UOL Notícias Internacional
 

01/11/2005

Cuba acusada de doações ilegais ao PT no Brasil

The New York Times
LARRY ROHTER

No Rio de Janeiro
Durante a bem sucedida campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, seu Partido dos Trabalhadores teria recebido até US$ 3 milhões em contribuições ilegais de campanha do governo de Cuba, segundo uma reportagem de capa da mais recente edição da principal revista semanal do Brasil.

A reportagem, negada pelo partido e pelo governo cubano, reacendeu o amplo escândalo de corrupção que está paralisando o governo Lula há quase seis meses.

Após um mês de queixas abafadas que transmitiam a sensação de que o pior já tinha passado, os líderes da oposição reagiram à reportagem com ameaças de uma nova investigação política exaustiva e até mesmo de processos de impeachment.

"Esta é uma ocorrência séria em todos os sentidos", disse o senador Tasso Jereissati, um líder do Partido da Social Democracia Brasileira, em uma entrevista para o jornal "O Estado de S.Paulo", notando que a lei brasileira proíbe doações de campanha de fontes estrangeiras. "Se for provado, o presidente não terá alternativa. Ele não terá condições de governar, ele terá que deixar seu cargo."

A reportagem da revista "Veja" não disse como o dinheiro, em dólares americanos, foi transferido de Cuba para o Brasil.

Mas cita dois funcionários do partido, ambos ex-assessores de Antônio Palocci, o então membro da equipe de campanha de Lula e atual ministro da Economia, como tendo dito que o dinheiro foi entregue por um diplomata cubano, escondido em caixas de uísque Johnnie Walker e enviados para o quartel-general de campanha de Lula.

"Eu peguei um avião de Brasília com destino a São Paulo com três caixas de bebida", Vladimir Poleto, que se identificou com sendo o entregador de uma remessa de dinheiro, foi citado no relato da revista como tendo dito. "Depois do acontecimento, fiquei sabendo que tinha dinheiro dentro de uma das caixas."

Lula, que tem mantido desde o início que não estava ciente do esquema multimilionário ilegal que estava sendo usado para comprar apoio de membros do Congresso e para pagar as contas de seu marqueteiro de forma não declarada, ainda não comentou diretamente a acusação. Mas o presidente do Partido dos Trabalhadores, Ricardo Berzoini, considerou a reportagem da "Veja" falsa e politicamente motivada.

"É completamente infundada", disse ele. "A 'Veja' está atuando como uma frente de ataque ao governo e não como uma publicação jornalística."

O governo de Cuba, que canalizou dinheiro para grupos guerrilheiros seletos e partidos de esquerda na América Latina durante os anos 80, mas que disse ter abandonado tal prática devido à sua própria economia moribunda, também negou a reportagem em termos enfáticos.

Em uma declaração, a Embaixada de Cuba em Brasília chamou o artigo da "Veja" de parte de "uma campanha orquestrada de mentiras" motivada pelos "planos agressivos do imperialismo contra Cuba e contra Lula".

A "Veja" é a revista mais lida do Brasil, como uma circulação semanal de mais de 1,2 milhão de exemplares. Em maio ela publicou o primeiro artigo detalhando o esquema de corrupção no governo Lula, que foi seguido por vários outros que provaram ser precisos.

As relações entre o presidente Fidel Castro e Lula e o Partido dos Trabalhadores sempre foi cordial. Durante o período da ditadura de direita do Brasil, José Dirceu de Oliveira e Silva, o presidente do partido durante a campanha de 2002, ficou exilado por vários anos em Cuba.

Em uma visita ao país em 2001, um Lula admirador disse ao líder cubano: "Obrigado, Fidel Castro, obrigado por vocês existirem".

O escândalo de corrupção, o pior na história moderna brasileira, deixou Lula, que contava com uma boa plataforma de governo e disputará a reeleição em menos de um ano, na defensiva.

Não apenas Dirceu, seu principal assessor, renunciou, mas também o presidente, o secretário-geral e o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores.

Desde a eleição no mês passado de Aldo Rebelo --um aliado do presidente que é membro do Partido Comunista do Brasil-- como presidente da Câmara dos Deputados, a maré parecia começar a mudar.

A posição de Lula nas pesquisas de opinião pública parou de cair e ele, sua equipe e simpatizantes aumentaram suas críticas às três comissões parlamentares de inquérito que estão investigando a corrupção, as chamando de uma caça às bruxas partidária que visa desestabilizar o Brasil.

"Ao tentar incriminar o Partido dos Trabalhadores e o Presidente Lula, a oposição poderá levar o país a um clima muito negativo", disse Jaques Wagner, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais. "Este clima de fomentação permanente de suspeita em torno do partido e do próprio presidente Lula não é bom para a democracia brasileira." Partido julga reportagem de "Veja" falsa e politicamente motivada George El Khouri Andolfato

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