UOL Notícias Internacional
 

25/10/2005

Documentos envolvem vice no escândalo da CIA

The New York Times
David Johnston, Richard W. Stevenson e Douglas Jehl

Em Washington
I. Lewis Libby Jr., chefe de gabinete do vice-presidente Dick Cheney, soube da agente da CIA no centro das investigações de denúncias de vazamento de informações em uma conversa com Cheney semanas antes de sua identidade ser revelada em 2003, disseram na segunda-feira (24/10) advogados envolvidos no caso.

Notas de uma conversa entre Libby e Cheney no dia 12 de junho de 2003 parecem diferir do testemunho de Libby a um grande júri federal. Neste, ele disse que soube da agente Valerie Wilson pelos jornalistas.

As notas, tomadas por Libby durante a conversa, pela primeira vez colocam Cheney no meio de um esforço da Casa Branca para saber sobre o marido da agente Wilson, Joseph C. Wilson IV. Este questionou a forma como o governo distorceu dados de inteligência sobre o programa nuclear do Iraque para justificar a guerra.

Advogados envolvidos no caso descreveram o conteúdo das notas para The New York Times e disseram que provavam que Cheney soube que Wilson trabalhava na CIA mais de um mês antes de sua identidade secreta ser revelada ao público em uma coluna de Robert D. Novak, no dia 14 de julho de 2003.

As notas de Libby indicam que Cheney recebeu essa informação sobre Valerie Wilson de George J. Tenet, diretor da Central de Inteligência, em resposta a questões do vice-presidente sobre seu marido. Mas elas não contêm sugestões de que Cheney ou Libby sabiam na época de que sua identidade era confidencial. Revelar a identidade de um agente secreto pode ser crime, mas apenas se a pessoa que a revela sabe da confidencialidade.

Não seria ilegal Cheney e Libby, que têm permissão para saber dos maiores segredos do governo, discutirem sobre uma agente da CIA ou seu elo com um crítico do governo. Mas qualquer esforço de Libby para omitir sua conversa com Cheney, previamente não revelada, seria considerado por Patrick J. Fitzgerald, promotor especial do caso, um esforço ilícito para prejudicar o inquérito.

Membros da Casa Branca não responderam a pedidos para comentários, e o advogado de Libby, Joseph Tate, não quis detalhar a situação.

Fitzgerald deve decidir se levará o caso à Justiça até sexta-feira, quando expira o prazo do grande júri. Libby e Karl Rove, alto assessor do presidente Bush, enfrentam a possibilidade de indiciamento, disseram os advogados envolvidos no caso. Não se sabe se há outras autoridades ameaçadas.

As notas ajudam a explicar as dificuldades legais de Libby. Segundo os advogados do caso, ele disse ao grande júri que soube por meio dos jornalistas que Valerie Wilson poderia ter tido um papel em despachar seu marido para uma missão patrocinada pela CIA à África em 2002. Ele teria ido em busca de evidências de que o Iraque havia adquirido material nuclear para seu programa de armas.

Mas as notas, que estão nas mãos de Fitzgerald, indicam que Libby ouvira falar de Wilson -que também é conhecida pelo nome de solteira, Valerie Plame- por Cheney. Essa discrepância levou os promotores a pensarem em acusar Libby por falso testemunho, um esforço para proteger Cheney do inquérito, segundo os advogados.

Não está claro porque Libby sugeriria ao grande júri que soubera de Valerie Wilson por meio dos jornalistas se sabia que Fitzgerald teria acesso às notas da conversa com Cheney. No início da investigação, o presidente Bush prometeu total cooperação da Casa Branca e instruiu seus assessores a darem a Fitzgerald qualquer informação que pedisse.

As notas não revelam se Cheney sabia o nome da mulher de Wilson. No entanto, elas mostram que Cheney disse a Libby que ela trabalhava na CIA e que poderia ter ajudado a arrumar a viagem do marido. Alguns advogados no caso disseram que Fitzgerald poderá enfrentar obstáculos para acusar Libby de falso testemunho. Eles disseram que seria difícil provar que o assessor procurou de forma intencional enganar o grande júri.

