UOL Notícias Internacional
 

27/10/2005

Consultor especial busca mais informações para o caso da CIA

The New York Times
Richard W. Stevenson e Anne E. Kornblut
WASHINGTON - Com o prazo de sua investigação terminando, o consultor especial para o caso de vazamento de informações continuava buscando informações na terça-feira (25/10). Segundo os advogados e outros envolvidos nas investigações, o consultor está investigando as discussões de Karl Rove com os repórteres nos dias anteriores à revelação da identidade de uma agente secreta da CIA.

Três dias antes da expiração do grande júri do caso e com a Casa Branca em estado de alta ansiedade, o consultor especial, Patrick J. Fitzgerald, parecia ainda estar tentando determinar se Rove tinha sido plenamente franco sobre seus contatos com Matthew Cooper, da revista Time, e o colunista Robert D. Novak, em julho de 2003.

Fitzgerald, que é promotor federal em Chicago, passou o dia em Washington e reuniu sua equipe, inclusive seu principal investigador do FBI, Jack Eckenrode, para o que pareceu uma última rodada de discussões sobre como proceder. Advogados envolvidos no caso disseram que Rove, principal assessor do presidente Bush, e I. Lewis Libby Jr., chefe de gabinete do vice-presidente Dick Cheney, podem ser indiciados por perjúrio ou outras acusações relacionadas ao acobertamento de suas ações.

A onda de atividades no último minuto deixou a Casa Branca prevendo um anúncio já na quarta-feira sobre a possibilidade do promotor fazer indiciamentos. Se Libby ou Rove for indiciado, Bush entrará em uma crise política que poderá afetar o que resta de seu segundo mandato. Não está claro se outra pessoa pode ser acusada no caso, que se concentra no papel que membros do governo tiveram na revelação da identidade da agente secreta da CIA, divulgada pela primeira vez na coluna de Novak no dia 14 de julho de 2003.

O porta-voz de Fitzgerald, Randall Samborn, recusou-se a comentar.

Membros da Casa Branca não responderam a perguntas sobre um artigo de terça-feira no New York Times advertindo que Libby tinha ouvido falar da agente por Cheney várias semanas antes da publicação da coluna de Novak. O ambiente na Casa Branca na terça-feira foi descrito por um amigo do presidente como sombrio. Bush usou suas aparições públicas para se mostrar concentrado nos assuntos da nação, principalmente no Iraque, e que não será detido pelo que foi caracterizado como "ruído de fundo".

Vinte e dois meses depois do início de sua investigação, Fitzgerald reuniu declarações de dezenas de testemunhas e conseguiu a cooperação de jornalistas para reconstruir o que aconteceu. Ele mergulhou fundo nos mecanismos de um governo que sempre procurou manter suas deliberações internas e táticas políticas escondidas do público.

Sua investigação foi gerada por suspeitas de que membros do governo vazaram a identidade da agente da CIA Valerie Wilson em resposta às críticas de seu marido, Joseph C. Wilson. Ex-diplomata, este disse em um artigo no New York Times do dia 6 de julho de 2003 que a Casa Branca tinha "distorcido" os dados de inteligência para justificar a invasão do Iraque. Wilson fora à África em uma missão patrocinada pela CIA em 2002 para averiguar denúncias de que o Iraque tinha adquirido material atômico no Níger.

Apesar de não comentar a matéria sobre a conversa de Libby com Cheney, a Casa Branca ultrajou-se com sugestões de que Cheney não havia sido honesto meses mais tarde, em uma entrevista na televisão quando disse que não conhecia Wilson e não sabia quem o havia enviado em sua missão.

Perguntado se o vice-presidente sempre fala a verdade ao povo americano, Scott McClellan, secretário de imprensa da Casa Branca, respondeu: "Sim."

Em pauta estão observações de Cheney em um programa da NBC chamado "Meet the Press" no dia 14 de setembro de 2003. Em resposta a uma questão sobre Wilson, Cheney disse: "Não sei quem enviou Joe Wilson. Ele nunca submeteu um relatório que eu tenha lido, quando voltou."

Cheney depois acrescentou que não conhecia Joe Wilson e que não tinha "a menor idéia de quem o contratou".

A matéria do New York Times disse que Libby tomou notas de uma conversa que teve com Cheney, no dia 12 de junho de 2003. Este havia discutido com George J. Tenet, então diretor da CIA, os artigos de jornal citando um ex-diplomata anônimo que discutia o uso de dados de inteligência pelo governo sobre o esforço iraquiano para adquirir material atômico em Níger.

As notas não indicam que Cheney sabia o nome da mulher de Wilson ou o sigilo de seu cargo, disseram advogados envolvidos no caso. Mas elas mostram que Cheney sabia e disse a Libby que a mulher de Wilson era da CIA e poderia ter ajudado a arrumar a viagem do marido.

Republicanos defensores de Cheney alegaram que não havia inconsistência entre o que ele disse a Libby e ao "Meet the Press". Segundo eles, não havia nada na conversa entre Libby e Cheney para sugerir que o vice-presidente conhecia Wilson ou sabia quem o tinha enviado à África.

Democratas do Congresso e grupos de advocacia liberais, porém, procuraram aumentar a pressão sobre a Casa Branca. O grupo liberal Centro de Progresso Americano procurou concentrar a atenção no que Bush sabia, dizendo em mensagem eletrônica aos associados e jornalistas que a "questão que deve ser respondida é se o vice-presidente Cheney teve discussões sobre Valerie Plame com o presidente Bush antes de sua identidade ser revelada".

O senador Charles Schumer, democrata de Nova York, pediu que Bush dessa garantias que, caso os membros do governo viessem a ser indiciados, eles resignariam e não fariam críticas a Fitzgerald.

Congressistas republicanos temem o que os indiciamentos poderão significar para seu programa legislativo. Por outro lado, os democratas se preparam para tirar vantagem de qualquer ação jurídica e transmitir a mensagem que o governo republicano tinha fomentado um ambiente corrupto.

Mas todos foram contra tentar prever o que o final do inquérito trará.

"Eu não gostaria de especular o que aconteceu ou vai acontecer em relação ao grande júri", disse o senador John Cornyn, republicano do Texas e amigo e ex-cliente de Rove. "Simplesmente não sei. De fato, eu sugeriria que nenhum de nós sabe, já que, por lei, é um processo confidencial." Deborah Weinberg

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