UOL Notícias Internacional
 

28/10/2005

Depois de 88 anos no ostracismo, White Sox volta à luz

The New York Times
Mônica Davey

em Chicago
Oitenta e oito anos é um longo tempo para uma cidade se sentir humilhada.

Mas com uma rápida vitória na Série Mundial, a Segunda Cidade despertou na quinta-feira (27/10) sentindo-se menos insegura, menos previsível, menos secundária.

Reuters 
Jogadores do White Sox comemoram a vitória sobre o Houston Astros e a conquista do título


"Levamos tanto fogo - as pessoas diziam: 'Vocês nunca vão chegar lá'", disse Lanse Nicholas, garçom. Como milhares de habitantes de Chicago, ele foi a um ginásio fechado assistir a final transmitida de Houston - e ter absoluta certeza que realmente estava vendo o que pensava estar vendo.

"Posso morrer em paz", disse Pat Rosenberg, gerente de vendas de automóveis.

Will Long, professor, deu uma interpretação mais ampla: "Honestamente,
significa a redenção", disse ele.

Redenção para todos os fãs dos White Sox - de simples avós a lendas do time, como Bill Veeck, ex-proprietário que não viveu para ver uma vitória de Chicago na Série Mundial desde 1917. Redenção para todos os famosos tropeços coletivos e fracassos individuais durante os anos de vida deste time do Lado Sul, tão freqüentemente desprezado pela equipe mais celebrada do Lado Norte, os Cubs. E redenção, talvez, afinal, para a vergonha do escândalo de 1919, famoso como Black Sox, quando oito jogadores foram expulsos do beisebol, acusados de vender resultados.

"Isso certamente remove parte da mancha", disse David Fletcher, cujo laço com o time é tão profundo que se casou no velho Comiskey Park, antigo estádio do White Sox. "Eles vêm carregando todos os fantasmas dos Black Sox e essa coisa de Segunda Cidade. Eles ficaram nas sombras de tudo isso tempo demais."

Então, na madrugada de quinta-feira e durante todo o dia, as pessoas
celebraram. Fãs reuniram-se na frente do campo Cellular e multidões gritavam nos bares do Lado Sul, apesar do time ainda estar a centenas de quilômetros de distância. Um grupo barulhento cantava a música do time de 1959, último ano em que foram para a Série Mundial, cantando a letra esperançosa e alegre:

"Vocês estão sempre lá, lutando e fazendo seu melhor;
Somos felizes por ter vocês aqui no Centro-Oeste."

Apesar do Departamento de Polícia dizer que destacou pelo menos 1.000
policiais para controlar as reações de quarta-feira à noite (lembrando das celebrações às vezes violentas dos Chicago Bulls, nos anos 90), foram feitas apenas meia dúzia de prisões, a maior parte por mau comportamento.

Na tarde de quinta-feira, centenas de pessoas esperavam o time chegar em
torno do Aeroporto Internacional Midway - adequadamente o aeroporto do Lado Sul, menos famoso. Na sexta-feira, os jogadores eram esperados em paradas e comícios. O uniforme do White Sox, que não era muito popular, vendeu loucamente; arranha-céus no centro se iluminaram com as palavras "Orgulho Sox", assegurando aos locais que, sim, realmente tinha acontecido.

Fãs viam redenção em toda parte, não só para eles, mas para os jogadores. Esta equipe não contava com estrelas, observaram, apenas um grupo pouco famoso que incluía jogadores rejeitados de outros times. Os nomes diversos dos jogadores, como Pierzynski e Podsednik, podiam ser de qualquer um dos moradores do bairro.

"Os fãs se identificam com o fato de ninguém acreditar nesse grupo de
jogadores", disse Dan Monahan, vendedor de computadores.

Entre os atletas que saíram do nada para ajudar o Sox estava Bobby Jenks, que conquistou os últimos pontos na noite de quarta-feira. Jenks passou por um caminho difícil até chegar ao White Sox: teve dificuldades em terminar a escola, problemas de mau comportamento nas equipes de juniores e foi eventualmente descartado pelo Los Angeles Angels.

"Acho que isso mostra que sabemos que haverá obstáculos na vida, mas que devemos manter o objetivo", disse Mark Potoshnik, professor de beisebol de Washington cuja família abrigou Jenks e instou-o a ficar na escola.

"Ontem à noite, assistindo ele jogar, meus joelhos tremiam e aqui eu estava, a mil quilômetros de distância", disse Potoshnik. "Fiquei vidrado em cada tacada."

As histórias de dificuldades do White Sox são assim, antigas.

Para muitas pessoas como Mary-Frances Veeck, viúva de Bill Veeck,
ex-proprietário do White Sox, que levou ao estádio Comiskey um marcador de pontos que explodia e outras formas de entretenimento, este era o ano que sua família esperava.

"Vivemos e morremos em cada jogada. Este foi o ano mais excitante, e posso dizer que já vi muitos campeonatos", disse Veeck, que ainda mora no Lado Sul e disse que não fazia questão de ver sua idade publicada.

Apesar de seu marido levar o White Sox à Série Mundial em 1959, o time
perdeu para os Los Angeles Dodgers em seis games. Bill Veeck vendeu o time em 1961. "Ele ficou arrasado", disse Veeck. "Não dava para tirar nosso sustento. Quando vendeu, ficou de coração partido." Bill Veeck voltou mais tarde, assumindo a equipe em 1975 antes de vendê-la novamente após a temporada de 1980. Ele morreu em 1986.

Veeck disse que não tinha tanta certeza sobre o que acontece depois da morte para saber se seu marido viu o jogo de quarta-feira à noite. "Mas, querido, ele amaria um time assim."

Para alguns, a redenção desta temporada foi ainda mais longe, de volta ao
escândalo do Black Sox. Alguns disseram que essa vitória ao menos poria fim a tanta conversa, filmes e livros sobre o time de 1919 que deu o campeonato aos Reds de Cincinnati e deixou Chicago mortificada. Segundo os fãs, os comentários persistiam porque desde então os White Sox não tinham ganhado, e algumas pessoas entendiam que aquela era a razão.

Joe Jackson talvez tenha sido o mais infame dos jogadores expulsos no escândalo, mas Buck Weaver, outro jogador e habitante de Chicago, também estava no time. Sua família e pessoas como David Fletcher dedicaram anos de luta para limpar o nome de Weaver na Liga.

Weaver, que sempre negou ter participado do escândalo, foi expulso do esporte. Ele morreu em 1956, ainda tentando limpar seu nome. Sua sobrinha, Patrícia Anderson, disse que ele ficou arrasado com o que sconteceu.

Segundo ela, ele teria dito que não torcia mais para o White Sox ou qualquer outro time.

"Ele disse: 'Se tiverem os jogadores certos no time e jogarem duro e
terminarem bem, então ótimo; eles merecem. Mas até que joguem para ganhar, não vou me preocupar e não vou pensar sobre isso e não vou torcer para eles", disse Anderson, 78, na quinta-feira de sua casa em Missouri.

Anderson completou dizendo que essa era a equipe que seu tio esperava. Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host