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04/11/2005

Ex-assessor de Cheney se declara inocente a juiz

The New York Times
Eric Lichtblau*

Em Washington
I. Lewis Libby Jr. se declarou inocente das acusações de obstrução e perjúrio nesta quinta-feira (03/11), em um caso que advogados de ambos os lados reconheceram que poderá se prolongar até o próximo ano devido às dificuldades de acesso a material confidencial.

Os advogados de Libby, o ex-chefe de gabinete do vice-presidente Dick Cheney, sinalizaram na denúncia dele por cinco crimes que também buscarão invocar questões de Primeira Emenda em sua defesa. Os advogados não quiseram falar mais sobre sua estratégia, mas analistas disseram que a defesa pode estar planejando ter acesso às anotações dos repórteres ligadas ao vazamento da identidade de uma agente da CIA, criando a possibilidade de outra rodada de confrontos com jornalistas que provaram ser centrais para a investigação.

Para complicar ainda mais há o que o promotor especial do caso, Patrick J. Fitzgerald, disse ao juiz na quinta-feira ser uma quantidade "volumosa" de material confidencial ligada à investigação. O processo de liberação do material, edição de conteúdo particularmente secreto e a concessão de autorização de segurança aos novos advogados de defesa de Libby para analisá-los, provavelmente levará meses, disseram os advogados.

Os eventos do dia diminuíram a esperança entre alguns republicanos de uma rápida solução para um caso que já lançou uma grande sombra sobre a Casa Branca. Imediatamente após a denúncia, os advogados de Libby buscaram acabar com qualquer especulação sobre um possível acordo para resolver o caso politicamente volátil.

Theodore V. Wells Jr., um proeminente advogado de Manhattan que se juntou à equipe de defesa pouco antes da denúncia, disse: "Ao se declarar inocente, ele declarou ao mundo que pretende lutar contra as acusações da denúncia e declarou que quer limpar seu bom nome e ser levado a júri".

Ao lado de Wells na mesa da defesa, estava William Jeffress Jr., outro advogado de defesa conhecido em Washington. Ambos são considerados advogados de julgamento talentosos.

Wells defendeu com sucesso políticos em casos criminais, incluindo Robert G. Torricelli, que foi um senador democrata de Nova Jersey; Mike Espy, um ex-secretário da Agricultura de Clinton; e Raymond J. Donovan, um ex-secretário do Trabalho de Reagan.

Jeffress venceu um caso para o ex-presidente Richard M. Nixon sobre o acesso público às fitas de Watergate. Joseph A. Tate, o advogado que representou Libby durante suas aparições no grande júri, disse que também permanecerá na equipe de defesa como um dos três principais advogados.

Na denúncia, Libby abriu mão do direito a um julgamento rápido, já que advogados de ambos os lados apontaram para a natureza complicada e prolongada do caso. O juiz Reggie B. Walton, do Tribunal Distrital Federal, disse: "Eu quero tentar resolver este assunto o mais rapidamente possível", mas ele também disse compreender que as complicações incomuns poderão tornar isto difícil. Ele concordou em marcar a próxima audiência do caso para 3 de fevereiro, para dar aos advogados tempo para resolver as questões envolvendo os documentos confidenciais.

A perspectiva de que o caso avançará lentamente significa que a Casa Branca poderá ser forçada a suportar uma crítica prolongada pela conduta de Libby --e consequentemente, das políticas do governo em relação ao Iraque-- ao longo de 2006, enquanto busca retomar o passo nas eleições para o Congresso.

A Casa Branca se recusou a comentar na quinta-feira o impacto político que meses de disputa em um tribunal poderiam causar em um caso que já reviveu as dúvidas sobre a forma como o governo lidou com a inteligência sobre as armas de destruição em massa do Iraque.

Na quinta-feira, os democratas na Câmara e no Senado continuaram tentando manter a atenção política no caso de vazamento da CIA assim como na guerra no Iraque.

Em uma votação seguindo a divisão partidária, os deputados da Câmara derrotaram um esforço da deputada Nancy Pelosi, da Califórnia e líder democrata, para forçar a aprovação de uma resolução que obrigaria os presidentes republicanos de comitês a "conduzirem uma ampla investigação dos abusos ligados à guerra no Iraque".

E no Senado, os líderes democratas escreveram para Cheney para criticar a decisão de substituir Libby por dois membros da equipe, David S. Addington e John P. Hannah. Addington foi citado por cargo no indiciamento e Hannah foi interrogado na investigação. "Em vez de limpar a casa, você simplesmente mudou os móveis de lugar", escreveram os democratas.

A denúncia há muito aguardada de Libby foi, na prática, um procedimento rápido que durou apenas 10 minutos, se concentrando principalmente em prazos, com nenhuma discussão significativa sobre as evidências. Mas o fato de Fitzgerald ter viajado de Chicago para cuidar pessoalmente da denúncia, em vez de transferir o trabalho para um de seus auxiliares, ressaltou a importância de até mesmo passos menores no caso.

Os repórteres se amontoavam do lado de fora do tribunal já às 7 horas da manhã para garantir lugar, e funcionários do tribunal transferiram a audiência para uma cavernosa sala de tribunal cerimonial no Tribunal Distrital Federal em Washington para acomodar a platéia esperada, com mais de 100 repórteres e observadores presentes.

Libby, de muletas devido a um ferimento no pé, conversou com seus advogados e sua esposa antes do procedimento no tribunal e exibiu o que parecia ser um sorriso nervoso para alguns poucos que lhe desejavam sorte.

Momentos depois do início do procedimento, Walton lhe perguntou como queria se declarar sobre as acusações do caso --acusações de que mentiu para o FBI e ao grande júri sobre suas conversas sobre a identidade de Valerie Wilson, uma agente da CIA. O marido dela, Joseph C. Wilson IV, um ex-embaixador, se tornou um forte crítico da inteligência do governo sobre o Iraque.

"Com todo respeito, Excelência, eu me declaro inocente", respondeu Libby.

Sem nenhuma objeção de Fitzgerald, o juiz ordenou a liberação de Libby em sua própria denúncia sem estabelecimento de fiança. Os funcionários do tribunal então colheram impressões digitais de Libby e realizaram os trâmites por mais de meia hora. Após sua liberação, ele mancou para fora do prédio até um exército de câmeras que o aguardavam.

Enquanto os fotógrafos seguiam sua saída do tribunal, eles disputavam posições uns com os outros e com os advogados de Libby para obter a melhor foto do réu célebre, enquanto sua comitiva abria caminho até o carro que o aguardava do lado de fora do edifício.

Alguns poucos críticos do governo Bush compareceram, com um deles criticando Libby "por levar o país à guerra com base em mentiras". Os advogados de Libby afastaram o homem que o importunava e a segurança o tirou dali.

*Colaborou Carl Hulse, com reportagem. Caso Libby pode mostrar que não havia razão para guerra no Iraque George El Khouri Andolfato

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