UOL Notícias Internacional
 

13/10/2005

Tempo melhora e ajuda socorro a vítimas na Ásia

The New York Times
David Rohde

Em Islamabad, Paquistão
A melhora do tempo e a chegada de dez helicópteros adicionais permitiram nesta quarta-feira (12/10) um aumento do afluxo de ajuda ao norte do Paquistão, devastado por um terremoto, mas autoridades da ONU (Organização das Nações Unidas) estimaram que um milhão de pessoas continuam desabrigadas, famintas e ameaçadas por doenças em aldeias destruídas nas montanhas.

Viajando por quilômetros a pé, os sobreviventes de aldeias em pontos elevados seguiam para grandes cidades onde helicópteros paquistaneses, americanos, afegãos e da ONU evacuavam os feridos. Alguns disseram que carregaram parentes feridos nos braços por quilômetros, em uma busca desesperada por tratamento médico.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shaukat Aziz, disse que o número de mortos chegou à 25 mil, em comparação a 23 mil no dia anterior. Ele disse que o Paquistão recebeu US$ 350 milhões em promessas de ajuda, mas que precisa de muito mais assistência.

Em uma visita ao Paquistão na quarta-feira, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, anunciou que os Estados Unidos enviarão helicópteros adicionais, um hospital de campo e uma unidade de engenharia para ajudar no esforço de resgate e reconstrução. Oito helicópteros americanos já estão no país.

"Nós estaremos ao lado de vocês em sua hora de necessidade", disse Rice após se encontrar com autoridades paquistanesas aqui. "Nós estaremos ao lado de vocês enquanto tentam reconstruir."

Rice, que está visitando a região, também disse que haverá mais ajuda além dos US$ 50 milhões já prometidos.

Em Washington, o porta-voz do Pentágono, Larry Di Rita, disse que 25 a 30 helicópteros militares americanos estarão na região nos próximos dias.

Suprimentos de ajuda chegaram ao Paquistão vindos de cerca de 30 países, incluindo a Índia, a antiga rival do Paquistão, segundo a agência de notícias "The Associated Press".

Mas o esforço indiano não transcorreu sem falhas, já que um avião vindo de Nova Déli foi forçado a voltar 10 minutos após a decolagem porque o Paquistão disse que não havia espaço para pousar no aeroporto próximo de Islamabad. O avião pousou posteriormente com 25 toneladas de suprimentos.

Muitos corpos ainda estavam enterrados sob os escombros de prédios, e a ONU alertou sobre a ameaça de epidemias de sarampo, cólera e diarréia entre os milhões de sobreviventes.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shaukat Aziz, disse que os esforços de ajuda estavam melhorando, à medida que eram desbloqueadas os acessos a áreas isoladas por deslizamentos de terra, segundo a agência de notícias "Reuters". "Os esforços de ajuda estão melhorando diariamente", ele disse em Muzaffarabad, a capital da Caxemira paquistanesa e a cidade mais duramente atingida.

Ainda assim, para dezenas de milhares de vítimas, o esforço de ajuda era inexistente ou marcado pelo caos, frustração e desespero.

"O mundo esqueceu que existimos", disse um morador da aldeia indiana de Pingla Haridal para uma equipe da "Reuters". "Vocês são as primeiras pessoas a perguntarem sobre nós além de alguns soldados que retiraram corpos no primeiro dia."

As pessoas têm se queixado de que mesmo quando os suprimentos chegam, saqueadores os roubam antes que possam chegar às comunidades às quais são destinados.

Fora de Muzaffarabad, uma multidão de homens brigava por caixas de água mineral, cobertores e biscoitos entregues por um caminhão.

"Nós apenas vemos as coisas chegarem e sumirem. Nós precisamos de comida, nós precisamos de água", disse Amanullah Khan, líder da Frente de Libertação de Jammu e Caxemira, que busca um Estado independente na Caxemira, para a "Reuters".

"Definitivamente, as pessoas daqui se sentem alienadas quando ouvem que os moradores da Torre Margala foram resgatados em menos de 36 horas", disse ele se referindo a um prédio de apartamentos que ruiu em Islamabad, que foi o único dano significativo na capital do Paquistão.

"Mas na Caxemira, onde as mortes e destruição são imensas, os governos locais e paquistanês são incapazes de chegar às pessoas mesmo depois de quatro dias." Pelo menos um milhão de pessoas continuam sem abrigo e comida George El Khouri Andolfato

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