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01/11/2005

Igreja Metodista recua e reprime homossexuais

The New York Times
Neela Banerjee

Em Washington
Em uma série de decisões que fortaleceu os conservadores, a mais alta corte da Igreja Metodista Unida descredenciou na segunda-feira (31/10) uma ministra abertamente lésbica na Pensilvânia e reinstituiu um pastor na Virgínia que havia sido suspenso por se recusar a permitir que um homossexual se associasse a sua congregação.

O Conselho Judicial, equivalente da Suprema Corte da Igreja Metodista Unida, também suspendeu resoluções regionais mais abertas aos gays em dois outros casos, envolvendo as conferências regionais do Noroeste Pacífico e Califórnia-Nevada.

As decisões foram feitas em um momento de discussões sobre o papel dos homossexuais no clero e sobre a bênção de uniões do mesmo sexo nas principais igrejas do país. A postura tradicional da Igreja Metodista Unida contra a ordenação de "homossexuais praticantes" foi assim reafirmada.

No caso mais conhecido, o Conselho Judicial removeu Irene Elizabeth Stroud do ministério. Stroud, 35, era ministra na Filadélfia e disse à sua congregação em 2003 que era lésbica e tinha uma relação antiga com outra mulher.

Especialistas da igreja, porém, disseram que a decisão mais significativa pode ser a do caso pouco conhecido do reverendo Edward Johnson, pastor da Igreja Metodista Unida de South Hill, Virgínia, sobre gays na congregação.

A decisão de Johnson de proibir um homem abertamente homossexual de entrar em sua congregação foi mantida pelo Conselho Judicial, como o exercício do direito de sua jurisdição pastoral.

O pastor havia sido suspenso por um ano sem pagamentos pelos colegas na Virgínia. O bispo recebeu ordens de encontrar novo posto para ele. A igreja havia declarado, no passado, que não havia proibições para a participação de gays, mas que também dava aos pastores a autoridade sobre suas congregações.

Stephen Drachler, porta-voz da Igreja Metodista Unida, observou que gays e lésbicas eram membros ativos de milhares de igrejas do país.

Mas, participando de uma conferência semestral de bispos na Carolina do Norte, ele admitiu: "Os bispos estão observando com muito cuidado o impacto que isso pode ter. Que tipo de precedente cria? Que papel cria para bispos sobre seus pastores? Ninguém ainda tem respostas para isso."

Alguns metodistas expressaram preocupação que o debate quanto ao homossexualismo possa dividir sua igreja, a terceira maior denominação do país, e levar à saída dos conservadores. As recentes decisões provavelmente acalmarão o grupo, disseram especialistas.

Peritos metodistas não acreditam que aqueles que defendem a inclusão de gays no ministério desistam, mesmo que as chances de reversão da política da igreja permaneçam remotas.

"A igreja e o ambiente da nossa cultura é conservador, agora", disse a reverenda Michele Bartlow, pastora da Primeira Igreja Metodista Unida de Germantown, onde Stroud era pastora.

Ela disse que as decisões do conselho enviaram uma mensagem clara, que a igreja metodista não vai tolerar pessoas abertamente homossexuais no clero. "Mas imagino que, como muitos outros, vou ficar e lutar. Acho que essas decisões são outro passo em uma jornada e que um dia a igreja receberá pessoas gays e lésbicas no ministério."

Stroud perdeu suas credenciais no final de 2004, mas essa decisão foi derrubada em um recurso em abril. A decisão do Conselho Judicial nesta segunda-feira reafirma a determinação original.

Stroud disse em entrevista telefônica que vai entregar suas credenciais de ordenação. "Achava que estava preparada para o que viesse, mas isto foi um golpe para mim", disse Stroud. Ela vai continuar como pastora laica na igreja de Germantown.

Especialistas disseram que não ficaram surpresos com a decisão no caso de Stroud ou nos casos de resoluções aprovadas para as conferências regionais de Califórnia e Noroeste.

A Conferência Regional de Califórnia e Nevada deste ano declarou que a orientação sexual deve ser considerada uma característica inata, como a raça. Assim, ficaria proibida a discriminação com base na orientação sexual. A Conferência do Noroeste Pacífico aprovou resolução afirmando a tolerância para pluralidade de opiniões na igreja sobre orientação sexual.

Mas a decisão no caso de Johnson instantaneamente gerou tremores pela igreja.

Apesar de a Metodista Unida proibir pessoas abertamente homossexuais de ocuparem o púlpito, ela aceita a todos na adoração. Johnson não proibiu o homem gay de freqüentar a igreja, mas não permitiu que ele se tornasse membro, de acordo com Carole Vaughn, porta-voz da Conferência Regional de Virgínia, que inclui a igreja de South Hill.

Membros da igreja regional tentaram levar Johnson a mudar de idéia e, quando se recusou, seus pares o suspenderam por um ano sem vencimentos. A conferência regional agora terá que restaurar Johnson, pagar os salários e benefícios atrasados e encontrar uma nova vaga para ele. Johnson não foi encontrado para comentários.

"Certamente é o caso mais interessante, porque tem ramificações muito mais amplas. É uma declaração sobre a autoridade dos pastores locais para determinar as qualidades de seus membros", disse o reverendo L. Edward Phillips, ministro metodista e professor de prática de adoração cristã na Universidade Duke.

Ele acrescentou: "Pode ser usada para manter gays de fora. Será triste se essa regra for usada por pastores para adotarem uma postura draconiana nesta questão estreita."

Outros elogiaram a decisão em apoio a Johnson. "O Conselho Judicial fez uma decisão que abriu precedente em apoio a um pastor que manteve a Disciplina", disse James V. Hedinger, presidente de uma organização evangélica metodista chamada Good News.

Ele estava se referindo ao Livro da Disciplina, compilação de leis, procedimentos e doutrina da igreja. A maior parte dos pastores teria feito a decisão de Ed Johnson, disse Hedinger.

No coração das disputas, está o profundo conflito entre metodistas unidos e a natureza da homossexualidade, disseram vários clérigos.

"É algo que você não pode controlar ou algo pecaminoso e que deve ser motivo de arrependimento?" disse Phillips, explicando o debate. "Gira em torno de uma questão que não resolvemos, e não vejo uma resolução próxima." Organização pune ministra lésbica e aprova pastor que barrou gay Deborah Weinberg

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