UOL Notícias Internacional
 

14/10/2005

Ataque de rebeldes mata ao menos 85 na Rússia

The New York Times
C.J. Chivers*

Em Nalchik, Rússia
Rebeldes islâmicos atacaram pelo menos nove policiais e prédios de segurança nesta quinta-feira (13/10), nesta cidade do sul da Rússia, em ataques coordenados à luz do dia, disseram testemunhas e autoridades, espalhando ainda mais as batalhas russas além de suas raízes na república separatista da Tchetchênia. Autoridades russas disseram que pelo menos 85 pessoas morreram, a maioria rebeldes.

Um bando de homens armados mascarados tomou um distrito policial e fez reféns, incluindo policiais, e os mantiveram noite adentro. As autoridades disseram que entraram em negociações para tentar libertar os reféns. Duas lojas de armas também foram saqueadas.

As autoridades russas alertaram que a operação militar continua e o número de mortos poderá aumentar. Segundo números iniciais, 12 policiais e 12 civis estavam entre os mortos.

Também apareceram indícios do planejamento de uma varredura russa nas áreas suspeitas de ter mais homens armados, à medida que uma autoridade do governo anunciava que o presidente Vladimir V. Putin ordenou às autoridades o bloqueio das rotas de entrada e saída da cidade, assim como a destruição de quaisquer rebeldes que resistirem. Uma rádio local pediu aos moradores que não deixassem suas casas.

"O presidente nos ordenou que mantivéssemos todo militante dentro de Nalchik e eliminássemos qualquer pessoa armada que resista à prisão", disse o primeiro vice-ministro do Interior, Alexander Chekalin. "A ordem do presidente será cumprida."

Havia veículos blindados e uma presença pesada de tropas russas nas barreiras erguidas. A cidade, que estava quase plenamente sob controle das autoridades no final da tarde, ficou praticamente silenciosa à noite.

Os ataques, na região do Cáucaso da Rússia, ocorreram em uma cidade que permanecia livre até o momento da pior violência que tem perturbado o sudoeste da Rússia desde o início da guerra na Tchetchênia, em 1994, lançando dúvidas sobre a insistência do Kremlin de que a região foi estabilizada e está retornando ao seu controle.

A violência neste ano já voltou ao Daguestão, onde rebeldes têm matado policiais e soldados com quase regularidade, e guerrilheiros e terroristas realizaram no ano passado grandes operações nas repúblicas vizinhas da Inguchétia e Ossétia do Norte, onde 331 pessoas foram mortas na tomada da escola em Beslan.

Os novos ataques afetaram toda a região. O presidente do governo instalado pelo Kremlin na Tchetchênia anunciou que suas forças locais foram colocadas em alerta, assim como os líderes na Inguchétia. Ramzan Kadyrov, o líder de uma força irregular de ex-guerrilheiros tchetchenos, que pelo menos publicamente são leais a Moscou, ofereceu o envio de seus combatentes em ajuda a Nalchik.

A própria Nalchik, uma cidade de cerca de 275 mil habitantes e capital da república russa de Kabardino-Balkária, ficou lotada de reforços, incluindo unidades especiais do exército russo. No final da noite de quinta-feira, comboios de caminhões transportavam soldados e um transporte blindado de pessoal também era visível nas estradas ao norte da cidade, que levam a ela.

Apesar de não ter ficado imediatamente evidente quem foram os responsáveis pelos ataques, um site que freqüentemente transmite mensagens do terrorista tchetcheno Shamil Basayev, que planejou a tomada da escola em Beslan, disse que os agressores eram combatentes islâmicos aliados aos separatistas tchetchenos. Ele disse que os grupos agressores incluíam células locais assim como combatentes de outros lugares, que viajaram para a república para lutar.

Os ataques de quinta-feira também lembraram um ataque em junho de 2004 na vizinha Inguchétia, quando Basayev liderou centenas de guerrilheiros em ataques simultâneos contra escritórios de segurança e quartéis da polícia e militares. Quase 100 pessoas foram mortas e centenas de armas roubadas antes que Basayev e seus homens escapassem.

Kabardino-Balkária, uma pequena república de maioria muçulmana com uma economia estagnada e cerca de 800 mil moradores, tem sido desestabilizada nos últimos anos pelo que as autoridades descreveram como uma crescente presença de guerrilheiros e terroristas islâmicos, que têm se envolvido em muitos conflitos menores com as autoridades.

Seu presidente de longa data, cuja recente administração da república vinha sendo criticada pela corrupção e uma força policial repressora, foi substituído há duas semanas por um empresário de Moscou leal ao Kremlin, Arsen Kanokov.

