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23/10/2005

Um casulo para toda a família, com luxo

The New York Times
John Broder
Chili Palmer, gângster representado por John Travolta no filme de 1995 "O Nome do Jogo", tenta alugar um Cadillac, bem adequado a sua imagem, mas recebe as chaves do último carro no estacionamento, um Oldsmobile Silhouette, uma lamentável tentativa de minivan.

The New York Times 
É o Cadillac das vans, com detalhes e conforto comparáveis aos de todos os carros de luxo

O atendente mostra a porta deslizante e assegura a Palmer, desconfiado, que o carro "é o Cadillac das minivans".

Dez anos depois, pode-se dizer isso da terceira geração da Honda Odyssey. É o modelo da classe, uma van com detalhes e conforto comparáveis aos de todos os carros de luxo.

O Odyssey, particularmente o modelo Touring, compete com muitos sedans em termos de acabamento, em opções de entretenimento, no silêncio de seu interior; e em seu conforto em longas distâncias. As poltronas da fileira central têm vários ajustes e oferecem uma visão clara da tela de 9 polegadas. É um lugar agradável para passar um dia na estrada, comparável a qualquer outro, a não ser, digamos, o banco de trás de um Maybach.

Em uma viagem de Detroit para o norte do Michigan, para deixar minha filha adolescente e uma amiga em uma colônia de férias, essas poltronas do meio foram o cenário de uma maratona de DVDs de toda a primeira temporada de "Sex and the City". Só o que ouvimos por quatro horas das meninas, com seus fones de ouvido sem fio, foram risadas e sinais ocasionais de espanto com a série. Acho que gostariam que nosso destino fosse mais distante, talvez em Duluth.

Minha mulher e eu brincamos com o Radio XM Satellite, trocando entre estações de rádios públicas e o canal da Motown. O que os especialistas chamam de experiência de ninho, fizemos a 115 km/h no piloto automático.

O Odyssey vem em três níveis básicos: o LX, a partir de US$ 25 mil (cerca de R$ 57 mil); o EX, a partir de US$ 28 mil (em torno de R$ 64 mil); e o modelo completo Touring, como o que eu testei, com teto solar, pneus que rodam suavemente mesmo furados, aparelho de DVD, sistema de navegação ativado por voz, câmera e rádio satélite. O preço é de quase US$ 40.000 (aproximadamente R$ 92 mil). Incidentalmente, isso é o que custa para alugar um jato Gulfstream de sete passageiros para uma viagem de Miami para Los Angeles. (Vim a saber desse detalhe quando estava cobrindo o julgamento de Michael Jackson, na última primavera).

Todos os modelos do Odyssey vêm com transmissão automática de cinco velocidades e o motor meticuloso de 3.5 litros e 6 V da Honda, de 255 cavalos. O motor nos modelos mais caros tem o que a Honda chama de gerenciamento variável de cilindro, que corta três cilindros na velocidade de cruzeiro. A maior parte dos motoristas nem perceberá que isso aconteceu, saberá apenas por um indicador verde no painel. Pude detectar apenas um leve suspiro quando o motor descansou.

O rádio, mesmo quando estava desligado, compensava a vibração do motor de três cilindros com um som inaudível fora de fase. A vibração é ainda mais reduzida pelos amortecedores elétricos da montagem do motor.

O Odyssey Touring deve fazer 8,4 km/l na cidade e 12 km/l na estrada, com gasolina comum. (O consumo na estrada é mais baixo do que o da van Mazda 5, de tamanho consideravelmente menor). Dirigindo tranquilamente e com cargas moderadas, cheguei a 7km/l e 9,8/l.

A Honda é igual ou melhor que seus competidores em segurança: air-bags de segunda geração na frente, air-bags laterais para os assentos anteriores e air-bags tipo cortina que cobrem as laterais das três fileiras de assentos. Um sensor de posição ativa as cortinas se a van estiver correndo risco de capotar, mesmo que não tenha havido impacto.

Todos os modelos vêm com controle de tração, controle eletrônico de estabilidade e freios ABS nas quatro rodas. O Odyssey conquistou cinco estrelas em testes federais com acidentes frontais e laterais.

Apesar de ser agradável de dirigir, não dá para negar que o Odyssey é uma minivan. Ele se inclina nas curvas, sensação que é mais pronunciada pela falta de suporte no assento do motorista. O motor fica sem agilidade entre 80km/h e 115 km/h.

O desenho do painel é intuitivo, mas entender o sistema de navegação requer um bom tempo de estudo e pesquisa. (E você ganha pontos se conseguir encontrar o minúsculo relógio digital).

A poltrona do motorista tem oito ajustes eletrônicos, mas não no apoio para a coluna lombar. O assento do passageiro na frente é manual em todos os modelos, o espaço em baixo da cadeira é tomado por caixas pretas de DVD e sistema de navegação.

Finalmente, a Honda deu janelas que descem aos passageiros da fileira do meio. O assento de trás se dobra para o chão ainda mais facilmente do que antes. E apesar das cadeiras centrais se moverem com facilidade dentro da van, não se dobram para o chão como as da Chrysler. São removíveis, mas pesadas. Há um assento estreito para um oitavo passageiro, que emerge do chão e se encaixa entre as poltronas da segunda fileira.

A Honda nunca foi líder de vendas de minivans, título da Chrysler há mais de 20 anos. O Sienna da Toyota é seu maior concorrente, mas não se equipara ao Odyssey em potência, silêncio e acabamento interno.

A maior parte dos Odysseys está sendo vendida pelo preço de tabela. Se você quiser desconto, alguns outros fabricantes têm vans de ponta de estoque e estão dispostos a negociar. Deborah Weinberg

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