UOL Notícias Internacional
 

19/10/2005

Vítimas do Katrina em hotéis são um terço do número informado

The New York Times
Eric Lipton
Em Washington
A Cruz Vermelha e o governo federal disseram na terça-feira que vinham informando um número significativamente exagerado de vítimas do furacão Katrina abrigadas em hotéis. Em vez de 600 mil pessoas, 200 mil permanecem em hotéis, disse a caridade.

Apesar do número mais baixo significar que a Agência Federal de Administração de Emergência (FEMA) e as cidades que estão cuidando de refugiados precisarão encontrar alternativas de moradia para menos pessoas, a contagem mostra a falta de conhecimento da FEMA sobre as relocações e sua supervisão limitada do dinheiro destinado a tal trabalho de abrigo.

"A FEMA sabe tanto sobre o que estava fazendo na semana passada quanto sabia um mês atrás", disse o deputado David R. Obey, de Wisconsin, o líder da bancada democrata no Comitê de Apropriações da Câmara. "Ela ainda é, ao que me parece, uma agência incompetente."

A FEMA informou ao Congresso que, até a última quarta-feira, ela abrigava 576.135 pessoas em 206.564 quartos de hotéis, com os maiores números, pela ordem, no Texas, Louisiana, Geórgia e Flórida. O New York Times e outras organizações de notícias informaram as estimativas da Cruz Vermelha e da FEMA, que significavam que o governo federal tem gasto US$ 11 milhões por dia em hotéis e motéis. Agora as autoridades de ajuda humanitária dizem que 70 mil quartos estão ocupados, custando US$ 4 milhões por dia.

Uma porta-voz da agência de emergência, Frances Marine, disse que a Cruz Vermelha forneceu as estimativas que a agência forneceu ao Congresso como sendo suas. "É uma infelicidade", disse Marine.

A Cruz Vermelha tem operado o programa de hotel desde após a passagem do furacão na Costa do Golfo, em 29 de agosto. Um funcionário da FEMA disse na terça-feira que a agência não questionou os números, pois, à medida que decrescia a população nos abrigos de emergência, de um pico de 273 mil para 11.304 na segunda-feira, fazia sentido um aumento significativo no número de pessoas em hotéis.

As autoridades locais nas cidades onde muitos refugiados se estabeleceram, incluindo Dallas e Houston, disseram que as estimativas da Cruz Vermelha pareciam elevadas.

"Nós olhamos para os números e achamos que eram exagerados", disse Frank J. Librio, um porta-voz da prefeita de Dallas, Laura Miller.

Devido às discrepâncias entre os números informados de quartos ocupados e registros de despesas, o New York Times questionou os números na sexta-feira junto a membros do Congresso e do escritório do inspetor-geral do Departamento de Segurança Interna, e na segunda-feira junto às autoridades da Cruz Vermelha. A Cruz Vermelha e a FEMA reconheceram na terça-feira que divulgaram números errados.

Elas atribuíram o erro a uma "interpretação errada da Cruz Vermelha dos dados fornecidos pela empresa responsável" pela administração do programa de hotéis, resultando na publicação de contagens cumulativas de quartos de hotéis ocupados em vez da contagem real de diárias.

"Quando você erra em algum número, é significativo", disse Armond T. Mascelli, o vice-presidente da Cruz Vermelha para resposta a desastres domésticos. "Claramente, nós cometemos um erro."

Nenhum ressarcimento é necessário, pois não foi pedido ao governo que pagasse as contas, que totalizam US$ 150 milhões até o momento. Mesmo agora, a Cruz Vermelha não consegue estimar precisamente quantas pessoas estão em quartos de hotéis financiados pelo governo ou se os hóspedes estão de fato qualificados ao programa de quartos. A Corporate Lodging Consultants de Wichita, Kansas, contratada pela Cruz Vermelha para dirigir o programa, toma conhecimento de quantos quartos os refugiados ocuparam depois que recebe as contas, disse seu presidente, George Hansen. Isto pode levar duas semanas desde a data da ocupação, disse ele. E mesmo aí, a empresa apenas sabe por quantos quartos está pagando, não quantas pessoas os estão ocupando. A Cruz Vermelha estima que 3,1 pessoas ocupam cada quarto.

Nem a Cruz Vermelha e nem o governo federal estão monitorando quem está nestes hotéis, disseram funcionários da Cruz Vermelha. Para obter um quarto gratuito, os hóspedes só precisam mostrar uma carteira de motorista ou outra identificação que inclua o código postal das áreas mais atingidas pelo Katrina.

A Corporate Lodging recebeu contas de cerca de 35 mil quartos para a noite de segunda-feira. Hansen disse que assim que todas as contas chegarem, o número total provável de quartos nesta semana será de 60 mil a 70 mil, mas reconheceu que isto é apenas um palpite. Isto se baseia na nova estimativa da Cruz Vermelha de cerca de 200 mil pessoas.

Se tais números forem corretos, a FEMA poderá ter menos trabalho do que previa para encontrar moradia temporária para as vítimas do Katrina.

Na semana passada, o vice-almirante Thad Allen, o oficial da Guarda Costeira que está dirigindo a operação de ajuda para o Departamento de Segurança Interna, estimou que 200 mil a 250 mil unidades habitacionais em Nova Orleans e outras partes ao longo da Costa do Golfo desapareceram ou se tornaram inabitáveis.

Mas o número menor de ocupação de quartos de hotéis sugere que muito mais famílias do que o esperado já encontraram soluções temporárias de moradia. A FEMA, por ora, não pode estimar quantas unidades habitacionais precisará fornecer.

"Eu não tenho um número concreto para isto", disse Marine, a porta-voz.

Obey disse que é melhor a FEMA obter uma informação mais detalhada e precisa para o Congresso antes de pedir recursos adicionais para pagar pelos esforços de ajuda às vítimas do Katrina.

"Eu não acho que seja apropriado para o Congresso destinar mais dinheiro até sabermos o que raios está acontecendo, e nós não sabemos a esta altura", disse ele.

Mesmo com os números mais baixos da Cruz Vermelha para a ocupação de hotéis, cidades incluindo Dallas, Atlanta e San Antonio disseram que ainda enfrentam uma enorme dificuldade para encontrar moradia temporária para os refugiados do Katrina que receberam.

Sharon Adams, uma porta-voz da Força-Tarefa Conjunta de Moradia em Houston, disse que a área de Houston provavelmente contava com cerca de 43.500 vítimas do Katrina em hotéis até a última sexta-feira.

Robbie Ashe, um assessor da prefeita de Atlanta, Shirley Franklin, disse que sejam quais forem os números, a FEMA precisa ajudar as famílias a se mudarem rapidamente de quartos de hotéis para apartamentos.

"Sejam quantas forem as pessoas em hotéis, nós precisamos abrigá-las de forma mais barata e de qualidade superior em um apartamento", disse ele. Cruz Vermelha e o governo federal assumiram que vinham divulgando um número errado George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h16

    -0,05
    3,173
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h23

    1,12
    65.403,25
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host