UOL Notícias Internacional
 

02/11/2005

Bush quer US$ 7,1 bi contra surto de gripe aviária

The New York Times
Gardiner Harris

Em Washington
O presidente Bush anunciou nesta terça-feira (1º/11) que solicitará ao Congresso dos Estados Unidos a quantia de US$ 7,1 bilhões (cerca de R$ 17 bi) para preparar a nação para uma epidemia de gripe. A maior parte do dinheiro será gasto com pesquisas e com a formação de uma reserva nacional de vacinas e drogas antivirais.

"O nosso país foi alertado com antecedência para essa ameaça e teve tempo para se preparar", disse Bush. "Agora, é a minha responsabilidade, como presidente, tomar medidas para proteger o povo norte-americano".

Senadores democratas criticaram imediatamente o plano do presidente, classificando-o de inadequado. O senador Edward M. Kennedy, democrata por Massachusetts, disse que o plano apresentado pelo presidente precisava ser mais forte. Ele pediu mais investimentos para garantir que os hospitais e as instalações do setor de saúde tenham capacidade para lidar com a enxurrada de pacientes.

O senador Chuck Schumer, democrata por Nova York, disse que o plano do presidente não contempla a aquisição de quantidades suficientes de Tamiflu, uma droga antiviral, para proteger os Estados Unidos.

Na semana passada, o Senado aprovou por 94 votos a 3 o gasto de US$ 8 bilhões com preparativos para o enfrentamento de uma epidemia de gripe. Mas o líder da maioria no Senado, Bill Frist, republicano pelo Tennessee, elogiou o plano do presidente.

"A liderança ousada e decisiva que foi exibida hoje pelo presidente demonstra que ele compreende a urgência de se enfrentar essa questão", afirmou Frist.

Bush anunciou o seu plano durante um discurso no Instituto Nacional de Saúde, perante uma audiência formada por seis secretários de gabinete e os principais funcionários da área de saúde do país. Ele falou durante quase 28 minutos e apresentou um sumário detalhado da história e dos riscos das epidemias de gripe.

Bush bateu com o punho sobre a tribuna ao afirmar: "Uma epidemia de gripe teria conseqüências globais, de forma que a nação não pode ignorar essa ameaça, e todos os países são responsáveis por detectar e deter a disseminação da doença".

Neste período que se segue à resposta insuficiente do governo ao furacão Katrina, a administração Bush faz o possível para garantir à nação que está levando a sério a ameaça de uma pandemia de gripe --que, segundo alguns analistas, é a próxima pior coisa que pode atingir o país.

As preocupações quanto a uma pandemia de gripe se intensificaram nos últimos anos, à medida que a letal gripe aviária se alastrava entre aves na Ásia, dizimando bandos inteiros. A gripe aviária infectou cerca de 120 pessoas, e matou 60.

Mas o vírus ainda não se tornou facilmente transmissível entre seres humanos, um fator necessário para que a doença se transforme em uma pandemia. Os especialistas não sabem se a transmissibilidade desta variedade de gripe aviária entre humanos algum dia se materializará, mas a maioria deles acredita que mais cedo ou mais tarde uma epidemia de gripe será inevitável.

No decorrer do século passado os Estados Unidos foram atingidos três vezes por pandemias de gripe. Em 1918, aquela que foi identificada como sendo uma variedade de gripe aviária matou 500 mil pessoas nos Estados Unidos e 20 milhões em todo o planeta.

Uma pandemia de gripe também poderia ser causada por alterações genéticas inesperadas das gripes humanas sazonais que circulam pelo globo e que já causam cerca de 36 mil mortes anuais nos Estados Unidos.

A familiar vacina contra a gripe --"Já tomei a minha", disse Bush no seu discurso-- previne ou suaviza os sintomas da gripe sazonal. O plano do presidente acabaria com as freqüentes carências de vacinas contra a gripe sazonal, e, ao mesmo tempo, prepararia o país para um surto mais letal de gripe, disseram os especialistas.

