma agenda que possam apresentar em 2006; e para levantar dinheiro para competir em um campo mais amplo. Resumindo, os democratas estão tentando se preparar para o caso de ocorrer uma onda política antigoverno, ao estilo 1994.

A resposta ao furacão Katrina, a guerra no Iraque e o aumento dos preços da gasolina já promoveram um desgaste substancial nos índices de aprovação tanto do presidente Bush quanto dos republicanos no Congresso: uma nova pesquisa do Centro Pew de Pesquisa mostra que o índice de aprovação dos republicanos no Congresso está em 32%, com 52% de desaprovação, uma deterioração acentuada desde março.

Mas para os democratas preencherem o vácuo, disseram muitos estrategistas e autoridades eleitas, eles precisam oferecer mais do que uma forte crítica aos republicanos no poder, os ataques regulares do que os democratas agora descrevem como uma "cultura de favoritismo e corrupção".

O que eles precisam, reconhecem muitos democratas, é de uma versão própria do "Contrato com a América" --a agenda republicana (pedindo redução de impostos, equilíbrio orçamentário, forças armadas mais fortes e uma série de reformas internas) com a qual o partido fez sua campanha eleitoral vitoriosa em 1994, quando assumiu o controle da Câmara e do Senado.

"Eu acho que os democratas percebem que temos uma grande oportunidade", disse o senador Charles E. Schumer, democrata de Nova York e presidente do Comitê de Campanha Senatorial Democrata. "Nós melhoramos no bloqueio de algumas das coisas ruins que os republicanos fariam, mas nós sabemos que não podemos ser um partido de maiorias de longo prazo a menos que apresentemos as coisas que faremos."

Apesar de todo o otimismo democrata, obstáculos estruturais importantes estão no caminho de grandes ganhos democratas, disseram analistas de fora e diretores de campanha republicanos.

Ken Mehlman, presidente do Comitê Nacional Republicano, disse sobre os democratas: "Veja, nós já ouvimos esta conversa antes. Sempre foi apenas conversa e é conversa agora. Se você olhar para as disputas competitivas, você encontrará uma situação onde há um relativo empate ou vantagem republicana. Eles têm uma enorme batalha colina acima e nenhuma evidência de que estão subindo tal colina".

Para reconquistar a Câmara, os democratas precisarão de um ganho real de 15 cadeiras. Este será um feito difícil se --como alguns prevêem-- o número de cadeiras realmente em disputa for menor do que três dúzias, graças em parte às recentes alterações nos distritos eleitorais. Para reconquistar o Senado, os democratas terão que tomar seis cadeiras republicanas, um número extremamente alto dadas as cadeiras que estarão em disputa. E, apesar do atual clima político ser desfavorável aos republicanos, ninguém sabe como ele estará daqui um ano.

Além disso, apesar do Comitê de Campanha Senatorial Democrata ter uma vantagem sobre seu par republicano nos últimos relatórios de arrecadação de fundos, os republicanos como um todo apresentavam uma vantagem financeira substancial. E, disse Mehlman, eles a usarão.

"Não haverá maior prioridade para o Comitê Nacional Republicano do que proteger a maioria na Câmara e no Senado em 2006, o que significa que pretendemos colaborar muito do ponto de vista de recursos, conselho e experiência."

Charles Cook, um influente analista não partidário de eleições para o Congresso, disse: "No momento, se eu tivesse que apostar na retomada da Câmara e do Senado pelos democratas, eu diria não. Mas as chances estão bem melhores do que há três meses ou há seis meses? É claro que sim".

Refletindo tal mudança de avaliação, os democratas estão se preparando para as eleições com amplos temas nacionais e possibilidades --como em 1982, 1986 e 1994. Os líderes democratas na Câmara, Senado e liderança nacional partidária, assim como representantes dos prefeitos e governadores, têm se encontrado periodicamente para tentar elaborar uma agenda de campanha para 2006, que esperam apresentar no início do próximo ano, disseram estrategistas e senadores.

Tal agenda abordará independência energética, maior acesso à saúde e ensino superior, reforma do governo, segurança econômica e --a questão que provoca mais divisão entre os democratas-- Iraque e segurança nacional, disseram estrategistas democratas.

Oferecer alternativas democratas ou simples críticas aos republicanos é uma questão antiga dentro do partido em seus anos na minoria; no início deste ano, tal debate envolveu o Seguro Social. (Os democratas se recusaram a colocar uma alternativa na mesa durante tal disputa, se concentrando nas falhas do plano de Bush.) Mas vários estrategistas disseram que há um amplo consenso da necessidade de um conjunto geral de alternativas em 2006, para acentuar os valores e prioridades democratas --e apresentá-las antes do que os republicanos fizeram em 1994, quando apresentaram seu "Contrato com a América" em setembro.

Enquanto isso, os democratas estão tentando preparar o cenário para um ano antigoverno, argumentando em uma série de ocasiões: "A América Pode Fazer Melhor". Sob tal slogan, os democratas do Senado têm realizado uma série de eventos em todo o país nesta semana, acentuando os problemas dos altos custos da energia à medida que o inverno se aproxima.

Em outra frente, as autoridades democratas de campanha estão correndo para recrutar mais candidatos à Câmara em locais como Ohio e Kentucky. O deputado Steny H. Hoyer, de Maryland, articulador democrata e um líder no esforço de recrutamento, disse que passou parte da semana passada em Ohio com candidatos potenciais, e sua mensagem é simples: "Minha premissa básica é, eu acho que este é o melhor contexto para os democratas concorrerem à Câmara dos Deputados desde 1994".

No Senado, os democratas estavam se regozijando das decisões neste mês de dois importantes republicanos --a deputada Shelley Moore Capito, de Virgínia Ocidental, e o governador de Dakota do Norte, John Hoeven-- de não disputarem as cadeiras dos senadores democratas Robert C. Byrd e Kent Conrad.

Jim Margolis, um consultor democrata, disse que as decisões "dizem que os republicanos vêem a possibilidade de uma eleição nacional com um presidente na faixa dos 30", se referindo ao índice de aprovação de Bush.

De fato, o índice de aprovação de Bush é, talvez, o indicador político acompanhado mais atentamente no momento. Andrew Kohut, presidente do Centro Pew de Pesquisa, disse: "Em toda eleição de meio de mandato, um presidente com índice de aprovação tão baixo quanto o do presidente Bush no momento fez com que seu partido levasse um direto no queixo".

Mas muita coisa pode mudar em 12 meses. E os republicanos notam que apesar da popularidade de Bush e dos representantes do partido no Congresso estar em baixa, os índices dos democratas no Congresso não subiram em contrapartida.

Neste ínterim, as estratégias diferentes dos partidos são evidentes. "Estas pessoas representam o status quo e nós somos a mudança", disse o deputado Rahm Emanuel, democrata de Illinois, presidente do Comitê Democrata de Campanha para o Congresso. "Quanto maior a eleição, melhor será para nós."

Enquanto isso, seu par, o deputado Thomas M. Reynolds, republicano de Nova York e presidente Comitê Nacional Republicano para o Congresso, argumentou em um recente memorando que, "no final, as eleições para o Congresso terão menos a ver com os eventos do momento, opiniões e pesquisas, e sim com os pontos fundamentais", que ele definiu como sendo "dinheiro, mensagem e membros". Partido tenta definir projeto para aproveitar a fraqueza republicana George El Khouri Andolfato

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