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21/10/2005

Casal Clinton entra na campanha municipal de NY

The New York Times
Patrick D. Healy

Em Nova York
Para os democratas nova-iorquinos que queriam voltar à prefeitura, era um momento perfeito: Bill Clinton estava no Bronx nesta quinta-feira (20/10) para participar de um comício de Fernando Ferrer, candidato do partido que concorre contra o atual prefeito, o republicano Michael R. Bloomberg.

Mas a breve parada na campanha tornou-se um caos frenético, depois que assessores de Clinton abaixaram o volume do som durante uma briga com os assessores de Ferrer, que tentavam fazer do evento uma produção maior. Como resultado, a multidão de 1.000 pessoas mal conseguiu ouvir Clinton elogiar "este bom homem".

O momento foi simbólico do relacionamento complexo entre os Clinton, casal real de democratas de Nova York, e o candidato do partido à prefeitura. O casal está tentando evitar uma derrota vergonhosa do partido em seu território no dia 8 de novembro, de acordo com colegas e pessoas que conversaram com eles sobre a disputa.

Em uma série de atos calculados, os Clinton estão fazendo tudo que o comitê de campanha de Ferrer pede deles, mas quase nada além disso. Na noite de sexta-feira, a senadora Hillary Rodham Clinton fará provavelmente o maior evento para levantamento de fundos da campanha de Ferrer, que poderá gerar até US$ 100.000 (em torno de R$ 230.000).

Ainda assim, alguns famosos patrocinadores democratas dizem que os Clinton não enviaram seus acenos habituais assinalando que entendem Ferrer como um vencedor, que deve ser coberto de dinheiro.

A Sra. Clinton, que quer ser reeleita no ano que vem e é possível candidata presidencial em 2008, está preocupada com os resultados inconstantes de Ferrer. Além disso, ela não ganharia nada se afastando do atual prefeito, que detém uma liderança confortável de dois dígitos nas pesquisas e é benquisto por muitos democratas.

"Como todos os defensores de Freddy, ela sabe que é uma batalha difícil. Mas a senadora participou e acompanhou muitas campanhas em sua vida, e sabe que há uma razão para se esperar o dia das eleições antes de se proclamar algum vencedor", disse um assessor de Clinton, sob condição de anonimato porque a posição oficial da senadora é de otimismo com a candidatura de Ferrer.

Está claro que os Clinton não trabalharam tanto publicamente quanto fizeram em 2001 para o candidato democrata da época. Bill Clinton participou de três comícios com o candidato de 2001, Mark Green, pouco depois de deixar a Casa Branca. No entanto, os assessores do ex-presidente dizem que não sabem se fará alguma coisa além do comício de quinta-feira, exceto telefonemas automáticos.

Parte da razão é que o comitê de campanha de Ferrer não foi claro sobre suas necessidades, segundo a equipe de Clinton; os assessores de Ferrer esperaram duas semanas depois da nomeação para procurar Clinton e mesmo assim tiveram dificuldades para encontrar um bom dia para um evento.

A principal assessora de Hillary Clinton em Nova York, Karen Persichilli Keogh, fala quase todos os dias com o principal estrategista de Ferrer, Roberto Ramirez, ou outros assessores, mas a senadora esteve ao lado de Ferrer em apenas dois eventos nas cinco semanas desde que foi nomeado.

Ela se atém aos pontos da campanha de Ferrer e prefere não criticar os laços de Bloomberg com o presidente Bush, apesar de alguns assessores de Ferrer terem dito que o faria. O outro senador de Nova York, o também democrata Charles E. Schumer, participou de dois eventos de campanha de Ferrer até agora.

Se Ferrer perder, muitos democratas serão culpados, e a senadora Clinton, como outros políticos eleitos, não quer ser alvo de recriminações, dizem seus aliados. Por causa disso e porque Ferrer foi especialmente leal durante sua campanha ao Senado em 2000, ela ficou determinada ao seu lado, dizem seus assessores.

Os partidários da senadora também querem proteger sua posição entre hispânicos e negros, muitos dos quais querem eleger Ferrer como o primeiro prefeito hispânico de Nova York. Eles seriam a base essencial para seu esforço de reeleição ao Senado no próximo ano, que pode ser um trampolim para a candidatura presidencial.

"É importante neste momento os democratas serem democratas e defenderem Freddy Ferrer, e é importante a senadora Clinton ser vista fazendo tudo o que pode para ajudar sua campanha", disse Steve McMahon, consultor político de democratas em Nova York.

Mas o tamanho da ajuda dos Clinton a Ferrer será limitado se ele não puder ajudar a si mesmo e dar um impulso em sua campanha, dizem alguns democratas importantes.

Os comitês de campanha procuraram se aproveitar da popularidade da senadora para beneficiar Ferrer, e ela parece disposta a fazer comerciais pelo candidato. Ao mesmo tempo, os Clinton estão preocupados em não roubar a atenção de Ferrer, relativamente sem graça.

Foi esse o caso na segunda-feira, em um almoço em Manhattan com 1.000 mulheres politicamente ativas: a equipe da senadora tinha se esforçado para dar espaço para Ferrer fazer um discurso e até ignorado o programa impresso para que ela pudesse animar a multidão e apresentá-lo. Ferrer deu a impressão de estar cansado e soou vago. Alguns democratas disseram a aliados da senadora que ficaram aturdidos com seu apoio ao candidato.

Dois famosos patrocinadores de candidatos democratas da rede de levantamento de fundos dos Clinton disseram em entrevistas que havia uma passividade sutil, mas crucial, no apoio dos Clinton a Ferrer.

"Uma coisa é Hillary organizar um evento para angariar fundos para Freddy", disse um deles. Outra coisa é "ela chamar seu povo para ajudar Freddy, mobilizar suas tropas. Fica muito claro quando ela esta engajada em uma disputa. Recebemos ligações e mensagens eletrônicas, e não estamos recebendo desta vez."

Assessores de Ferrer na quinta-feira expressaram deleite com as contribuições dos Clinton.

Em um nível pessoal para os Clinton, a campanha de Ferrer apresenta oportunidades e perigos. De acordo com seus partidários e confidentes, eles acreditam que o candidato hispânico é bom para os democratas de Nova York, especialmente quando nenhum grupo étnico é maioria. Eles também gostam dele pessoalmente.

No entanto, nenhum dos dois vê Ferrer como particularmente criativo ou como pensador democrata visionário, dizem seus assessores. E mais, os dois têm uma boa relação com Bloomberg e não querem prejudicá-la.

Segundo membros do partido, os gastos intermináveis de Bloomberg com a campanha são um gigantesco obstáculo para Ferrer. No entanto, eles também se preocupam que o democrata não tem uma mensagem política vencedora, mesmo que tivesse o dinheiro para anunciar mais na televisão. Ainda não foi pedido à senadora que grave um comercial para promover Ferrer. Alguns democratas acreditam que seja por falta de verbas na campanha para a mídia.

"A senadora Clinton trabalhou duro por Freddy Ferrer. Ela fez tudo que pedimos dela e continuará fazendo", disse Philippe Reines, porta-voz da senadora. Senhor e Senhora Clinton dão apoio restrito a candidato democrata Deborah Weinberg

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