UOL Notícias Internacional
 

06/11/2005

Milionários duelam pelo governo de Nova Jersey

The New York Times
David W. Chen e David Kocieniewski

Em Trenton, Nova Jersey
O senador Jon S. Corzine gastou US$ 43 milhões até agora na corrida para ser o próximo governador de Nova Jersey, superando seu adversário, Douglas R. Forrester, que investiu US$ 29 milhões de seu próprio dinheiro na campanha.

Os dois milionários deverão gastar muito mais nos próximos três dias em comerciais de TV e para levar seus eleitores até as urnas na terça-feira. As pesquisas feitas até sexta mostravam Corzine na liderança, com variação de 2 a 12 pontos percentuais.

Os US$ 72 milhões juntos, segundo os relatórios financeiros de campanha apresentados até quinta-feira, são o dobro do recorde anterior para uma disputa ao governo de Nova Jersey. Em 2001, o democrata James E. McGreevey gastou US$ 36 milhões para derrotar o republicano Bret R. Schundler.

Um dos motivos para o aumento dos gastos de campanha este ano é que os dois candidatos decidiram dispensar o sistema pioneiro de Nova Jersey de campanhas com financiamento público, que impõe limites aos gastos dos candidatos a governador.

Mesmo assim, as despesas na disputa deste ano ainda ficam aquém das campanhas para governador em outros Estados. A mais cara foi a campanha de 2002 em Nova York, onde os três principais candidatos gastaram ao todo US$ 135,7 milhões. Em 1998, os candidatos a governador da Califórnia gastaram quase US$ 120 milhões.

Corzine and Forrester mostraram sua disposição para gastar desde o início. Forrester, que enfrentou seis candidatos em uma dura eleição primária, aplicou US$ 11 milhões para ganhar a nomeação do Partido Republicano. O democrata Corzine enfrentou uma oposição simbólica, mas ainda assim gastou US$ 5 milhões.

Desde então, Corzine gastou mais US$ 38 milhões e Forrester, outros US$ 18 milhões, com a maior parte do dinheiro indo para anúncios de televisão e a cara mídia de Nova York e Filadélfia. Corzine gastou pelo menos US$ 25 milhões em comerciais de televisão; Forrester gastou US$ 12,5 milhões.

Corzine também superou Forrester em gastos de mala-direta para eleitores, investindo US$ 5 milhões. Forrester, em contraste, gastou menos de 10% dessa quantia.

Com a aproximação do dia da eleição, os gastos para levar os eleitores às urnas poderão fazer a diferença. E mais uma vez Forrester provavelmente será superado por Corzine, que deve mobilizar seu apoio nas áreas urbanas do Estado para vencer.

"Ninguém esperava que Forrester se equiparasse a Corzine em dólares", escreveu Jennifer E. Duffy, analista política do "The Cook Political Report", em uma reportagem publicada na sexta-feira. "Inicialmente acreditávamos que Forrester simplesmente tinha de gastar o suficiente em anúncios na televisão para transmitir sua mensagem."

"Forrester atingiu esse objetivo, mas às custas de outras atividades. A campanha de Corzine incluiu os programas de voto fora do domicílio e 'mostre seu voto'."

Os estrategistas democratas afirmam que terão dezenas de milhares de trabalhadores em campo a partir de sábado, muitos deles recebendo de US$ 75 a US$ 100 por dia para distribuir panfletos, telefonar para eleitores e levá-los até as urnas na terça-feira, disse Andrew Poag, um porta-voz do Partido Democrata estadual.

A recompensa poderá ser maior este ano, dizem os democratas, graças a uma nova lei que facilitou para as pessoas votar fora do domicílio. Pela lei antiga, os eleitores registrados tinham de mostrar prova de sua incapacidade de chegar às urnas; agora não há necessidade de explicação.

Os republicanos pretendem pagar até US$ 150 por dia para pessoas fazerem telefonemas ou distribuírem material impresso nas ruas durante os últimos dias da campanha. A Associação de Governadores Republicanos deu US$ 595 mil para organizações municipais de todo o Estado, especificamente para esforços de "mostre seu voto".

Jennifer Blei Stockman, presidente nacional da Maioria Republicana pela Opção, disse que seu grupo pretende embarcar em seu esforço mais vigoroso já feito em Nova Jersey. Ela disse que a organização vai oferecer centenas de voluntários e enviará 100 mil correspondências. O grupo pretende gastar até US$ 100 mil.

"Com as novas coisas que estão aparecendo sobre Corzine e sua ex-mulher, será menor a probabilidade de eles se interessarem por votar em Corzine, e Forrester está parecendo cada vez mais atraente", ela disse.

No início da semana, Joanne Corzine criticou seu ex-marido em entrevistas aos jornais "The New York Times" e "The Star-Ledger", dizendo que Corzine havia falhado com sua família e provavelmente falharia com Nova Jersey. Seu divórcio foi concluído em 2003. A campanha de Forrester rapidamente produziu um anúncio de televisão destacando suas recentes declarações.

Além dos US$ 30 milhões que Corzine gastou em televisão e mala-direta, ele pagou a sete organizações US$ 1,5 milhão cada para fazer pesquisas. Também gastou US$ 1 milhão em serviços como telefonemas para potenciais eleitores.

Em mais de 300 páginas de documentos, os gastos de Corzine podem ser lidos como um relatório detalhado de gastos da empresa. Um item é de taxa por transação com cartão de crédito, US$ 0,53. Outro é de gastos de viagem, US$ 1,80. Outro ainda é de flores, US$ 100.

Mas no total a maior parte do dinheiro de Corzine foi para alguns poucos receptores.

A Abar Hutton Media, de Alexandria, Virgínia, produziu a maioria dos comerciais de TV de Corzine, recebendo US$ 19 milhões -- mais do que Forrester gastou durante a eleição em geral. E a Message and Media, uma companhia de New Brunswick dirigida por dois democratas, Steve DeMicco e Brad Lawrence, recebeu quase US$ 9 milhões por serviços de mídia, mala-direta e outros itens.

Os gastos de Forrester sugerem que ele acredita no senso comum de que as campanhas modernas são vencidas ou perdidas nas ondas aéreas.

A maior parte dos US$ 12,5 milhões que ele gastou em mídia foi para a consultoria de publicidade Stevens Reed Curcio & Potholm, que produziu os anúncios do ano passado com os pilotos de lanchas-patrulhas que criticaram o senador John Kerry, na disputa presidencial.

Os gastos de Forrester em outros itens foram quase desprezíveis. Menos de US$ 400 mil foram usados para pagar mala-direta --cerca de 1/12 dos gastos de Corzine. E a campanha de Forrester contou com uma única firma de pesquisas, a Arthur J. Finkelstein and Associates, que recebeu US$ 174 mil.

A campanha gastou US$ 57.934 em aluguéis, US$ 49.967 em contas de telefone e telecomunicações, US$ 2.345 em limpeza de escritórios e US$ 2.764 em segurança. A única publicação listada no relatório de Forrester é uma assinatura do "The Star-Ledger", por US$ 46. Juntos, Jon S. Corzine e Douglas R. Forrester, gastaram até agora US$ 72 milhões Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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