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26/10/2005

Ilusão justifica o preço alto do strip-tease de luxo

The New York Times
Elisabeth Eaves*

Especial para o NYT

Em Paris
Aconteceu novamente. Outro homem inocente que só queria apreciar algumas danças eróticas foi vítima de um clube exclusivo de strippers em Nova York, o Scores.

Desta vez foi um executivo de Missouri chamado Robert McCormick, que pagou com um cartão corporativo da American Express uma conta de US$ 241.000 (em torno de R$ 555.000) no Scores para ele e seus amigos, há dois anos. A American Express entrou com uma ação contra ele por se recusar a pagar. Vários outros clientes insatisfeitos também processaram a Scores pelas contas altas.

Esses não parecem casos de cobranças indevidas. A American Express pegou os recibos assinados do clube antes de entrar com a ação contra McCormick. No mais recente processo contra a Scores, enquanto isso, a justificativa do réu foi simplesmente que estava bêbado quando assinou.

No entanto, a promotoria de Manhattan está investigando alegações de cobranças excessivas pelo Scores. Para isso eu digo: só pode ser brincadeira. Tendo trabalhado em clubes de strip-tease, sei que esse conceito não existe na indústria.

A Christian Dior "cobra excessivamente" quando vende uma bolsa por US$ 13.000 (em torno de R$ 30.000)? Depende. Se você vê a bolsa como pedaços de couro costurados, o preço é totalmente absurdo. Mas se você a vê como fonte de auto-estima --um passaporte para um clube exclusivo-- então é difícil dizer qual preço seria alto demais.

Esta é a lógica econômica dos fornecedores de artigos de luxo. A questão não é a utilidade do produto. É fazer o cliente se sentir como se estivesse com tudo.

Clubes de strip-tease, particularmente os de alto luxo como o Scores, fornecem serviços de luxo. Os US$ 3.000 (aproximadamente R$ 6.900) cobrados por uma garrafa de champanhe não são só pela bebida; fazem parte do preço da experiência. McCormick provavelmente não foi ao Scores para ver mulheres sem a parte de cima, ou mesmo pelo contato físico e potencial gratificação sexual de uma dança erótica em seu colo. Ambas as experiências podem ser obtidas de formas mais simples e baratas.

Em vez disso, é provável que ele e seus colegas tenham ido ao clube por acreditarem ser um símbolo de sucesso estarem cercados de mulheres semi-nuas com taças de champanhe na mão adulando-os. É como contratar uma limusine com motorista: um táxi resolveria o problema, mas não daria a mesma experiência estética.

Quando eu trabalhava em uma casa de strip-tease em Seattle, um cliente me disse que seu nome era Excalibur e me mostrou sua poesia. Parte do meu papel, naquele momento, era fazê-lo se sentir um Cavaleiro da Tábula Redonda, o que exigia apenas curiosidade e respeito. Ele talvez tivesse dificuldade para encontrar essas coisas no mundo real, por isso me pagou bem para ajudar a criar a ilusão.

Com muitos clientes, a bajulação é crucial. O que uma dançarina erótica vende não é sua capacidade de dançar ou tirar a roupa, mas sua habilidade de entreter o cliente.

Se ela fizer bem seu papel, sua careca e sua hipoteca deixam de existir e ele entra em uma fantasia adolescente de poderes sexuais, temporariamente transformado em James Bond, Han Solo e Hugh Hefner todos juntos. As dançarinas seduzem e bajulam até o dinheiro começar a fluir. Não é falsidade; é isso que os clientes querem.

Tenho pouca simpatia pelas reclamações desses clientes. São pura ignorância. É aceitável ter fantasias de James Bond, mas é inaceitável continuar convencido de que é James Bond quando chega a conta. As dançarinas não estavam brincando.

Entre as strippers com quem trabalhei, os clientes mais temidos não eram os obesos ou os sem graça. Nós temíamos os clientes que achavam que eram exceção à regra. Consideravam-se tão bonitos ou bem sucedidos que sua própria atração sexual já servia de gorjeta.

É o tipo de sujeito que se recusa a pagar a conta de um clube de strip-tease e vai chorando ao tribunal dizer que foi pressionado. Sim, claro, as strippers pressionaram McCormick, mas não mais que o ocasional vendedor de automóveis. O remorso do comprador não é uma desculpa para dar cano no vendedor.

Então, rapazes, paguem suas contas. Uma dança razoavelmente bem paga não é um direito.

*Elisabeth Eaves é autora de "Bare: The Naked Truth About Stripping" (algo como "Em Pêlo: A Verdade Nua sobre o Strip"). Shows de strippers repetem lógica do comércio de itens exclusivos Deborah Weinberg

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