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06/11/2005

Enchendo o espelho retrovisor do Camry

The New York Times
Cheryl Jensen
Em Millersburg, Ohio
Os executivos da indústria automobilística de Detroit têm muito do que se queixar, incluindo a séria ameaça a suas empresas domésticas por parte das aparentemente impossíveis de deter rivais japonesas. Mas o que mantém os líderes da Toyota, Honda e Nissan acordados à noite?

No alto da lista deve estar a Hyundai, o competitivo vagalhão da Coréia do Sul que continua obtendo ganhos, em vendas e percepção, a cada modelo novo ou redesenhado que percorre as ruas americanas. Seu mais recente, o redesenhado Sonata 2006, poderia servir como diorama para o progresso notável da empresa ao longo da última década e como um alerta para a indústria automobilística japonesa de que os coreanos aprenderam a jogar duro.

Enquanto a versão anterior do Sonata era uma clara imitação dos líderes da categoria mais vendidos, o Toyota Camry e o Honda Accord, o novo realmente compete com estes carros em quase todos os aspectos. Ele também eleva o patamar entre os principais sedãs nos itens de segurança incluídos em todas as versões.

O carro foi redesenhado tendo os gostos americanos em mente, com contribuições dos centros de design da Hyundai na Califórnia e em Michigan. Os modelos V-6 são montados em uma nova fábrica em Montgomery, Alabama; os carros de quatro cilindros são montados na Coréia do Sul.

Não apenas esta empresa coreana tem seguido o manual usado pelos japoneses para roubar fatias de mercado de Detroit -fazendo melhorias constantes de qualidade e valor e expandindo de carros baratos para modelos mais caros e lucrativos- mas também seguindo a estratégia japonesa de integração de suas operações nos Estados Unidos.

A Hyundai está mordiscando os japoneses assim como a Toyota e companhia há muito mordem a General Motors e a Ford.

Enquanto o modelo anterior do Sonata ficava aquém dos líderes da categoria em muitos aspectos, o novo modelo -mais espaçoso, mais potente e mais refinado- está na dianteira da disputa. O estilo é novo e moderno, com mais do que uma mera semelhança ao novo e mais caro sedã esporte Lexus IS. Ele é mais agradável de dirigir do que o Camry, quase tão bom no interior quanto o Accord e repleto de acessórios por um preço altamente competitivo.

É claro, o Accord e o Camry já possuem um retrospecto sólido de confiabilidade, apesar do modelo anterior do Sonata já ter conquistado ganhos impressionantes neste sentido.

A Hyundai tornou a segurança um forte argumento de venda. Mesmo o mais barato GL de quatro cilindros possui controle eletrônico de estabilidade para ajudar a impedir derrapagens; seis air bags, incluindo bags laterais e de cortina para proteger as cabeças em impactos laterais; freios ABS; controle de tração; e apoio de cabeça "ativo" que se move para cima e para frente em um impacto traseiro, para proteger contra o tranco.

Estudos mostraram que o controle de estabilidade reduz colisões fatais envolvendo um único veículo em pelo menos 35%. Por alguns poucos meses a Hyundai desfrutou dos direitos de se gabar de ser o único sedã a incluir controle de estabilidade como item padrão. Apesar da Honda ter adotado tal sistema como padrão nos Accords 2006 com motor V-6, ele não é nem mesmo opcional nas versões de quatro cilindros.

O controle de estabilidade não é padrão no Camry e nem mesmo é oferecido no modelo básico. É um opcional em outras versões. Nem é um item disponível no novo Ford Fusion ou em qualquer Pontiac G6, exceto no GTP voltado para performance.

Como o Sonata, o Accord padrão vem com air bags de cortina. Eles são opcionais no Camry.

O Sonata recebeu a mais alta avaliação (cinco estrelas) no testes de colisão frontal e lateral do governo.

Em outros aspectos o modelo GL básico também não é carente. Ele vem com aquecimento nos espelhos externos, ar condicionado, controle de cruzeiro, um volante ajustável revestido de couro, freios a disco nas quatro rodas, fechadura sem chave, alarme antifurto e assento traseiro dobrável bi-partido.

Os dois motores de alumínio do Sonata são novos: um quatro cilindros de 2.4 litros que produz 162 hp e um V-6 3.3 litros que chega a 235 hp. O motor menor vem com transmissão manual de cinco marchas ou automática de quatro marchas; o V-6 conta apenas com uma automática de cinco marchas. Ambas as automáticas são o que a Hyundai chama de Shiftronic, que também permite ao motorista fazer a mudança manual. Poucos carros nesta categoria têm tal característica.

Os preços básicos variam de US$ 18.495 para o GL a US$ 23.495 para o LX V-6 com transmissão automática de cinco marcha. A Hyundai diz que o modelo que mais venderá será o GLS V-6 por US$ 21.495.

Independentemente de qual versão você analise, os preços são melhores do que os igualmente equipados Camrys e Accords. Se você tivesse US$ 21.500 para gastar, você não compraria nenhum destes carros com motor V-6. Um Ford Fusion com motor V-6 e transmissão automática de seis marchas custa US$ 21.275, mas o acréscimo dos opcionais de segurança semelhantes adicionaria US$ 1.285 à conta -e você ainda ficaria sem o controle de estabilidade.

O Sonata é um pouco menor do que o Camry e o Accord, mas foi espertamente projetado para fornecer um generoso espaço traseiro para as pernas de 94,9 centímetros, ligeiramente menos do que o Camry e ligeiramente mais do que o Accord. O porta-malas grande é comparável ao do Camry e 56,6 centímetros cúbicos maior do que o do Accord.

Eu pude comparar versões de teste de todos os três carros lado a lado. O Sonata se destacou bem. Mas o Accord do grupo era o modelo 2005; o modelo 2006 foi melhorado em vários aspectos. Como algumas das mudanças podem afetar a condução e a dirigibilidade, meu marido e eu levamos o Sonata e o Camry em estradas semelhantes a montanhas russas nos arredores de Millersburg para testá-los por igual.

Nós passamos por celeiros com placas que diziam "Masque Tabaco Mail Pouch" e desviamos de famílias amish que voltavam da igreja para casa em charretes. Nós até mesmo prestamos atenção nos carros.

Nós descobrimos que o Sonata V-6 tem muita potência, respondendo rapidamente mesmo quando a velocidade do motor cai para 1.000 rpm. No geral, o Sonata pareceu mais forte que o Camry.

Em estradas sinuosas, o Sonata fez um conexão sólida com o motorista. O volante tem mais peso e uma sensação melhor. Mesmo assim, a suspensão do Camry forneceu um amortecimento mais suave contra os buracos e sua cabine era mais silenciosa. Não ajudou ao Sonata a distante vibração pela coluna de direção e um barulho abafado em algum ponto do painel de instrumentos.

Enquanto o Sonata é novo, o atual Camry está quase no fim de seu tempo de vida. Uma versão redesenhada chegará no próximo semestre.

Na condução separada de um Sonata de quatro cilindros com transmissão automática, ficou claro que mesmo este modelo simples não é apenas para lesmas. Sua aceleração era mais do que adequada na cidade; a certa altura na estrada, eu fiquei chocada ao perceber que o velocímetro tinha atingido 145 km/h.

Voltando para Cleveland, uma coisa ficou clara. A concorrência na crescente categoria dos sedãs está se tornando mais acirrada. A pergunta é: o Sonata é agora tão atraente a ponto de, valores à parte, tirar clientes da zona de conforto de seus Hondas e Toyotas? O Sonata 2006, novo modelo da Hyundai, está tirando o sono da concorrência George El Khouri Andolfato

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