Autoridades da área de saúde pública que assistiram ao discurso presidencial elogiaram as medidas tomadas pela administração para fazer frente à ameaça de uma pandemia de gripe.

"Este é um dia histórico para a saúde pública", afirmou Julie Gerberding, diretora do Centro de Controle e Prevenção de Doenças. "Nós trabalhamos durante mais de uma década para trazer o problema da gripe para a mesa de discussões, e agora o presidente e os líderes parlamentares estão completamente engajados nesta luta".

Anthony S. Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, disse que a presença de tantas autoridades governamentais demonstra a seriedade com que a administração está encarando os riscos de uma pandemia de gripe. Ele afirmou que o presidente se envolveu pessoalmente com a elaboração do plano.

Autoridades do governo descreveram o discurso do presidente como uma síntese de um esforço mais amplo por parte da administração, envolvendo pelo menos sete departamentos federais. Mesmo assim, US$ 6,7 bilhões dos US$7,1 bilhões propostos pelo governo seriam destinados apenas ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos.

Na quarta-feira, o secretário de Saúde e Serviços Humanos, Michael O. Leavitt, revelará a versão final do plano da sua agência contra a epidemia de gripe, um documento que está sendo preparado há mais de uma década.

Segundo um rascunho do plano, obtido recentemente por The New York Times, a nação está muito mal preparada para enfrentar uma pandemia. E, caso tal pandemia ocorra, os hospitais ficarão superlotados, as clinicas de vacinação serão focos de tumultos, e até a energia elétrica e os alimentos se tornarão escassos.

Entretanto, o rascunho não especifica como as forças armadas poderiam ser usadas ou quem estaria no comando sob várias situações --decisões cruciais que atrapalharam a resposta ao furacão Katrina.

Autoridades governamentais informaram que tais decisões de ordem operacional serão tomadas nos próximos meses por meio da cooperação entre secretários de gabinete.

Segundo o plano do presidente, o governo gastará US$ 2,8 bilhões com a pesquisa de maneiras mais rápidas e confiáveis de produção de vacinas, US$ 1,2 bilhão com a compra de 20 milhões de doses de vacina contra a gripe aviária e mais US$ 1 bilhão com a aquisição das medicações antivirais Tamiflu e Relenza.

Em um documento preparado para ser entregue na quarta-feira ao Congresso, Leavitt deverá dizer que a cooperação entre os governos municipais, estaduais e federal será crucial no caso de uma pandemia, segundo o texto fornecido ao NYT.

"Por exemplo, o governo federal é capaz de enviar reservas de remédios e suprimentos a uma cidade nos Estados Unidos em uma questão de horas, mas a distribuição desse material nos níveis estadual e municipal é que definirá a vitória", diz o documento.

O pedido orçamentário do governo inclui US$ 100 milhões para encorajar as medidas de prontidão estadual e municipal.

"No decorrer dos próximos dias, pedirei a governadores, prefeitos e autoridades de saúde estaduais e municipais que se juntem a mim nesta preocupação que todos devemos compartilhar --a preparação para uma pandemia que poderá ocorrer", disse Leavitt no texto a ser entregue ao Congresso. "Todos os membros da sociedade têm um papel a desempenhar".

De fato, o governo federal dependerá de governos estaduais e municipais para cobrir 75% dos custos da compra de 31 milhões das 81 milhões de doses de medicamentos antivirais que farão parte de um estoque nacional, segundo a declaração escrita do secretário.

"Esse arranjo também garantirá uma abordagem intergovernamental mais coordenada na aquisição de drogas antivirais e na formação antecipada de estoques desses medicamentos em toda a nação", afirmou Leavitt no documento.

Bush disse que pedirá ao Congresso que conceda aos fabricantes de vacinas proteção contra responsabilidades legais, algo que o setor deseja obter há décadas. Os fabricantes contam com tal proteção no que se refere às vacinas produzidas para crianças, mas as vacinas contra a gripe são utilizadas em sua maior parte pela população adulta. Objetivo é evitar despreparo diante de catástrofe, caso dos furacões Danilo Fonseca

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