Arsen Kanokov, um kabardino de 48 anos, chegou no momento em que a insurreição se aprofundava. No final do ano passado, um grupo islâmico, o Yarmuk, foi acusado de tomar um posto da polícia de narcóticos, executando quatro oficiais cujos pulsos estavam amarrados, e então escapando com um estoque de armas e munições. No início desta semana, a polícia anunciou a descoberta de um grande laboratório de bombas aqui.

Marina Kyasova, uma porta-voz do Ministério do Interior da república, disse que a violência de quinta-feira teve início quando a polícia realizou uma batida em um apartamento em Belaya Rechka, uma área nos arredores da cidade, às 3 horas da manhã, prendendo vários suspeitos de terrorismo islâmico em seu interior.

Os homens, suspeitos de estarem ligados ao laboratório de bombas recentemente estourado, resistiram ferozmente, ela disse. E às 9 horas da manhã, enquanto a luta em Belaya Rechka continuava, a polícia percebeu que estava sendo atacada em outros pontos da cidade, ela disse.

Os rebeldes atacaram três prédios da polícia, ela disse, assim como a sede do Ministério do Interior, a sede do esquadrão de choque da polícia, o comando de patrulhamento da polícia, um centro de contraterrorismo, um escritório do departamento correcional e um prédio usado pela FSB, uma das sucessoras russas da KGB soviética.

Duas lojas de armas também foram atacadas desta vez, em um esforço dos rebeldes para obter armas.

Liuan Gunzhafov, um advogado de 26 anos que mora acima da loja de armas Arsenal, na rua Kirova, disse ter visto um carro e um trator, transportando um total de sete homens mascarados, chegarem à loja às 9 horas da manhã. Com vários rebeldes com rifles de assalto Kalashnikov montando guarda, outros amarraram cordas e cabos às barras da grade da vitrine da loja, e usaram o trator para arrancar a grade.

Após os mascarados entrarem pela vitrine para tentar roubar o conteúdo da loja, ele disse, dois policiais de trânsito chegaram. Ocorreu um tiroteio. Um policial foi morto, ele disse, mas não antes de três rebeldes também terem sido baleados e os outros quatro terem fugido. Havia poças de sangue no estacionamento, onde duas máscaras pretas de esqui também foram deixadas para trás.

Os mascarados, que falavam russo, pareciam desinteressados nos civis que os observavam enquanto passavam, disse Gunzhafov. Eles apenas alertaram as pessoas para não ficarem no caminho. "Eu me reclinei na sacada para assistir e um gesticulou seu dedo para mim", disse ele.

Mas nos prédios do governo os rebeldes lutaram. A FSB disse que rechaçou o ataque ao seu prédio, apesar de um oficial ter sido morto.

A maioria dos outros ataques também foi rechaçada, disse Kyasova, mas o Distrito de Polícia Nº 3 foi tomado, e pelo menos sete homens armados permaneciam em seu interior com reféns. Kyasova disse que o ministério confirmou a presença de reféns porque falou com alguns deles por telefone. A área ao redor do prédio estava cercada pela polícia à noite.

O Ministério do Interior se recusou a dizer quantos eram os reféns, ou o estado deles. Um funcionário, falando sob a condição de anonimato porque disse ser proibido falar publicamente sobre a operação em andamento, disse que alguns deles eram policiais.

Enquanto as autoridades retomavam o controle da cidade, a contagem inicial indicava a morte de 61 rebeldes, assim como 12 oficiais e 12 civis, disse Kyasova. Muitos outros civis e oficiais de segurança foram feridos, disse ela.

Ainda não se sabe quantos rebeldes atacaram; algumas autoridades disseram que até 300. Mas outras, incluindo Kyasova e várias autoridades russas na televisão, disseram que tal estimativa era alta demais; Kyasova disse que o ministério estima que 80 a 100 combatentes atacaram.

Ela disse que alguns eram pessoas locais, mas "havia também pessoas de outras origens". Ela se recusou a elaborar. Ela disse que cerca da metade dos rebeldes vestia roupas civis e o restante vestia trajes de camuflagem.

Nikolai N. Zakharov, vice-porta-voz da FSB, disse em uma entrevista por telefone que era cedo demais para saber o número de agressores, ou suas afiliações precisas, porque a investigação estava em andamento.

Havia relatos de que pelo menos uma escola tinha sido tomada, mas isto foi negado pelo site pró-Tchetchênia, www.kavkazcenter.com, assim como por Dmitry Kozak, o enviado do Kremlin na região.

Igualmente, o Ministério do Interior disse que os relatos iniciais de que o aeroporto tinha sido atacado eram incorretos; segundo dois funcionários do ministério, as forças de segurança no aeroporto ajudaram a polícia em um conflito nas proximidades.

*Colaboraram Sonia Kishkovsky e Andrew Kramer, em Moscou. Radicais islâmicos atacam instalações militares no sudoeste do país George El Khouri Andolfato

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