UOL Notícias Internacional
 

15/10/2005

Bagdá sofre apagão às vésperas do referendo

The New York Times
Edward Wong

Em Bagdá, Iraque
Um black-out mergulhou Bagdá e áreas vicinais na escuridão, na noite de sexta-feira (14/10). Enquanto isso, funcionários eleitorais e forças iraquianas e americanas preparavam milhares de postos para votação nacional no sábado, sobre a adoção de uma constituição permanente.

O apagão --possivelmente decorrente de uma explosão ou de sabotagem dos insurgentes-- afetou a maior parte de Bagdá e algumas cidades ao Sul, mas acredita-se que terá pouco impacto na votação, que deve ser iniciada às 7h. Gradualmente a energia começou a voltar a Bagdá, em torno de 1h.

Muitas cidades iraquianas sofrem comumente interrupções no fornecimento de energia, e os moradores se acostumaram a longos períodos sem luz. As etapas finais no plano iraquiano/americano de votação foram marcadas por ensaios de segurança nos 6.100 postos de votação, na maior parte em escolas, e para a montagem das urnas.

Várias bombas explodiram em Bagdá e outras cidades na sexta-feira, mas esses ataques e meia dúzia de morteiros lançados contra os postos de votação resultaram em poucas baixas. No final da tarde, as ruas da capital estavam quase vazias.

A falta de energia resultou do rompimento, possivelmente por explosão, de uma linha de transmissão entre as cidades de Bayji e Kirkuk. O ministro de eletricidade, Mohsen Shlash, disse que não tinha certeza se fora causado por ataque insurgente, mas rebeldes já sabotaram as linhas elétricas antes.

"Pela manhã, saberemos mais", disse ele. "Suspeitamos de explosão." Ao meio dia de sexta-feira, o imame da Mesquita Baratha, proeminente instituição xiita em Bagdá, a oeste do Rio Tigre, falou sobre as votações para centenas de fiéis.

"Amanhã, teremos um encontro com o amanhecer", disse o poderoso membro do parlamento Jalaladeen Al Sagheir, de turbante branco, aos seus seguidores. "Amanhã abriremos a porta da liberdade." Em certos momentos, os fiéis gritavam freneticamente "Sim, sim à constituição!"

Uma cena igualmente irracional se passava do outro lado do Tigre, enquanto o imame da Mesquita Abu Hanifa, um reduto sunita, instava sua congregação a rejeitar o documento. Depois do fim do sermão, centenas de fiéis foram às ruas denunciar os poucos políticos sunitas que haviam declarado nesta semana apoio à constituição proposta. Policiais iraquianos cercaram a multidão e bloquearam as ruas.

"Não li a constituição porque é sectária e quer dividir o Iraque, de acordo com instruções americanas e israelenses", disse Othman Raheem, 40, mecânico que participava do protesto. "Vou votar contra essa odiosa constituição com um 'não'."

Na madrugada de sábado, foi detonada uma bomba na sede do Partido Islâmico Iraquiano em Bagdá, grupo sunita proeminente que havia declarado apoio à constituição. O escritório do partido também foi incendiado, mas ninguém se feriu em nenhum dos dois atentados. Iraquianos decidem neste sábado se aprovam ou não a constituição Deborah Weinberg

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