Advogados envolvidos no caso disseram que não tinham indicações de que Fitzgerald estava pensando em acusar Cheney. Este foi entrevistado sob juramento por Fitzgerald no ano passado. Não se sabe o que o vice-presidente disse sobre a conversa com Libby nem quando Fitzgerald soube dela.

Mas as evidências do envolvimento direto de Cheney no esforço para saber mais sobre o embaixador Wilson certamente intensificarão a pressão política sobre a Casa Branca. A semana foi de alta ansiedade entre os republicanos com a possibilidade do caso gerar um golpe duro à presidência de Bush.

Tenet não estava disponível para comentar na noite de segunda-feira. Um antigo alto funcionário de inteligência disse que Tenet havia sido entrevistado pelo promotor especial e sua equipe no início de 2004, mas nunca testemunhou diante do grande júri. Desde então, Tenet não falou com os promotores.

O ex-funcionário disse que duvidava que a Casa Branca tivesse tomado conhecimento de Valerie Wilson por Tenet. Na segunda-feira, Rove e Libby tiveram uma reunião com Bush enquanto a Casa Branca procurava passar uma imagem de normalidade. No entanto, assume-se que se alguém for indiciado, renunciará.

No dia 12 de junho de 2003, dia da conversa entre Cheney e Libby, o jornal The Washington Post publicou uma história na primeira página de que a CIA tinha enviado um diplomata americano aposentado à Nigéria, em fevereiro de 2002, para investigar denúncias de que o Iraque tinha tentado comprar urânio no país.

O artigo não revelou o nome do diplomata, que era Wilson, mas disse que sua missão não tinha corroborado as denúncias sobre a compra de material nuclear pelo Iraque, que a Casa Branca usou subseqüentemente no discurso do presidente Bush de 2003 sobre o Estado da União.

Uma referência anônima anterior a Wilson e sua missão na África tinha aparecido em uma coluna de Nicholas D. Kristof, no NYT do dia 6 de maio de 2003. Wilson então revelou ao público sua conclusão de que a Casa Branca tinha "distorcido" os dados sobre a demanda de material nuclear pelo Iraque no dia 6 de julho de 2003, em um artigo no jornal.

A nota escrita por Libby será uma evidência crucial em um possível caso de falso testemunho, se Fitzgerald resolver acusá-lo, de acordo com advogados no caso. Também explica porque Fitzgerald travou uma longa batalha legal para obter o testemunho dos repórteres que tinham conversado com Libby.

Os repórteres envolvidos disseram que não deram a Libby os detalhes sobre Wilson e sua mulher. Matthew Cooper, da Time, escreveu que perguntou a Libby se tinha ouvido falar que Valerie Wilson teve um papel em enviar seu marido para África. De acordo com Cooper, Libby não usou o nome de Wilson, mas respondeu: "Sim, ouvi falar disso também."

Em seu testemunho ao grande júri, Judith Miller, repórter do NYT, disse que Libby procurou desde o início de suas três conversas "proteger seu chefe das acusações do Sr. Wilson".

Fitzgerald fez perguntas sobre Cheney, disse Miller. "Ele perguntou, por exemplo, se Libby jamais indicou que Cheney tinha aprovado sua entrevista comigo ou se sabia dela. A resposta foi não."

Fitzgerald também entrevistou três outros jornalistas que conversaram com Libby durante junho e julho de 2003: Walter Pincus e Glenn Kessler, do Washington Post, e Tim Russert, da NBC News.

Pincus e Kessler disseram que Libby não falou da esposa de Wilson em suas conversas no período. Russert, em uma declaração, recusou-se a revelar exatamente o que tinha discutido com Libby, mas disse que soube da identidade da mulher de Wilson pela coluna de Novak do dia 14 de julho de 2003. Dick Cheney falou sobre agente para assessor, provam anotações Deborah Weinberg

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