UOL Notícias Internacional
 

28/10/2005

No Kansas, teoria da evolução é motivo de briga entre cientistas e comitê educacional

The New York Times
Jodi Wilgoren

em Chicago
Duas conhecidas organizações científicas negaram ao comitê educacional do Estado de Kansas a permissão para o uso dos seus materiais que possuem direitos registrados como parte do novo pacote didático para o ensino da ciência, já que a abordagem co comitê é crítica à perspectiva evolucionária.

A ação agressiva dos dois grupos, a Academia Nacional de Ciências e a
Associação Nacional de Professores de Ciência, ocorreu menos de duas semanas antes da adoção do novo e controvertido pacote, que serve como modelo para testes estaduais e, portanto, têm muita influência sobre o que se ensina.

Kansas é um dos Estados norte-americanos nos quais o ensino da teoria da evolução passou a ser alvo de um ataque cerrado neste ano. Caso adotadas, as novas regras se constituirão em um dos desafios mais agressivos nos Estados Unidos a esta teoria biológica básica.

A negação do uso do material poderá retardar a adoção do pacote, já que o seu texto precisará ser reescrito, mas é improvável que isso faça com que a maioria conservadora na comissão deixe de exigir que versões que desafiam as teorias de Darwin sejam ensinadas nas salas de aula.

"Os alunos do Kansas não ficarão bem preparados para enfrentar os rigores da educação superior ou as demandas de um mundo cada vez mais complexo e baseado na tecnologia caso a sua educação científica se baseie nesses critérios", alertaram na quinta-feira (26/10) Ralph J. Cicerone, presidente da Academia Nacional, e Michael Padilla, presidente do grupo de professores. "Ao contrário, isso fará com os alunos do Kansas fiquem em desvantagem na hora de competir nacionalmente".

Nas suas declarações, os grupos científicos se opuseram ao novo pacote
didático porque ele classifica a evolução como uma teoria controversa e
modifica a definição da própria ciência, de forma que ela não se restrinja aos fenômenos naturais. Uma terceira organização, a Associação Americana para o Avanço da Ciência, fez coro a essas preocupações em um comunicado à imprensa, apoiando a negação do material, e afirmando: "Os estudantes serão prejudicados por qualquer medida nas aulas de ciência no sentido de obscurecer a distinção entre a ciência e outras formas de conhecimento, incluindo aquelas relacionadas ao sobrenatural".

Embora as reclamações dos grupos científicos se concentrem em apenas umas poucas referências à evolução, os seus materiais com direitos autorais aparecem em quase todas as cem páginas do novo pacote, que se constitui em uma súmula dos tópicos científicos ensinados desde o jardim de infância até o segundo grau. Em Kansas, assim como na maioria dos Estados, os distritos escolares locais tomam decisões sobre os currículos e escolhem os livros textos, mas são os critérios estaduais que orientam essas decisões.

"Em certos casos, trata-se de apenas uma frase, mas em outros são trechos longos", diz o presidente do comitê, Steve Case. "Tentamos manter as idéias, mas modificar o texto que as expressa".

Case, um professor da Universidade de Kansas que se opõe às mudanças
inseridas pelos conservadores quanto ao ensino da evolução, disse que a
remoção do material com direitos autorais poderá levar vários meses. Mas
Steve Abrams, presidente da comissão estadual de escolas, e líder da maioria conservadora, disse que os membros poderão aprovar os critérios em 8 de novembro, conforme planejado.

"O impacto é mínimo. Isso não alterará os conceitos", garantiu Abrams, que é veterinário. "Eles obviamente não possuem direitos autorais sobre conceitos".

A briga quanto à questão dos direitos autorais não é uma surpresa: os dois grupos científicos agiram de maneira similar em 1999, quando a comissão de Kansas retirou praticamente todas as referências à evolução do pacote de diretrizes didáticas, uma medida que foi revertida quando os membros conservadores foram retirados dos seus cargos. Os críticos da evolução recuperaram a maioria no ano passado.

Sue Gamble, integrante da comissão e defensora da teoria da evolução, admite que a ação dos grupos científicos pouco afetará a adoção dos novos critérios, mas frisou que a medida poderá gerar efeitos no longo prazo."Nada impedirá que esses seis membros façam o que desejarem", disse ela, referindo-se à maioria na comissão. "Não fará nenhuma diferença, mas creio que isso gerará algum efeito sobre a eleição do ano que vem". Danilo Fonseca

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,32
    3,157
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    0,56
    63.760,62
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host