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05/11/2005

Apesar de criar menos empregos, EUA crescem

The New York Times
David Leonhardt

Em Nova York
O crescimento do emprego nos EUA caiu fortemente em outubro, disse o Departamento de Trabalho nesta sexta-feira (04/11). O resultado foi um sinal de que o alto preço da energia está prejudicando a economia, e os executivos se preocupam que o dano possa crescer.

Mesmo assim, os salários em outubro aumentaram mais que nos últimos dois anos, deixando aberta a possibilidade de a queda na contratação ser apenas temporária.

Foram criadas apenas 56.000 novas vagas em outubro, bem abaixo das 150.000 necessárias para acompanhar o ritmo do crescimento populacional. O Departamento de Trabalho também disse que foram criadas 36.000 vagas a menos em agosto e setembro do que estimara.

"O crescimento do emprego meio que parou. É um enigma", disse Bill Cheney, economista da John Hancock Financial Services em Boston, observando que as vendas de varejo e outros indicadores continuaram fortes.

A contratação nos últimos três meses caiu para seu nível mais baixo desde o verão de 2003, quando a economia finalmente começou a sair de uma estagnação de três anos e meio. Os furacões recentes tiveram seu papel, deixando muitos habitantes da Costa do Golfo sem trabalho, mas a criação de vagas também foi fraca em grande parte do resto do país no mês passado, disse Kathleen P. Utgoff, comissária do Escritório de Estatísticas do Trabalho ao Congresso.

Com as taxas de juros subindo, o aquecido mercado imobiliário esfriando e os custos de energia em uma alta de duas décadas, alguns executivos e economistas temem uma queda no consumo nos próximos meses. Por enquanto, porém, a maior parte dos analistas acredita que a contratação vai melhorar antes do final do ano.

Apesar do desanimador resultado das contratações de outubro, o relatório mensal do governo forneceu uma série de razões para otimismo.

O índice de desemprego caiu ligeiramente, de 5,1% para 5%. Esse número é calculado com base em uma pesquisa nas casas, que os economistas consideram menos confiável do que a pesquisa do crescimento do emprego, que se baseia em dados muito mais amplos fornecidos pelas empresas.

No entanto, o índice de desemprego algumas vezes captura movimentos de contratação de pequenas empresas antes da pesquisa junto às companhias e, nos últimos meses, ofereceu um quadro mais otimista. No mês passado, por exemplo, o número de trabalhadores de meio período que não conseguiam empregos em período integral caiu para seu mais baixo nível desde 2002.

Por outro lado, a pesquisa junto às empresas mostrou que a média salarial aumentou US$ 0,08 no último mês, para US$ 16,27 (em torno de R$ 37) por hora. Isso equivale a um aumento anual de mais de 6%.

"Há um nível maior de cautela nas empresas. Esse tipo de ganho salarial não faz sentido, diante do abaixo nível de contratação, a não ser que as empresas tenham apenas decidido fazer uma pausa para o mês", disse Drew T. Matus, economista da Lehman Brothers.

Mesmo assim, o aumento salarial foi de menos de 3% no último ano, enquanto a inflação ficou próxima de 4%, efetivamente cortando os salários de muitos trabalhadores.

O pico na inflação, causado em grande parte pelo preço do petróleo, parece ter minado o otimismo de muitos americanos com a economia, apesar de seu crescimento continuado. Em recente pesquisa da Universidade de Michigan, 60% das pessoas disseram acreditar que nos próximos cinco anos haverá períodos de grande desemprego.

Desde 1992 que tantas pessoas não davam essa resposta. No meio do ano passado, menos de 40% o fizeram.

Em outubro, cortaram vagas de trabalho revendedoras de automóveis, restaurantes, estúdios de música e de cinema. Lojas de departamento contrataram menos do que geralmente fazem durante outubro. Isso aparece como perda no relatório do Departamento de Trabalho, porque o governo ajusta os números de forma a contabilizar as variações normais sazonais.

De fato, houve 702.000 contratações no mês passado. Mas o governo informou um ganho sazonal de apenas 56.000, porque a maior parte das novas vagas fazem parte do salto comum no emprego em outubro.

John E. Silvia, economista da Wachovia Corp, disse que muitos dos setores que cortaram vagas dependem dos consumidores, que podem eventualmente reagir à alta nos preços da gasolina e do aquecimento cortando outros gastos. Na quinta-feira, os lojistas relataram vendas surpreendentemente boas para outubro.

"É difícil formular uma conclusão que combine todos esses fatores", disse Cheney, da John Hancock.

A criação de vagas no mês passado veio das fábricas, bancos, hospitais, clínicas, construção civil e empresas de computação. O final de uma greve da Boeing ajudou a causar um salto no número de trabalhadores em fábricas de transportes e equipamento e a reconstrução da Costa do Golfo provavelmente fomentou empregos na construção.

Economistas acham que o Federal Reserve continuará aumentando a taxa de juros de curto prazo nos próximos meses, em um esforço para domar a inflação. Em depoimento no Congresso na quinta-feira, Alan Greenspan, diretor do Fed, que está deixando o comando da instituição [Banco Central dos EUA], disse que via a inflação como ameaça maior do que o fraco crescimento econômico.

O Fed aumentou a taxa de juros, que está em 4%, em cada uma das últimas 12 reuniões da comissão. Parece que fará o mesmo nas próximas duas reuniões antes da aposentadoria de Greenspan, no início do ano que vem.

Investidores acreditam que o Fed vai aumentar a taxa de juros em uma das duas primeiras reuniões dirigidas pelo sucessor de Greenspan, Ben S. Bernanke, mas não em ambas, com base no preço de um contrato de futuros ligado à política do Fed.

A ampliação da desigualdade de renda nos últimos anos parece ter continuado no último mês. Os ganhos salariais nos setores financeiros, de informação e serviços profissionais --que tendem a ser altamente bem pagos-- foram grandes em outubro. Funcionários de fábricas, armazéns, empresas de turismo, escolas e saúde receberam aumentos menores.

Em seu depoimento nesta semana, Greenspan disse que o país estava passando por uma "mudança muito marcada na distribuição de renda".

Ele acrescentou: "Observamos claramente um aumento maior na necessidade de trabalhadores qualificados para administrar nosso capital tecnológico cada vez mais complexo."

O número de alunos que abandonaram os estudos em escolas e faculdades foi alto demais para suprir a economia com trabalhadores qualificados, disse Greenspan. Mas o país atravessa um processo de intensa concentração de renda Deborah Weinberg

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